“Uma melhor organização e disponibilidade destes dados permitirá decisões mais informadas sobre onde reforçar as redes elétricas e como se preparar para furacões e inundações”, acrescentou o investigador do estudo
SANTO DOMINGO– A Pontifícia Universidade Católica Madre y Maestra (PUCMM) divulgou ontem os resultados de um estudo de diagnóstico sobre o estado atual dos dados geoespaciais no setor energético nacional, identificando a necessidade de promover um plano de governação para a gestão, documentação, atualização e troca de dados geoespaciais no setor energético dominicano.
O estudo propõe a criação de uma Infraestrutura Espacial de Dados Energéticos na República Dominicana, um conjunto de acordos, normas e ferramentas que permitirão a integração e a utilização coerente de dados geográficos gerados por diferentes instituições do setor.
Esta proposta, apresentada pelo investigador Ramón Emilio De Jesús-Grullón, membro do Grupo de Investigação em Resiliência Energética e Micro-redes da PUCMM, surge da identificação de duas fragilidades no sistema energético. A primeira é a dispersão da informação geoespacial no sector energético, frequentemente partilhada através de mecanismos informais, e a falta de documentação (metadados) ou de actualizações acessíveis.
RD está fora do comité
A investigação sublinha que as principais instituições do sector energético não são membros do Comité Coordenador da Infraestrutura de Dados Espaciais da República Dominicana (IDERD), o que limita a sua participação formal nos esforços nacionais para coordenar e interoperar dados geoespaciais.
Ramón Emilio De Jesús-Grullón, no seu trabalho de investigação intitulado “Plano de Governação de Dados para o Desenvolvimento da Infraestrutura de Dados Espaciais de Energia da República Dominicana”, explica que estas fragilidades foram identificadas após a análise de dados geoespaciais e documentos institucionais relacionados com a infraestrutura elétrica, indicadores de fiabilidade do serviço, vulnerabilidade social, ameaças climáticas e recursos energéticos.
Dados distribuídos entre instituições que requerem custódia
O estudo analisou as práticas de gestão e o acesso a dados das instituições ligadas ao setor. "Atualmente, dados importantes sobre redes elétricas, interrupções de serviço e riscos climáticos são frequentemente distribuídos entre diferentes instituições, com níveis variáveis de acesso e documentação", acrescentou o investigador.
O autor explica que esta nova proposta para a criação de uma Infraestrutura Espacial de Dados Energéticos estabelece responsabilidades claras para a salvaguarda, atualização e partilha de dados sobre redes elétricas, fiabilidade do serviço, ameaças climáticas e vulnerabilidade social. “Uma melhor organização e disponibilidade destes dados permitirá decisões mais informadas sobre onde reforçar as redes elétricas, como se preparar para furacões e inundações e como priorizar investimentos que melhorem a fiabilidade do serviço”, acrescentou o autor, que apresentou este trabalho no âmbito da Escola de Verão da Plataforma Global de Modelação Energética (EMP-G), realizada em Trieste, Itália.
Ramón Emilio De Jesús-Grullón indicou que a proposta ajudará a garantir que os dados geoespaciais para o setor energético deixem de depender de pedidos isolados ou de acordos informais, tornando-se, em vez disso, um recurso organizado, documentado e útil para o país. A nova infraestrutura poderá ser inicialmente desenvolvida pela própria PUCMM, com interoperabilidade com a Infraestrutura de Dados Espaciais da República Dominicana (IDERD), uma plataforma nacional que atualmente unifica dados, normas e tecnologia para a partilha de informação geográfica.
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