O empresário afirma dever mais de RD$ 32 milhões a construtoras e fornecedores.
SANTO DOMINGO - Em resposta à denúncia apresentada em 28 de julho pelo empresário Luis Beltré sobre uma suposta fraude multimilionária que teria levado ao despejo de 16 famílias do empreendimento residencial Coco Beach, em Bávaro, o Consórcio Schiffino Vargas declarou ontem que as acusações são infundadas, após acusar Beltré de dever mais de RD$ 32 milhões a fornecedores e construtoras.
Em comunicado enviado ao El Inmobiliario, a empresa acusada afirmou que a dívida corresponde a compromissos pendentes com os promotores e fornecedores do projeto, os quais, segundo o consórcio, têm sido repetidamente ignorados por Beltré.
“O Sr. Beltré vendeu irregularmente os apartamentos que lhe pertenciam, realizando múltiplas vendas da mesma unidade para pessoas diferentes”, afirmou a empresa em comunicado à imprensa, alegando que esse suposto golpe desencadeou ações que afetaram compradores legítimos.
Segundo a declaração escrita, incapaz de responder aos compradores que reivindicam suas propriedades, Beltré está recorrendo a acusações infundadas para desviar a atenção de suas responsabilidades financeiras e legais. "Hoje, incapaz de responder a essas pessoas, ele está tentando desviar a atenção com acusações sem fundamento", diz a declaração.
“O Sr. Ángel Schiffino não está disposto a aceitar mais prejuízos decorrentes de sua inadimplência. Enquanto não honrar sua dívida com as construtoras, o Sr. Beltré não poderá recuperar ou transferir as unidades que já vendeu e pelas quais já recebeu o pagamento, sem ter quitado o contrato com a construtora”, alertou o Consórcio Schiffino Vargas.
Ele negou que o Ministério Público tivesse arquivado a denúncia de Beltré. "O Ministério Público, sob ordens do Sr. Beltré, realizou duas buscas, a segunda das quais envolveu o arrombamento de portas e a troca das fechaduras das unidades sob sua jurisdição", enfatizou.
Segundo o Consórcio Schiffino Vargas, "a intenção do Sr. Beltré não é pagar, mas sim obter o benefício da construção e também vender as unidades, ficando com todo o lucro.".
O caso
A suposta irregularidade atribuída ao engenheiro civil Ángel Carlos Schiffino Peralta, que totaliza mais de RD$ 142 milhões, 801 mil e 200, teria causado o despejo arbitrário de mais de 16 famílias, em sua maioria aposentados dominicanos e militares da ativa dos Estados Unidos, afirmou Beltré em coletiva de imprensa realizada na esplanada da Procuradoria-Geral da República (PGR) na segunda-feira, 28 de julho.
O reclamante alega que metade dos 40 apartamentos eram de sua propriedade, afirmando ter vendido 14 legalmente. No entanto, ele declara que seus compradores foram posteriormente despejados por Schiffino sem ordem judicial, no que ele descreve como uma "operação dantesca".
"A forma como foram expulsos foi brutal, violando todas as normas legais e decentes. Foi como se não tivessem direitos, como se seus investimentos não valessem nada", denunciou o advogado, que ontem visitou o Ministério Público para solicitar a agilização de uma denúncia apresentada à Procuradoria Distrital Nacional, que, segundo ele declarou à imprensa, está parada há mais de cinco meses.
Por sua vez, Blas Abreu, advogado das partes afetadas, explicou que esses investidores da diáspora adquiriram os imóveis "de boa-fé", confiando na legalidade do projeto imobiliário e baseando-se em títulos aparentemente válidos. "Muitos compraram com advogados, investigaram e validaram os documentos. Tudo parecia estar em ordem. O Sr. Luis Beltré chegou a ser creditado com 50% do projeto, ou seja, 20 unidades. E essas 20 foram as que ele vendeu legitimamente", afirmou.
Segundo Abreu, 50% dos afetados residem atualmente na República Dominicana, a maioria aposentados após anos de serviço nas Forças Armadas dos EUA, enquanto a outra metade permanece na ativa. "São famílias que decidiram vir viver sua aposentadoria em paz, em um lugar que representa o fruto de décadas de trabalho", afirmou.




