O documento afirma que a força pública foi autorizada pelo advogado do Estado perante o Departamento Central e que isso ocorreu em resposta a um telefonema do ex-procurador, que, além disso, teria autorizado um contingente militar utilizando os veículos identificados pelo Ministério Público e os recursos econômicos da Procuradoria.
SANTO DOMINGO - Os 30.000 metros quadrados de terreno que, segundo a Procuradoria Especializada em Combate à Corrupção Administrativa (Pepca), foram "comprados" pelo ex-Procurador-Geral Jean Alain Rodríguez, mediante o uso da força pública para expulsar supostos ocupantes ilegais que residiam na propriedade, estão registrados em nome da empresa Inmobiliaria Santa Bárbara, de propriedade de Roberto Santiago Moquete Ortiz.
“Esses terrenos possuem título de propriedade em nome da empresa Inmobiliaria Santa Bárbara, de propriedade de Roberto Santiago Moquete Ortiz. Quando questionado pelo Ministério Público, ele próprio afirma que “vendeu” alguns terrenos ao acusado Jean Alain Rodríguez, a quem conhece por intermédio de Romel Marranzini.”.
No processo Medusa, a Pepca acusa Jean Alain Rodríguez de ter construído a cerca perimetral da referida propriedade com dinheiro da Procuradoria-Geral da República, que ele registrou como despesa de manutenção de banheiros.
O terreno está localizado na Rodovia Circular de Santo Domingo, a um quilômetro da estrada Yamasá, setor Mata San Juan, Villa Mella, conforme detalhado no processo acusatório contra as 63 pessoas físicas e jurídicas ligadas à Operação Medusa.
A Pepca insiste que o terreno foi adquirido ilegalmente por Jean Alain Rodríguez.
Ele destaca que Marranzini havia comprado cerca de 70.000 metros quadrados na área da empresa Santa Bárbara e que um dia ligou para Moquete Ortiz para lhe dizer que queria 30.000 metros reservados para o promotor.
“A esta proposta, Roberto Santiago Moquete Ortiz afirmou que não tinha problema algum, que se resolvesse a questão dos invasores, cederia 20.000 metros quadrados ao Procurador-Geral e que só teria de pagar a quantia de 10.000 pesos. Após chegar a um acordo, recebeu um cheque de um milhão de pesos da empresa de Jean Alain Rodríguez, chamada Jurinvest, a favor da Inmobiliaria Santa Bárbara”, diz a Pepca.
O documento afirma que a força pública foi autorizada pelo advogado do Estado perante o Departamento Central e que isso ocorreu em resposta a um telefonema do ex-procurador, que, além disso, teria autorizado um contingente militar utilizando os veículos identificados pelo Ministério Público e os recursos econômicos da Procuradoria.
“Isso é comprovado no documento nº 178, datado de 24 de julho de 2020, elaborado pelo Dr. Gedeón Platón Bautista Liriano, em sua qualidade de Procurador do Estado”, afirma o processo.
A Pepca argumenta que, com a aquisição do terreno em troca da concessão da Força Pública, Jean Alain Rodríguez cometeu prevaricação, além de "desviar recursos da Procuradoria-Geral da República, gerando uma nota fiscal falsa em favor da Marizan Ingeniería, Construcción y Bienes Raíces SRL, para o pagamento da construção de uma cerca perimetral no referido terreno".
“O engenheiro Grandersio Rafael Marizan Ubiña declarou ao Ministério Público que Antón Casasnovas Nolasco lhe pediu para elaborar um orçamento e uma fatura, discriminando itens correspondentes ao reparo de banheiros na Procuradoria-Geral da República, mas que, na realidade, o dinheiro seria usado para a construção do muro perimetral do terreno localizado no anel viário de Santo Domingo”, diz a acusação.
Em 5 de agosto de 2020, a empresa emitiu a fatura com o número NCF B1500000018, em nome da Procuradoria-Geral da República, com o conceito "Diversos trabalhos de reparo na Procuradoria-Geral da República", no valor de RD$ 1.318.042,06.
Militares do Gabinete do Procurador-Geral
O jornal Pepca relata que o engenheiro Marizan Ubiña não concluiu a obra por falta de pagamento e que “em diversas ocasiões conversou por telefone com o acusado Jean Alain Rodríguez Sánchez sobre a cerca que estava sendo construída, constatando que havia problemas de segurança, motivo pelo qual dois militares da Procuradoria-Geral da República foram designados para o local”.




