SANTO DOMINGO –Durante o primeiro semestre de 2023, os haitianos ultrapassaram os americanos em compras de imóveis na República Dominicana, passando do quinto para o primeiro lugar. Trata-se de cidadãos com status de trânsito; eles não são residentes nem possuem residência permanente.
A informação foi revelada ontem pelo Subministro de Gestão de Migração e Naturalização do Ministério do Interior e da Polícia, Dr. Juan Manuel Rosario, que afirmou que o registro de bens de estrangeiros, sob a responsabilidade da Direção-Geral de Migração, possui um procedimento que vem sendo questionado por esse Subministro.
"O procedimento envolve o estrangeiro comprar o imóvel, registrá-lo e nos enviar essas informações, que somos os responsáveis pela política de imigração e naturalização do país, para que possamos ter um registro de imóveis", explicou ele.
O funcionário sugeriu que a questão fosse invertida, ficando entendido que, antes de um estrangeiro adquirir um imóvel no país, um processo de verificação prévia deveria ser realizado em conjunto com as agências de segurança.
“Eles chegam até nós depois que ele já os comprou, e descobrimos que um grande número desses estrangeiros tem situação migratória irregular”, enfatizou.
Em entrevista ao jornalista Federico Méndez, no programa Esferas de Poder, que vai ao ar aos domingos, das 8h às 9h, no canal 27 da RNN, ele afirmou que os haitianos desbancaram os americanos da primeira posição como compradores de imóveis e empurraram os canadenses para o terceiro lugar.
Ele afirmou que 95% dos compradores haitianos de imóveis no período de janeiro a junho não possuem status migratório no país, pois estão em trânsito, não são residentes e não têm residência permanente.
Ele afirmou que existem 476 assentamentos de imigrantes indocumentados no país. "A situação é muito delicada e mais grave do que muitas pessoas imaginam", acrescentou.
Ele atribui parte da violência que ocorre na fronteira a esses assentamentos. "O problema é que nas províncias fronteiriças temos 70 assentamentos de imigrantes sem documentos", afirmou.
160 propriedades
Laura Maríñez, Diretora de Assuntos de Migração da Vice-Ministério de Gestão e Naturalização do Ministério do Interior e da Polícia, informou que, entre janeiro e junho deste ano, estrangeiros adquiriram 160 imóveis no país, num valor que ultrapassa quase RD$ 1 bilhão.
“No caso dos haitianos, que ocupavam a quinta posição em número de compradores de 2020 a 2022, agora ocupam a primeira posição, nos primeiros seis meses de 2023, relegando a segunda posição aos compradores dos Estados Unidos, depois aos do Canadá e assim por diante”, disse ele.
Ele indicou que existe um interesse crescente entre os haitianos na aquisição de imóveis, apesar da falta de documentação legal para estrangeiros.
Ele acrescentou que o maior número de compradores tem interesse ou preferência por adquirir imóveis em La Altagracia, Samaná e Puerto Plata.
Ele afirmou que uma auditoria realizada a partir de 2020 mostra as características de todos os imóveis adquiridos por estrangeiros e registrados no Ministério.
“Na auditoria realizada entre 2020 e 2022, foram avaliados 960 processos”, afirmou Laura Maríñez, observando que esses casos esgotaram os procedimentos legais cabíveis, chegando à Vara de Imóveis.
Ele explicou que este ramo do Judiciário o encaminhou ao Ministério Público e à Polícia para fins de registro, por determinação legal.
“É importante destacar que, durante esse período de dois anos, os maiores compradores estrangeiros de imóveis no país foram americanos, seguidos por canadenses, italianos, alemães e, em quinto lugar, cidadãos haitianos, o que significa que eles já demonstravam interesse em adquirir imóveis no território nacional”, observou ele.
Maríñez afirmou que a auditoria constatou que a maioria dos estrangeiros que adquirem imóveis no país não possui situação legal na República Dominicana.
“Para ser mais preciso, durante esse período, 95% não possuem status imigratório legal ou têm status de não residente, o que, como o professor explicou há pouco, não é um status que lhes permita se estabelecer indefinidamente na República Dominicana”, observou ele.
Ele acrescentou que uma das descobertas é que essas propriedades são registradas depois que o estrangeiro as compra. "Em outras palavras, não há nenhuma verificação prévia da pessoa", enfatizou.




