Grandes quantidades de materiais de construção são extraídas da mina localizada em Mena, Tamayo. Os 3.399 tareas (aproximadamente 1.300 acres) de terra foram adquiridos pela Pagán pelo valor de RD$ 5.948.250.
Extraído do Diario Libre
TAMAYO, PROVÍNCIA DE BAHORUCO- Os 3.399 tareas (aproximadamente 2,1 milhões de metros quadrados) de terra adquiridos, segundo a Pepca, com dinheiro proveniente de atos de corrupção de Francisco Pagán, são tão grandes que a Zona Colonial de Santo Domingo (com cerca de 1 milhão de metros quadrados) caberia duas vezes na superfície desse terreno comprado pelo modesto preço de RD$ 5.948.250.

O local em questão situa-se numa área remota da Mena Abajo, no município de Tamayo, de Bahoruco. A área é conhecida pela comunidade como "Lagunita" ou "Cadoca". Para lá chegar, é preciso percorrer uma estrada longa e poeirenta, rodeada por arbustos espinhosos, plantações de cana-de-açúcar e bananais.
No entanto, ao chegar ao terreno que para alguns era uma propriedade agrícola, a surpresa é encontrar uma enorme porção de terra onde opera uma pedreira ou uma mina de agregados para construção.

A pedreira apresenta grandes montes que já foram explorados para extrair caminhões carregados de cascalho, areia grossa e fina e outros materiais de construção. O local também inclui uma fileira de tubos de concreto com um quilômetro de extensão que, segundo alguns moradores, será usada para extrair e transportar água de aquíferos próximos.
Dezenas de caminhões carregados com material costumavam sair da pedreira todos os dias, dizem membros da comunidade empobrecida de Mena, que reclamam não terem se beneficiado em nada dessas terras "que produzem milhões de dólares", segundo sua avaliação.

Agora que essas terras foram entregues ao Estado, os membros da comunidade esperam que os investimentos ou a exploração que possam ser realizados nesse local ajudem no desenvolvimento da comunidade, que está "ansiosa por trabalho".
“Quantos impostos e quantos benefícios podem chegar a esta comunidade para serem reinvestidos em projetos de assistência social… Antes, quem sabe para onde ia o dinheiro arrecadado com impostos ou com o pagamento para adquirir esses materiais?”, questionou Brandy Cuevas, diretora da câmara municipal de Mena, que também esclareceu que a área é tão extensa que grande parte dela pode ser utilizada para a produção agrícola.
Rede de corrupção
Francisco Pagán é acusado de fazer parte da de corrupção estruturada por Juan Alexis Medina Sánchez, que, segundo o Ministério Público, se beneficiou por ser irmão do ex-presidente Danilo Medina para lucrar ilicitamente com fundos públicos.
A vila de Mena
Mena é um distrito municipal de Tamayo, na província de Bahoruco. Esta comunidade carente tem aproximadamente 8.000 habitantes, muitos dos quais dependem da agricultura, cultivando diversas culturas de ciclo curto e longo. Segundo dados municipais, alguns moradores também criam gado, cabras, abelhas e aves.
Na aldeia, as "melhores" casas para blogueiros, como se costuma dizer, pertencem a famílias que emigraram para países europeus em busca de melhores condições de vida para si e para as suas famílias.

Pequenas casas feitas de zinco e madeira são abundantes, e sob as frondosas "árvores da vizinhança" é comum que jovens e até mesmo adultos se reúnam e conversem por longos períodos, às vezes devido à falta de atividades produtivas para se ocuparem.
É por isso que hoje eles olham com esperança para a recuperação da imensa área, pois acreditam que ela poderá ser uma fonte de sustento para muitos.
Descoberto após a acusação Anti-Polvo
O réu no caso Antipulpo, Francisco Pagán, adquiriu o terreno onde se localiza a pedreira em 2019, segundo o Ministério Público. A propriedade abrange 3.399 tareas (aproximadamente 1.399 acres), incluindo benfeitorias, anexos e dependências, e está localizada em Mena, no município de Tamayo, província de Bahoruco. O processo afirma que a vasta propriedade foi comprada do Banco de Reservas por RD$ 5.948.250 por meio de um contrato de compra e venda datado de 27 de junho de 2019, autenticado pelo Dr. Marcos Antonio García Natera, e pago por Pagán sem financiamento. O réu, Francisco Pagán, admitiu ao Ministério Público que a propriedade faz parte do patrimônio adquirido por meios ilícitos e a entregou voluntariamente ao Estado. O processo estabelece que o Banreservas foi utilizado em 95% das operações ilícitas da rede dirigida por Alexis Medina Sánchez, o principal réu no caso Antipulpo. Segundo informações do Banreservas, antes de as 3.399 tarefas serem vendidas a Francisco Pagán, pertenciam a uma entidade identificada como Alimentos Nacionales, que as detinha desde 1937.




