SANTO DOMINGO - Ao apresentar o projeto de lei sobre aluguéis e despejos de imóveis, que introduziu na sessão de ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Alfredo Pacheco, pediu aos legisladores que compreendessem a importância da legislação, pois ela contribuirá para impulsionar o desenvolvimento imobiliário no país.
"Portanto, este assunto precisa ser abordado, é necessário aprovar legislação, é preciso trabalhar nesta questão para impulsionar o desenvolvimento imobiliário na República Dominicana. Por isso, faço este apelo porque esta é uma lei importante", disse Pacheco, que apresentou o projeto de lei em 26 de agosto, embora só o tenha tornado público ontem na câmara.

Após a apresentação da obra, foi criada uma comissão especial para estudar o projeto e agilizar sua compreensão e aprovação.
Pacheco atribuiu a iniciativa aos ex-deputados Henry Merán e Demóstenes Martínez, que apresentaram o projeto em 2018 com o nome de "Lei Geral de Aluguéis e Despejos de Imóveis".
“O ex-congressista Henry Merán, Demóstenes Martínez e nós temos trabalhado nesta iniciativa há muitos anos, mas Mateo Espaillat também se interessou e está trabalhando neste projeto.”
Ele afirmou ter conversado com o Presidente da República, Luis Abinader, que concordou com a aprovação do projeto de lei.
Pacheco comentou que, desde os governos do ex-presidente Joaquín Balaguer, houve tentativas de aprovar essa medida, porém, o "obstáculo" sempre foi que vários governadores propuseram que o Banco Agrícola fosse o órgão regulador em questões de aluguel e despejo.
No entanto, ele afirmou que a cifra do Banco Agrícola não consta do documento que apresentou.
O presidente do órgão legislativo destacou que a República Dominicana teve um desenvolvimento imobiliário espetacular, mas ressaltou que atualmente o país é regido por um conjunto de monstruosidades legais, como decretos, resoluções e outros documentos que impossibilitam que alguém que possua um imóvel no país queira alugá-lo ou arrendá-lo.
Ele acrescentou que essa situação encarece o aluguel de imóveis, porque se o proprietário não tem segurança jurídica, ele define o preço que quiser.
Ele argumentou que, no passado, o Poder Executivo sempre quis que a referida lei fosse regulamentada pelo Banco Agrícola, e que no projeto que está apresentando, isso não acontece.
“Como o Banco Agrícola, com o qual todos simpatizamos, possui outras fontes de financiamento, devemos proteger os contratos de aluguel e os despejos para que o aluguel seja mais acessível à classe trabalhadora, mas também para que os proprietários se sintam seguros em poder recuperar seus imóveis”, destacou o congressista.
Pacheco informou à sessão plenária que, na sessão de hoje, anunciará os membros das Comissões Especiais que estudarão tanto o projeto de lei sobre arrendamento quanto o Projeto de Lei do Orçamento Geral do Estado para 2022.
ACOPROVI
Pacheco afirmou que a Associação Dominicana de Construtores e Promotores de Imóveis (Acoprovi) e outros setores ligados ao aluguel de bens e imóveis demonstraram interesse em que a iniciativa fosse divulgada e aprovada.
“A Acoprovi solicitou recentemente ao Congresso Nacional a aprovação de um projeto de lei que define um sistema de arrendamento de imóveis, e este é um projeto de lei necessário para a República Dominicana”, afirmou o presidente dos deputados.
Durante a Sétima Mesa Redonda sobre Habitação, realizada em dezembro do ano passado, a Acoprovi destacou a necessidade de atualizar a lei que regulamenta os aluguéis, para uma regulamentação moderna, adaptada aos novos tempos e que ofereça segurança jurídica a todas as partes.
Em seu discurso na sétima edição da Mesa Redonda sobre Habitação, o presidente da organização, o arquiteto Jorge Montalvo, explicou que a atualização da Lei 4314 sobre aluguéis promoveria o investimento no setor imobiliário para fins de locação.
“Ter acesso a uma moradia digna não significa necessariamente poder comprar uma; alugar também é uma forma de ter abrigo e, em alguns países, representa até 70% das pessoas que vivem nessa situação. No nosso país, a lei que regulamenta os aluguéis data da década de 1950 e precisamos de regulamentações modernas”, afirmou Montalvo.




