No mundo imobiliário, muito se fala em valor: o valor por metro quadrado, o valor da localização, o valor do projeto. No entanto, existe um valor que raramente aparece em nossas análises de mercado, embora o vivenciemos diariamente: o valor da troca genuína entre pessoas.
Neste setor, onde os relacionamentos com clientes, parceiros e equipes são o verdadeiro ativo, a reciprocidade determina se um relacionamento se fortalece ou se enfraquece. O mesmo se aplica fora de qualquer escritório, contrato ou comissão; vale para amizades, família e todos os espaços onde escolhemos investir nossa energia.
Por muito tempo, acreditei que dar sem esperar nada em troca era uma virtude superior, uma nobre expressão da alma. Com o passar dos anos, compreendi que essa premissa, levada ao extremo, é uma armadilha elegante. Não porque devamos medir cada gesto antes de oferecê-lo, mas porque viver em constante doação sem receber nada em troca não é generosidade: é exaustão disfarçada de virtude. E essa exaustão, se não for tratada, mais cedo ou mais tarde se transforma em ressentimento.
Por isso, aprendi a me fazer perguntas incômodas: O que eu ganho com isso, me dedicando tanto? Estou me dedicando por convicção genuína ou por medo de decepcionar os outros? Este projeto, este relacionamento ou esta equipe merecem continuar recebendo o melhor de mim? Respostas honestas não vêm imediatamente, mas vêm. E quando vêm, mudam tudo.
Existe uma distinção que transformou a forma como avalio relacionamentos. Algumas pessoas se dedicam 35% porque essa porcentagem representa genuinamente os seus 100%; sua situação atual, seu histórico e suas capacidades simplesmente não permitem mais. Esse esforço merece respeito e paciência. Por outro lado, há aqueles que poderiam se dedicar mais, mas optam por não fazê-lo. Nesses casos, não estamos diante de uma limitação, mas de uma escolha. E essa decisão também diz muito sobre onde devemos continuar investindo nossa energia.
Acredito profundamente no serviço. Acredito em ser o apoio que acompanha outra pessoa a dar os passos necessários. No entanto, aprendi que ser uma muleta por mais tempo do que o necessário não ajuda: impede a outra pessoa de descobrir que pode caminhar sozinha. Escolher ambientes onde dar e receber são práticas mútuas não é egoísmo; é coerência. É reconhecer que seu tempo, sua presença e sua criatividade são recursos finitos e que você merece investi-los onde realmente darão frutos.
Reciprocidade não se trata de contabilizar ou exigir equilíbrio. É algo muito mais sutil: a sensação de que a troca tem vida própria, que flui em ambas as direções e que ninguém sai de um encontro se sentindo mais vazio do que quando chegou. Quando isso não acontece, seja nos negócios, na amizade ou em uma equipe, essa própria ausência funciona como uma bússola, indicando sutilmente que algo está errado.
Ouvir a música no momento certo é, talvez, o ato de amor mais sincero que podemos ter por nós mesmos.
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