SANTO DOMINGO - Um grupo de associações ligadas ao setor da construção civil dominicano considerou, nesta segunda-feira, que a possível entrada em vigor do Projeto de Lei de Modernização Fiscal reduziria a venda de imóveis na República Dominicana em cerca de 56%.
Em coletiva de imprensa, os líderes dos grupos explicaram que a reforma tributária apresentada pelo governo ao Congresso Nacional geraria uma redução de aproximadamente 77 bilhões de pesos em investimentos em novos projetos, causando impactos negativos no Produto Interno Bruto (PIB) e a perda de mais de 115 mil empregos.
“Todos esses fatores, juntamente com a adição de impostos sobre aluguéis de curta duração, causarão um colapso na demanda por moradias, diminuindo as vendas em aproximadamente 56%, o que motivaria uma redução de cerca de 77 bilhões de pesos em investimentos em novos projetos, causando impactos negativos no Produto Interno Bruto (PIB) e a redução de mais de 115.000 empregos”, consideraram os líderes empresariais.
Segundo o comunicado das entidades, essas estimativas baseiam-se em cenários conservadores, com base em dados de 2023 extraídos do Boletim de Estatísticas sobre Pedidos e Emissão de Licenças de Construção para Habitações e Edifícios do Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED).
As organizações que se manifestaram contra a reforma tributária foram a Associação de Construtoras e Incorporadoras de Cibao (Aprocovici); a Associação de Construtoras e Incorporadoras de Altagracia (Adecla); a Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias (AEI); e a Associação Dominicana de Construtoras e Promotoras Imobiliárias (Acoprovi), que expressaram preocupação com o retrocesso de décadas que o projeto tributário poderia gerar no setor imobiliário, particularmente no acesso à moradia popular.

Representantes das instituições. (Fonte externa).
“Só com a eliminação da alíquota diferenciada do imposto de renda para fundos imobiliários, os preços dos imóveis aumentariam em aproximadamente 12,5%. A esses aumentos, somariam-se 18% devido à aplicação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) às vendas de imóveis, à inclusão desse imposto sobre transporte e bens não industrializados, como agregados, e ao aumento de 50% na retenção na fonte sobre custos trabalhistas. Em outras palavras, essa reforma tributária resultaria em um aumento total nos preços dos imóveis superior a 30%”, enfatiza o comunicado.
Ele acrescenta que 59% dos projetos de Habitação de Baixo Custo (VBC) perderiam sua classificação atual, fazendo com que os compradores perdessem o acesso ao bônus de Habitação de Baixo Custo, comprometendo assim os planos de habitação social promovidos pelo próprio governo. Isso significa que 6 em cada 10 famílias dominicanas seriam desqualificadas por não terem os recursos necessários para arcar com esses aumentos, frustrando o sonho de milhares de dominicanos de possuir uma casa digna.
“Essa situação difícil é agravada pelo fato de que os preços dos aluguéis subiriam devido a uma redução significativa na oferta de moradias para esses fins e a um aumento significativo nos custos para os proprietários, como resultado da diminuição da base do IPI de 9 milhões para 5 milhões e da reavaliação dos imóveis”, explicam as entidades.
Eles argumentam que tal cenário levaria a uma diminuição irreparável na construção de moradias nos próximos anos, interrompendo drasticamente o progresso alcançado na redução do déficit habitacional em nosso país graças ao fundo fiduciário.
“Diante desse cenário habitacional sombrio, a Acoprovi e o setor da construção civil, em conjunto, solicitam uma revisão do pacote de medidas fiscais para mitigar os efeitos adversos sobre o setor habitacional, garantindo que os esforços para modernizar a economia não comprometam o direito constitucional à moradia dos cidadãos dominicanos. Como setor, estamos comprometidos em colaborar com o governo na busca de soluções por meio de um diálogo construtivo”, concluem.




