SANTO DOMINGO -Durante a primeira audiência sobre medidas coercitivas realizada ontem contra dez dos acusados de suposto desvio de verbas do Estado dominicano por meio do Seguro Nacional de Saúde (SeNaSa), onde mais de 15 bilhões de pesos teriam sido desviados, segundo o Ministério Público, os primeiros réus que depuseram perante o juiz Rigoberto Sena admitiram alguns dos fatos e atribuíram grande parte da responsabilidade pelos acontecimentos ao ex-diretor Santiago Hazim.
Os réus Eduardo Read Estrella, Cinty Acosta Sención e Heidi Mariela Pineda Perdomo prestaram depoimentos consistentes perante o juiz do Tribunal de Atenção Permanente do Distrito Nacional, informou Martín Rubiera, representante de outro réu, que confirmou a uniformidade dos testemunhos: “Todos afirmaram a mesma coisa, que entregaram objetos de valor, dinheiro, em favor dele neste esquema… ele tem 3-3 contra ele até agora, três réus que… confessaram parte da acusação e declararam participação na qual Hazim está significativamente envolvido”, publicou hoje o Listín Diario.
Da mesma forma, o advogado Surun Hernández salientou que o acusado Read Estrella declarou perante o tribunal que havia "entregado" um bilhão de pesos em dinheiro vivo ao Sr. Hazim.
O Ministério Público solicitou 18 meses de prisão preventiva contra Hazim e os outros nove envolvidos na fraude.
Eduardo Read Estrella, por meio de sua empresa Grupo Read, teria recebido pagamentos que somam mais de RD$ 7,11 bilhões entre agosto de 2020 e agosto de 2025, referentes a contratos e adendos com a ARS.
Surun Hernández descreveu o esquema como um “ato cruel contra a humanidade” e afirmou que o processo possui “abundância de provas”, como pagamentos, transferências e de lavagem de dinheiro .
Após as acusações diretas que o ligavam ao recebimento de subornos, a defesa de Santiago Hazim, liderada pelo advogado Marcos Valentín Contreras, solicitou falar por último perante o juiz.
“A defesa do Dr. Hazim solicitou que ele falasse por último porque os réus alegam ter recebido subornos por meio de um homem apelidado de 'o gordo'”, afirmou Contreras, solicitando a oportunidade de refutar as acusações.
O Ministério Público identifica José Pablo Ortiz Giráldez como "o gordo" e o aponta como o "braço direito" de Hazim e a pessoa "chave" na alegada cobrança de subornos das empresas contratadas pelo SeNaSa.
Caso mais grave
Mirna Ortiz, chefe da Procuradoria Especializada em Combate à Corrupção Administrativa, afirmou que o caso do Seguro Nacional de Saúde (Senasa) é o caso de corrupção mais grave já apresentado pela agência. "A Operação Cobra é a operação anticorrupção mais séria que o Ministério Público já realizou ", disse Ortiz, após o adiamento da audiência de prisão preventiva contra o grupo acusado pela promotoria de desviar fundos da entidade seguradora que cobre mais de 70% da população dominicana.
Por sua vez, o Diretor-Geral de Acusação do Ministério Público, Wilson Camacho, descreveu o caso como um dos maiores já enfrentados pelo Ministério Público, classificando-o também como "sinistro e cruel".




