SANTO DOMINGO– A pesquisa Barômetro das Américas, República Dominicana 2023: “Aferindo o Pulso da Democracia”, divulgada ontem pelo centro de pesquisa de opinião pública latino-americana LAPOP Lab, da Universidade Vanderbilt, revela que um em cada dois dominicanos menciona uma questão econômica como o problema mais grave do país em 2023.
O relatório, apresentado na Pontifícia Universidade Católica Madre y Maestra (PUCMM) e patrocinado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), afirma que, em 2023, após 15 anos, a economia voltou a ser o problema mais importante entre os dominicanos desde 2008, quando mais da metade da população considerava essa questão a principal dificuldade.
No ano passado, em 2023, 50% dos entrevistados apontaram a economia como o problema mais urgente do país, superando em muito a segurança (21%), outras questões (21%) e a política (8%). O Barômetro reconhece essa tendência, apesar do crescimento econômico que a República Dominicana experimentou na última década.
“Embora o país esteja enriquecendo em um ritmo mais acelerado em comparação com outros países da região, os dominicanos também estão enfrentando inflação, disparidades salariais e falta de empregos de qualidade que acompanham seu notável crescimento”, apontam os resultados apresentados por María Fernanda Boidi, editora do relatório e diretora de Trabalho de Campo e Alianças Regionais do LAPOP LAB.
Assim como na maioria dos países da região, a maioria da população da República Dominicana afirma que a economia piorou.
Assim como na maioria dos países da América Latina e do Caribe, mais de 60% dos dominicanos consideram a maioria dos políticos corruptos.
Em média, os cidadãos mais jovens são mais propensos a citar problemas econômicos.
Cerca de duas em cada cinco pessoas acreditam que votar é a melhor maneira de influenciar mudanças no país
A República Dominicana está entre os países da região com maior apoio à democracia.
O estudo também considera outros fatores, como o Estado de Direito, a capacidade do Estado, a confiança, a migração, a corrupção, a segurança, entre outros.
Corrupt
Segundo dados da pesquisa, pelo menos 62% dos dominicanos acreditam que mais da metade ou todos os políticos do país são corruptos.
O país está se aproximando da média da América Latina e do Caribe, onde a percepção dos cidadãos ultrapassa os 60%, com o Peru ocupando o primeiro lugar com 87%.
Na República Dominicana, esse índice atingiu seu ponto mais baixo dos últimos sete anos em 2019, chegando a 59%.
"Este ano, 2023, também estabelece um precedente, já que 55% da população acredita que a corrupção é tão comum entre os homens quanto entre as mulheres, ao contrário de pesquisas anteriores, nas quais os homens eram considerados mais corruptos", afirma o estudo.
Dos 26 países pesquisados na região, o território caribenho ocupa a 15ª posição.
Em relação à corrupção, Quisqueya está entre os países da região com maior índice de justificativa de subornos, com 24%, ocupando o quinto lugar, enquanto a Jamaica ocupa o primeiro lugar com 35%.
De acordo com o estudo, a taxa de vitimização criminal no país, registrada em 2023, retornou aos níveis pré-pandemia, quase atingindo os 26% registrados entre 2016 e 2019.
A taxa de vitimização relatada pelos dominicanos no ano passado foi de 24%, um número acima da média regional de 22% na América Latina e no Caribe, que relataram ter sido vítimas nos 12 meses anteriores à pesquisa.
O país ficou em nono lugar entre os 26 analisados no estudo, no qual o Equador ficou em primeiro lugar com 36% e El Salvador teve a menor porcentagem com 10%.
Segundo o estudo, os homens relatam níveis mais elevados de vitimização, com 26%, enquanto as mulheres relataram apenas 22%.
O estudo também revela que pessoas com menos de 65 anos têm maior probabilidade de terem sido vítimas de crimes. Da mesma forma, a população residente em áreas urbanas (26%) relata ter sido vítima com mais frequência do que aqueles que vivem em áreas rurais (19%).
Outro fato revelado pela análise é que quase metade dos dominicanos se sente insegura em seus bairros, com 48%, ocupando o oitavo lugar, enquanto o Equador permanece em primeiro lugar com 64%.




