As diversas agências envolvidas anunciaram a medida, que representa um passo firme rumo à modernização do sistema no país.
SANTO DOMINGO- O Plenário do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) apresentou ontem, 31 de julho, o regulamento que estabelece as diretrizes para a aplicação de documentos e assinaturas digitais no exercício da função notarial, instrumento que representa um passo firme rumo à consolidação de uma justiça moderna.
De acordo com a resolução nº 50-2024 do Plenário do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), a medida visa modernizar e facilitar os processos notariais, garantindo a segurança dos documentos em formato digital, em conformidade com as disposições da Lei nº 140-15, sobre o Notariado, e da Lei nº 126-02, sobre Comércio Eletrônico, Documentos e Assinaturas Digitais.
O Regulamento conta com o apoio do Instituto Dominicano de Telecomunicações, do Colégio Dominicano de Notários, da Procuradoria-Geral da República, do Ministério das Relações Exteriores e da Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana.
Durante a cerimônia, o Presidente do Supremo Tribunal, Henry Molina, afirmou que a aprovação das normas faz parte do processo de transformação do Judiciário em um ramo do governo aberto, humano, eficiente, digitalmente competente e comprometido com o Estado de Direito.
“Com este quadro legal agora em vigor, os cidadãos poderão realizar procedimentos notariais de qualquer lugar, eliminando deslocamentos, custos e barreiras geográficas. Isso representa uma mudança substancial no acesso aos serviços, especialmente para aqueles que vivem em áreas remotas, para pessoas com mobilidade reduzida e para aqueles que necessitam de respostas rápidas e eficientes sem sacrificar a segurança jurídica”, observou ele.
Ele afirmou que a nova estrutura reforça o papel do notário como garante da fé pública e preserva integralmente sua função legitimadora, com ferramentas para exercê-la em cenários virtuais mais ágeis e seguros.
“O princípio da integridade documental, a proteção de dados pessoais, o rastreamento de cada modificação por meio de mecanismos de rastreabilidade e a garantia de confidencialidade constituem salvaguardas éticas e técnicas essenciais nesta nova era”, afirmou Henry Molina.
Por sua vez, o presidente do Instituto Dominicano de Telecomunicações (Indotel), Guido Gómez Mazara, valoriza o fato de que esse esforço conjunto reafirma o compromisso com uma República Dominicana mais ágil, transparente e conectada, alinhada aos padrões tecnológicos do século XXI.
“Celebramos esta colaboração com o Poder Judiciário como um passo firme rumo à transformação digital do Estado Dominicano. A implementação de assinaturas digitais em funções notariais fortalece a segurança jurídica e representa um avanço significativo na eficiência e modernização dos serviços públicos”, afirmou.
Entretanto, o presidente do Colégio Dominicano de Notários, Jhon Richard Paniagua, manifestou o apoio da organização que dirige à iniciativa e observou que ela representa um marco na modernização da profissão notarial.
“As assinaturas eletrônicas fortalecem nosso papel, desde que sejam implementadas de forma responsável e com respeito à segurança jurídica. Esse progresso deve ser gradual, voluntário e acompanhado de treinamento adequado. Reafirmamos nosso compromisso com uma transformação digital ética e eficiente”, declarou.
O Colégio Dominicano de Notários (CDN) é a instituição responsável pela supervisão contínua para garantir o cumprimento das normas éticas e legais na elaboração de instrumentos notariais com assinaturas digitais seguras. Para tanto, o CDN realizará uma avaliação preliminar daqueles que buscam autorização para emitir assinaturas digitais seguras e fornecerá o treinamento necessário.
Uma vez autorizados, os notários podem solicitar que suas assinaturas sejam autenticadas pelas entidades certificadoras credenciadas pela Indotel, de acordo com a legislação vigente. Para funcionários consulares, essa autorização deve ser concedida pelo Ministério das Relações Exteriores (Mirex). Essas medidas também se aplicam a funcionários nomeados como cônsules no exterior.
Da mesma forma, o Conselho de Administração da Plataforma de Gestão Notarial é o órgão colegiado responsável por tomar decisões estratégicas, administrativas, de monitoramento, supervisão e operação relativas a este regulamento, que entrará em vigor num prazo máximo de 12 meses a partir da data de sua publicação.
O evento contou com a presença do Superintendente de Bancos, Alejandro Fernández; da presidente da Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana, Rosanna Ruiz; de representantes do Ministério das Relações Exteriores, além de juízes e membros da comunidade jurídica.
A ABA aplaude a aprovação
A Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA) comemorou a aprovação das normas que regem o uso de documentos e assinaturas digitais no exercício de funções notariais, descrevendo-as como um avanço que coloca o país na vanguarda da modernização jurídica e da transformação digital.
"Na ABA, valorizamos esta regulamentação como um marco fundamental para a transformação digital do sistema notarial dominicano. Este passo representa um avanço decisivo no fortalecimento da segurança jurídica, na garantia da autenticidade digital e na promoção da eficiência institucional no país", afirmou a associação em comunicado à imprensa.
Por meio da resolução 50-2024, o Plenário do Supremo Tribunal de Justiça aprovou o "Regulamento de Aplicação para o Uso de Documentos e Assinaturas Digitais", a fim de regulamentar o uso de assinaturas digitais seguras em documentos notariais, em conformidade com as disposições das leis 140-15, sobre Notariado, e 126-02, sobre Comércio Eletrônico, Documentos e Assinatura Digital, entre outras normas.
Este regulamento, que entrará em vigor 12 meses após a sua publicação, permitirá aos notários utilizar ferramentas digitais para a elaboração, assinatura e conservação de documentos com plena validade jurídica.
A ABA destacou que esta medida tem um impacto direto e positivo em setores como o financeiro, ao reduzir o tempo e os custos em transações que exigem validação notarial, como empréstimos hipotecários, contratos corporativos e outros acordos importantes.
A associação bancária diversa destacou que a adoção de assinaturas digitais na área notarial gera múltiplos benefícios, incluindo o fortalecimento da segurança jurídica, a viabilidade e a eficiência dos negócios, maior inclusão, além de rastreabilidade e transparência.
Em relação ao primeiro aspecto, ele indicou que a assinatura digital aumenta os níveis de proteção, autenticidade e integridade dos atos notariais, reduzindo os riscos de manipulação ou falsificação.
Segundo a ABA, a possibilidade de realizar atos notariais com assinaturas digitais facilita transações mais rápidas, seguras e remotas, o que contribui para o dinamismo da economia e maior competitividade do ambiente empresarial no país.
Ele acrescentou que a possibilidade de reduzir as barreiras geográficas, econômicas e temporaispermite que um maior número de cidadãos e empresas acesse serviços notariais confiáveis e seguros, promovendo assim a equidade e a transformação digital dos negócios e da justiça.
Por fim, a ABA argumentou que o uso padronizado de tecnologias de assinatura digital permitirá maior controle, verificação de origem e validade dos atos notariais, fortalecendo assim a confiança de todas as partes interessadas.
"A ABA reitera seu compromisso com o progresso do país e a adoção de tecnologias que beneficiem todos os setores produtivos. Esta regulamentação, ao modernizar a função notarial, não só fortalece a segurança jurídica, como também promove a eficiência e a inclusão nos serviços jurídicos e financeiros", concluiu a associação.




