SANTO DOMINGO – O turismo internacional entra em 2026 com uma nova energia. Hoje, viajar é mais dinâmico, mais emocional e muito mais personalizado. As novas gerações ditam o ritmo, mas não por pressa; pelo contrário, buscam experiências memoráveis e autênticas, que sejam bem aproveitadas. Isso é confirmado por dados recentes do Airbnb e pela abordagem promovida pela FITUR 2026: os viajantes não planejam mais apenas com base no destino, mas na experiência que desejam criar.
Essa mudança está dando origem a comportamentos que, há poucos anos, pareciam impensáveis: escapadas internacionais de um ou dois dias, viagens solo com foco espiritual, um crescente interesse por destinos rurais e culturais e uma nova hierarquia onde a experiência se sobrepõe à hospedagem. Mais do que uma moda passageira, isso representa uma profunda reconfiguração do turismo, com implicações diretas para o investimento imobiliário e o desenvolvimento de projetos turísticos.
Para o setor, esses "fatos interessantes" são sinais claros da direção que a demanda está tomando: brevidade, autenticidade, significado e valor emocional.
Geração Z e a ascensão das viagens de alta velocidade
Uma das mudanças mais marcantes está sendo impulsionada pela Geração Z. Esse grupo está fomentando o que o Airbnb chama de "viagens relâmpago" — escapadas internacionais de um ou dois dias que estão crescendo mais rápido do que férias mais longas. Inspirados por conteúdo viral em plataformas de mídia social como o TikTok, esses viajantes estão optando por experiências intensas em períodos muito curtos de tempo.
Cidades vibrantes se tornam a principal escolha. Eles buscam música, culinária autêntica, história urbana, bares com personalidade e espaços culturais ativos. Cada hora conta e cada atividade deve agregar valor. Viajar não se trata mais de acumular dias, mas de concentrar experiências.
Para o mercado imobiliário turístico, isso reforça o valor de áreas urbanas bem conectadas, com uma oferta cultural compacta e alta mobilidade. A proximidade física à experiência torna-se um fator tão importante quanto a própria infraestrutura.
Natureza, cultura e o retorno a viagens significativas
A conexão com a natureza continua a crescer, mas agora com uma forte componente cultural. Até 2026, os viajantes vão querer mais do que apenas paisagens; vão querer histórias, tradições, gastronomia local e contacto com comunidades autênticas. A vida rural já não é apenas uma fuga; está a tornar-se uma experiência de aprendizagem e reconexão.
Esse fenômeno abre oportunidades claras para projetos de turismo de baixo impacto, acomodações integradas ao meio ambiente e empreendimentos que valorizam a identidade local. O luxo está sendo redefinido pela singularidade da experiência.
Enquanto isso, as viagens solo estão vivenciando um ressurgimento. Cada vez mais pessoas optam por explorar montanhas, litorais e ilhas por conta própria, atraídas pela tranquilidade, introspecção e ritmo mais lento. O turismo está se transformando em uma ferramenta para o bem-estar pessoal e o equilíbrio emocional.
Para o setor imobiliário, isso significa focar em espaços mais intimistas e funcionais, propícios ao descanso e à contemplação. Projetos pequenos e bem planejados podem ser tão valiosos, ou até mais, do que grandes complexos turísticos.
Menos destino, mais experiência: o novo paradigma
Desde a FITUR 2026, a mensagem tem sido clara: o turismo de experiência deixou de ser uma tendência emergente e tornou-se a base do novo modelo turístico. MaríaValcarce, diretora da feira, explicou isso com precisão, afirmando que o viajante de hoje primeiro escolhe o que quer vivenciar — desde explorar uma caverna ou cozinhar uma receita ancestral até percorrer uma paisagem cultural — e só depois decide onde fazê-lo.
Isso muda completamente a lógica do mercado. O destino se torna o cenário, e a experiência se torna o verdadeiro produto. A hospedagem deixa de ser apenas um ponto de chegada e se transforma em parte ativa da narrativa da viagem.




