SANTO DOMINGO – Moradores do setor Cuesta Brava, em Arroyo Hondo, no Distrito Nacional, denunciaram ontem, terça-feira, o uso indevido do solo e a devastação ambiental por uma construtora que supostamente pretende construir um empreendimento imobiliário no terreno.
Em uma coletiva de imprensa, representantes da associação de moradores afirmaram que a obra de preparação do terreno, que abrange uma área restrita, está afetando seriamente o meio ambiente natural da região.
Arcelia Rosario de la Cruz, porta-voz da comunidade, culpou a construtora Danny Santos Compres SRL pelas ações que ameaçam a área verde. “Eles começaram no dia 27 de fevereiro, que era um dia não útil. E a maior parte do corte de árvores é sempre feita nos fins de semana.” “Eles começaram sem nenhuma licença e continuam trabalhando até tarde da noite com retroescavadeiras”, explicou a líder comunitária.
Por sua vez, Rosario de la Cruz explicou que as ações estão em andamento desde fevereiro e que possuem provas suficientes para comprová-las. “Até agora não pararam, não vão parar. Não vieram hoje; parece que foram avisados da chegada da imprensa e recolheram seus equipamentos. Mas temos todas as provas”, afirmaram os líderes, que insistem que o projeto de construção pertence a um funcionário do governo.

Cruz afirmou que parte do trabalho inclui a extração de materiaiscomo caliche sem as devidas licenças. "Eles ainda se escondem atrás do fato de estarem extraindo materiais como caliche, para os quais precisam de licenças ambientais até para a circulação de um caminhão", denunciou.
Da mesma forma, Carmen Rodríguez, da associação de moradores local, indicou que a obra afeta uma área classificada como cinturão verde. "Esta é uma zona de cinturão verde neste país, e temos os documentos para comprovar isso." "Eles criaram um desastre ecológico ali", afirmou.
Rodríguez observou que a comunidade apresentou diversas queixas às autoridades. “A primeira comunicação foi enviada em 5 de março. Também fizemos várias denúncias pela linha direta ambiental. Ontem, alguém do Ministério do Meio Ambiente compareceu. Eles verificaram tudo o que está acontecendo e confirmaram que não possuem licenças”, enfatizou.
Em relação às consequências ambientais, a líder comunitária Vivian Camilo explicou: “O crime ecológico que cometeram fez com que muitos animais, cuja existência nem sequer conhecíamos, migrassem para a nossa área.”
Camilo destacou irregularidades na aprovação do uso do solo, uma vez que se trata de uma área protegida, de acordo com as normas estabelecidas na Lei de Ordenamento Territorial.
“Esse uso do solo foi aprovado quatro meses após a entrada em vigor do Plano de Ordenamento Territorial, que classifica a área como R1. Por quê? Dois objetivos: controlar a densidade populacional e preservar a biodiversidade. Ambos estão sendo violados”, afirmou.
A porta-voz questionou as licenças emitidas pelas autoridades municipais. "Essa pequena alteração feita pela câmara municipal, atribuindo a designação de uso do solo errada, foi o que permitiu que tudo isso fosse aprovado", disse ela. "Estamos solicitando que as leis vigentes sejam cumpridas e que nenhuma exceção seja feita.".
Membros da comunidade reiteraram seu apelo para que o governo e as instituições responsáveis intervenham. "Autoridades, por favor, venham em auxílio do pouco que resta", concluiu Rosario de la Cruz.
Sobre a construtora
A Danny Santos Compres SRL afirma em suas redes sociais ser uma empresa de construção civil que promove serviços integrados para o projeto, desenvolvimento e construção de empreendimentos.




