Por Amelia Cuesta
Equipe Editorial El Inmobiliario
SANTO DOMINGO.- Nos últimos anos, os edifícios e seus projetos evoluíram: estão cada vez mais altos, luxuosos e espaçosos… Será que os edifícios deveriam ser assim quando as mudanças climáticas nos obrigam a estar cada vez mais conscientes e atentos aos danos que causamos?
El Inmobiliario entrevistou a arquiteta Yermys Peña, que compartilhou seu ponto de vista sobre as tendências arquitetônicas na República Dominicana para 2023 e ofereceu suas recomendações.
“Sem dúvida, este será o ano da conscientização ecológica. As mudanças climáticas têm sido um tema central em fóruns internacionais, e por um bom motivo: seus efeitos são visíveis não apenas em habitats naturais, mas também em ambientes urbanos. Eventos como a COP27 destacaram a importância dos esforços para alcançar emissões líquidas zero e os desafios que enfrentamos. O setor da construção civil foi responsável por 38% das emissões globais de CO2”, comenta o especialista.
Ele entende que, em 2023, a arquitetura sustentável continuará a crescer a partir da otimização de espaços verdes para o gerenciamento do calor urbano, da redução do consumo de energia e água e do uso de materiais com menores emissões para minimizar a pegada de carbono.
"Por outro lado, o uso da tecnologia continua a aumentar. No design, a implementação do método BIM (Modelagem de Informação da Construção) está se tornando cada vez mais comum, o que serve para otimizar recursos e reduzir custos e tempo de construção, tornando-os mais precisos", destaca o ativista ambiental.
Na opinião dele, as novas tecnologias permitem a criação de edifícios inteligentes cujo objetivo é se autogerir, aprender, antecipar e se adaptar sem a necessidade de intervenção ou reconhecimento por parte dos seus usuários.
“Um edifício inteligente utiliza sua inteligência para coletar dados úteis dos dispositivos, sensores, sistemas e serviços usados pelas pessoas no local. Temperatura ambiente, iluminação, sombras, consumo de energia e água podem ser ajustados de forma fácil e automática com base em sensores e monitores”, explica o arquiteto
Yermys Peña acredita que o mercado imobiliário evoluiu favoravelmente em termos de tamanho e design, adotando o uso de diversos materiais e novas técnicas. Graças a isso, a tendência de edifícios de uso misto está ganhando força, observa ela.
Construções ecológicas
"A República Dominicana está em um estágio de despertar em relação à sustentabilidade na construção civil. É necessário um impulso legislativo e financeiro para avançar na velocidade exigida pelas mudanças climáticas", explica o arquiteto.
No caso dele, explica, possui vários edifícios com certificações internacionais LEED e EDGE. "Não foi fácil, mas mostramos que é possível e rentável", afirma.
Para Yermys Peña, a construção sustentável depende em grande parte da vontade dos promotores e incorporadores. "Não há obrigação legal de adotá-la; trata-se de educação, responsabilidade e bom senso para preservar os recursos naturais para as gerações futuras", afirma.
Ele recomenda que os diversos intervenientes do setor se alinhem com as melhores práticas. “Uma boa arquitetura é sustentável, é simples assim. Da mesma forma, um construtor responsável se preocupará em tornar seu negócio bem-sucedido e lucrativo, mas também em garantir que o edifício que constrói e coloca em funcionamento tenha custos reduzidos para os proprietários e um impacto ambiental mínimo”, conclui Peña.




