O Corpo de Engenheiros do Exército evacuou 1.690 hóspedes do complexo que, em 1987, deu origem ao que hoje é o Viva Resorts by Wyndham; quase quatro décadas depois, o resort enfrenta um dos maiores desastres de sua história, enquanto a empresa e as autoridades determinam as causas e os danos
SANTO DOMINGO – A palha de palmeira é usada para coberturas no Caribe muito antes de existir a palavra “resort”. É leve, isola contra o calor, é facilmente encontrada em qualquer floresta próxima e, acima de tudo, oferece uma experiência única à beira-mar que nem painéis de zinco nem concreto conseguem proporcionar.
Essa mesma imagem viralizou nas redes sociais ontem, 19 de junho, mostrando o hotel em chamas, consumindo suas instalações em um dos maiores incêndios em hotéis da região leste do país nos últimos tempos.
Nem o Centro de Operações de Emergência (COE) nem a rede Viva Resorts by Wyndham divulgaram oficialmente onde ou como o incêndio começou, embora tenham declarado que uma investigação foi aberta para determinar a causa.
Para além das causas específicas deste incêndio, o próprio elemento que vende o postal, intrínseco à arquitetura vernacular, o bohío, o bangalô com telhado natural, a silhueta que distingue um resort de um hotel urbano, é também, por sua natureza, um material de maior risco estrutural face ao fogo do que o betão ou a telha de barro.
Mais de 1.600 hóspedes foram evacuados
Segundo um comunicado do Centro de Operações de Emergência, a agência evacuou aproximadamente 1.690 hóspedes do hotel Viva Wyndham Dominicus Beach, que foram realocados para hotéis e outras instalações próximas para garantir seu bem-estar e segurança.
A figura dá uma ideia da verdadeira dimensão do complexo: não se trata de um hotel boutique, mas sim de uma das maiores propriedades em Bayahibe, com mais de 500 quartos.
O COE também especificou que o Viva Wyndham Dominicus Palace, um hotel da mesma rede localizado a poucos metros de distância, não sofreu nenhum dano.
Durante o incidente, e como medida preventiva, os hóspedes foram transferidos para áreas seguras e bem ventiladas, de acordo com os protocolos estabelecidos. Alguns dos evacuados da Praia Dominicus foram realocados para lá, assim como para outros estabelecimentos no destino turístico de Miches e para os hotéis Catalonia e Sunscape, na área de Bayahibe.
Trinta e nove anos
O hotel que pegou fogo ontem, sexta-feira, não é uma construção recente. De acordo com seu próprio site oficial, a empresa começou em 1987 com o Club Dominicus em Bayahibe, La Altagracia, o primeiro resort all-inclusive da marca no Caribe, fundado por Ettore Colussi, que ainda preside a rede atualmente. Esse projeto inicial foi a semente do que hoje é a Viva Resorts by Wyndham, uma rede que opera mais de 2.000 quartos somente na República Dominicana.
A propriedade mudou de tamanho e nome ao longo dos anos. Em dezembro de 2003, a empresa firmou uma aliança estratégica com a Wyndham International Inc., tornando-se a divisão de resorts all-inclusive de uma das maiores redes hoteleiras dos Estados Unidos.
Quase duas décadas depois, em 2020, o hotel reabriu após um fechamento temporário devido à pandemia, com uma renovação completa de seus quartos, lobby, piscinas, restaurantes e bares.
Trinta e nove anos após a sua inauguração, o complexo mantém como marca visual os telhados de cana em parte das suas estruturas, o mesmo elemento que as imagens desta sexta-feira mostraram envolto em chamas, sem que isso implique uma causa confirmada para o incêndio.
Em um comunicado dirigido a seus parceiros comerciais e operadores turísticos, assinado por Amanda Santana, Vice-Presidente Executiva de Vendas e Marketing da Viva Resorts by Wyndham, a rede informou que foi obrigada a cancelar todas as chegadas programadas a partir desta sexta-feira até novo aviso, e que o hotel permanecerá fechado pelo menos até o próximo domingo, enquanto as avaliações correspondentes são realizadas e a extensão dos danos é determinada.
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