SANTO DOMINGO -O Banco Central da República Dominicana (BCRD) informou que a taxa de inflação anual, medida de setembro de 2024 a setembro de 2025, foi de 3,76%, mantendo-se dentro da meta do Programa Monetário de 4,0% ± 1,0% por 29 meses, ou seja, desde maio de 2023, e está entre as mais baixas das economias não dolarizadas da América Latina.
A agência destaca que a inflação subjacente, em termos anuais, situou-se em 4,35% em setembro, mantendo-se dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. "Este indicador permite obter sinais mais claros para a condução da política monetária, uma vez que exclui alguns itens que normalmente não respondem às condições de liquidez da economia, como alimentos com preços altamente voláteis, combustíveis e serviços com preços regulamentados, como eletricidade e transporte, bem como bebidas alcoólicas e tabaco", observa.
Variação por grupos:
Analisando os resultados da variação mensal do IPC geral em setembro de 2025, observa-se que os grupos com maior impacto na inflação foram Alimentos e Bebidas Não Alcoólicas, Educação, Restaurantes e Hotéis, Bebidas Alcoólicas e Tabaco, e Bens e Serviços Diversos. Em contrapartida, os grupos Transporte, Recreação e Cultura, e Comunicações registraram reduções em seus níveis de preços, contribuindo para uma menor variação do IPC geral.
O aumento de 0,72% observado na categoria Alimentos e Bebidas Não Alcoólicas deve-se principalmente ao aumento dos preços de itens como banana-da-terra e banana-verde, mandioca, bacalhau, limões e banana-da-terra madura, entre outros. A redução nos preços de alguns produtos, como frango fresco, abacates, laranjas e pimentas, mitigou parcialmente a inflação do grupo.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do setor de Educação apresentou uma variação de 2,29%, impulsionada pelo aumento das mensalidades das escolas particulares de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, como parte da dinâmica sazonal associada ao processo de matrícula escolar. Também foram observados aumentos nos serviços de ensino superior.
No que diz respeito ao grupo de Restaurantes e Hotéis, observou-se uma variação de 0,61% em decorrência do aumento dos preços das refeições preparadas fora de casa, principalmente em pratos do dia, serviços de entrega de refeições com acompanhamentos, serviço de frango, entre outros. É importante ressaltar que o comportamento observado no índice de preços do setor de alimentação reflete o aumento dos custos dos insumos básicos utilizados no preparo dos alimentos, o que impacta diretamente o preço final para o consumidor.
O grupo de Bebidas Alcoólicas e Tabaco apresentou uma variação de 1,59%, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços da cerveja. Já o grupo de Bens e Serviços Diversos apresentou inflação de 0,18%, explicada pelo aumento dos preços de produtos e serviços de higiene pessoal.
Em contrapartida, o índice do grupo Transportes apresentou uma variação mensal de -0,13%, atribuída à queda nas passagens aéreas, cuja magnitude foi atenuada pelo aumento nos preços de serviços de reparo de veículos, transporte público e corridas de mototáxi. Da mesma forma, o grupo Recreação e Cultura registrou uma variação de -0,63%, resultante da redução nos preços de pacotes turísticos. Já o setor de Comunicações apresentou uma variação de -0,44% devido à redução nos preços de internet, telefonia celular e pacotes de serviços de telecomunicações.
Inflação de bens comercializáveis e não comercializáveis:
O IPC para bens comercializáveis aumentou 0,32% em setembro de 2025, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços de alguns itens alimentícios e da cerveja. Já o índice para bens e serviços não comercializáveis registrou inflação de 0,36%.
Inflação por Região:
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) por região geográfica em setembro, comparado a agosto, mostra que a região de Ozama, que inclui o Distrito Nacional e a província de Santo Domingo, apresentou variação de 0,29%; a região Norte ou Cibao, 0,44%; a região Leste, 0,32%; e a região Sul, 0,26%. A variação mais acentuada observada na região Norte deve-se à maior contribuição de itens com alta ponderação em sua cesta, como banana-da-terra verde e mandioca, além do maior impacto do aumento de preço da cerveja. Já a inflação observada na região Sul se explica pela menor contribuição do grupo Alimentos e Bebidas Não Alcoólicas, principalmente devido à redução nos preços do frango fresco, o alimento com maior participação relativa em sua cesta, bem como pelo menor impacto do grupo Restaurantes e Hotéis em comparação ao restante do país.
Inflação por Quintis
Finalmente, os resultados dos índices de preços por estratos socioeconômicos mostraram taxas de inflação de 0,35% para o quintil 1, 0,37% para o quintil 2 e 0,40% para o quintil 3. Enquanto isso, os quintis 4 e 5 apresentaram variações de 0,40% e 0,22%, respectivamente. A menor taxa de inflação registrada no quintil 5 deve-se, em grande parte, à menor ponderação dos alimentos na cesta de consumo das famílias de renda mais alta, juntamente com as reduções observadas nas passagens aéreas e nos serviços de turismo organizado.




