Os gastos locais estão mantendo o setor de turismo à tona.
SANTO DOMINGO, RD– Embora o fluxo de turistas internacionais tenha mostrado sinais de desaceleração no primeiro semestre de 2025, o consumo interno tornou-se o verdadeiro suporte do setor durante esses meses, de acordo com o relatório semestral do Banco Central da República Dominicana.
Restaurantes, bares, centros de lazer e destinos turísticos de fim de semana mantiveram altos níveis de atividade graças aos gastos dos próprios dominicanos. Essa retomada do turismo interno se deve a uma combinação de fatores: aumento do emprego formal, expansão do crédito ao consumidor e um esforço contínuo do setor privado e do governo para oferecer opções locais acessíveis e atraentes.
Num contexto de diminuição do número de visitantes estrangeiros, é a economia nacional que mantém a indústria do turismo em funcionamento.
Impulsionados pela recuperação do emprego e pelo aumento do crédito ao consumidor, os gastos com turismo doméstico sustentaram bares e restaurantes, contribuindo positivamente para o relatório de crescimento econômico setorial do Banco Central. Essa demanda local tem sido fundamental para manter o crescimento no setor de alimentação e bebidas, mesmo com a queda do turismo internacional.
O freio
Nos primeiros seis meses de 2025, o crescimento do setor turístico foi moderado devido à queda no número de visitantes e a fatores externos. Segundo o Banco Central, o setor de hotéis, bares e restaurantes (HBR) cresceu 2,6% em relação ao ano anterior, entre janeiro e maio, com uma clara desaceleração em maio, quando o aumento foi de apenas 1,4%, abaixo do esperado.
Ainda assim, continua sendo um pilar fundamental da economia.
O contraste com o crescimento de setores como o comércio (+3,4%) e a indústria local (+1,6%) evidencia que, embora o turismo continue a expandir-se, fá-lo com menos vigor do que nos anos anteriores e sem liderar o crescimento económico como em 2022 ou 2023.
Os culpados do dia
Embora ainda em território positivo, o dinamismo do setor foi afetado por uma combinação de fatores externos e internos, incluindo a queda nas chegadas dos Estados Unidos e do Canadá, dois de seus principais mercados emissores. Durante o primeiro trimestre do ano, 2.320.555 passageiros não residentes chegaram ao país por via aérea, representando uma queda de 0,6% em relação ao ano anterior.
O Banco Central atribui a queda às condições climáticas adversas no hemisfério norte e ao aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, o que obrigou as famílias a ajustarem seus gastos.
Contudo, o turismo de cruzeiros está crescendo, embora não o suficiente para compensar a queda nas viagens aéreas. Este segmento apresentou um aumento notável no período abrangido pelo documento oficial: 1.004.143 visitantes chegaram em navios de cruzeiro no primeiro trimestre, o que ajudou a sustentar o volume total de turistas. No entanto, esse tipo de viajante tem um impacto econômico menor devido às suas estadias mais curtas e gastos médios mais baixos, portanto, não compensou a queda no turismo tradicional.
Ocupação e Receita
O relatório do Banco Central comparou a taxa média de ocupação hoteleira entre janeiro e junho de 2025 com o mesmo período de 2024, mostrando uma queda de 84,3% para 83,9%, uma redução de 0,4 ponto percentual em relação ao ano anterior. Embora ligeira, essa variação confirma uma menor pressão sobre a infraestrutura hoteleira, o que se traduz em níveis de receita mais moderados para o setor.
Em relação às receitas cambiais provenientes do turismo, o relatório mostrou um modesto aumento homólogo de 1,8% no primeiro trimestre, bem abaixo dos níveis que o setor havia atingido após a pandemia. Esse número sugere que, embora o país continue a receber visitantes, seus gastos médios têm sido menores e suas estadias possivelmente mais curtas, o que pode ser explicado pela diminuição do número de passageiros aéreos e pelo aumento do número de passageiros de cruzeiros.
Os dados mais recentes do Relatório de Fluxo Turístico do Banco Central, publicado trimestralmente, apontam receitas de US$ 3.250,4 milhões entre janeiro e março de 2025, com um crescimento anual de 1,8%, mas o documento recente não apresenta valores absolutos, apenas percentuais.
Crescimento moderado
Embora a economia dominicana como um todo tenha registrado um crescimento de 2,4% entre janeiro e junho de 2025, o setor de turismo está ligeiramente acima dessa média (2,6%), com sinais de desaceleração nos últimos meses do semestre.
O contraste com setores como o comércio (+3,4%) e a indústria local (+1,6%) evidencia que, embora o turismo continue a expandir-se, fá-lo com menos vigor do que nos anos anteriores e sem impulsionar o crescimento económico como em 2022 ou 2023.
O setor turístico da República Dominicana está progredindo, mas enfrenta desafios: menor tráfego aéreo, gastos turísticos contidos e alta dependência de mercados emissores sensíveis aos ciclos econômicos. Para reverter essa tendência, o país precisa investir em novas estratégias de promoção, maior diversificação de mercado e fortalecer sua proposta de valor interna para atrair visitantes com maior poder aquisitivo.
O desafio para o segundo semestre será recuperar o ritmo em um contexto global incerto, mantendo a competitividade e a qualidade que posicionaram o país como um dos principais destinos do Caribe.
Foto: Julia Volk




