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Se a lei fosse aplicada no país, não haveria necessidade de tomar medidas para combater fraudes imobiliárias, afirma o ex-presidente da Codia

A comissão deverá incluir representantes da AEI, ACOPROVI, Proconsumidor, MIVHED e do Ministério da Indústria e Comércio, entre outros. Alberto Bogaert, Presidente da AEI.

SANTO DOMINGO – Em resposta às recentes notícias de golpes imobiliários no país, a vice-presidente Raquel Peña anunciou ontem, segunda-feira, que o governo formará uma comissão ou comitê técnico para tratar desses casos na República Dominicana.

No entanto, segundo Cristian Rojas, ex-presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA), esses casos têm um procedimento legal. "Porque se as leis fossem aplicadas aqui, se as construtoras fossem regulamentadas, se estivessem sujeitas a uma fiscalização rigorosa, então esse tipo de medida não seria necessário, já que a fraude é da jurisdição dos tribunais.".

O engenheiro afirmou que neste país "qualquer um pode vir e se tornar construtor, eles não se filiam a nenhuma organização, nenhuma guilda, nenhuma associação, então você não sabe o capital, de onde vem, quem investiu, nada, eles não têm regulamentação, então temos esse problema", enfatizou.

A vice-presidente afirmou que, seguindo as instruções do presidente Luis Abinader, o governo dominicano não permitirá que esses atos criminosos ocorram. "Não vamos mais tolerar esse tipo de delito", enfatizou.

Mas Rojas insistiu, quando consultada pelo El Inmobiliario, que se trata de uma questão para o sistema judiciário e que "são poderes independentes e ela não pode interferir nisso. E se alguém for regular essas empresas, tem que ser o Congresso Nacional, ou seja, isso não está dentro da jurisdição da vice-presidente.".

O presidente do AEI parabeniza a medida

Alberto Bogaert, presidente da Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias (AEI), saudou a iniciativa do governo de criar uma comissão ou comitê técnico para tratar de casos de fraude imobiliária. 

“Confiamos que esta comissão, sob a liderança da nossa vice-presidente Raquel Peña, terá efeitos positivos, pois tenho certeza de que não só combaterá como também prevenirá esses golpes. Acreditamos que esta comissão deve ser composta pelos principais intervenientes ou associações envolvidas no setor imobiliário”, afirmou quando El Inmobiliario lhe pediu a sua opinião sobre o anúncio do governo.

Ele citou entre as empresas, além da AEI, a Associação de Construtores e Promotores de Habitação (ACOPROVI), representando o setor privado, e instituições governamentais como a Proconsumidor, o Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED), a Indústria e o Comércio, entre outras.

Reclamações

Diversas denúncias foram feitas por pessoas que acusam Emmanuel Rivera Ledesma, um suposto arquiteto ou engenheiro, de fraude multimilionária em um projeto imobiliário que ele mesmo dirige.

Os golpes variam desde apartamentos não entregues e casas vendidas para mais de dez pessoas até construções ilegais, entre outros, segundo investigação realizada pela "Nuria Investigación Periodística".

O programa investigativo mostra vídeos dos luxos de Rivera, incluindo uma casa cuja garagem abriga cerca de 5 veículos, desde um SUV Hyundai até Mercedes Benz, BMW e Lincoln Navigator.

Os preços variam de 2,8 a 4 milhões de pesos para apartamentos em complexos habitacionais supostamente construídos pela IndisArq. Há também alegações de que a IndisArq vendeu um único apartamento para mais de dez pessoas.

Um dos casos é o de Abraham Báez, uma das sete pessoas que apresentaram queixa formal contra o empresário, que pagou 3 milhões de pesos dos 4 milhões e 300 mil acordados pela venda de um apartamento que não foi entregue pela IndisArq.

Outro dos denunciantes é Fernando Torres, que já teria repassado 2,8 milhões de pesos à empresa de Emmanuel Rivera Ledesma e de sua ex-esposa, María Consuelo Sabina Pichardo, segundo a investigação.

No entanto, Jean Cristofer Pérez, advogado dos sete demandantes, afirma que há casos que chegam a US$ 120.000, um de US$ 42.000, outros de US$ 14.000 e US$ 16.000.

O que é IndisArq?

A IndisArq se apresenta em seu site como “uma empresa com uma sólida trajetória de mais de três décadas no setor imobiliário”. No entanto, seu registro comercial foi emitido há apenas 8 anos, em agosto de 2015, com uma atividade empresarial que varia da exportação de metais pesados ​​e fabricação de portas ao desenvolvimento de projetos imobiliários, e com sede em seu antigo prédio no complexo residencial José Contreras.

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