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Dois ex-presidentes do AEI afirmam que a aprovação da lei imobiliária deve ser acompanhada de regulamentações eficazes

“Se essas regulamentações forem elaboradas sem ouvir o setor, podem acabar sendo rígidas ou confusas, gerando mais atritos do que soluções”, alerta Mélido Marte

SANTO DOMINGO - O projeto de lei que regulamenta a corretagem imobiliária e a publicidade enganosa na República Dominicana, aprovado em primeira leitura em 23 de abril, conta com apoio do setor imobiliário, mas também com alertas claros sobre os desafios que enfrentará em sua implementação.

Os ex-presidentes da Associação de Agências e Empresas Imobiliárias (AEI), Melido Marte e Claudia Castillo, concordaram que a iniciativa responde a uma necessidade urgente de regulamentação do mercado.

“Entendo que este projeto de lei tem uma alta probabilidade de ser aprovado. Existe uma pressão real para regulamentar o setor imobiliário, tanto devido à crescente informalidade quanto aos casos de publicidade enganosa”, explicou Marte.

Mélido Marte, diretor regional da RE/MAX República Dominicana. (Arquivo/ El Inmobiliario).

Por sua vez, Claudia Castillo, Assessora Sênior da Plusval Dominicana, afirmou que se trata de um projeto desenvolvido por meio de amplo consenso com todas as partes interessadas do setor. "Foram necessários anos de esforço para regulamentar um setor tão importante e dinâmico", explicou.

A corretora de imóveis destacou que o contexto atual, marcado por um boom de investimentos em projetos de desenvolvimento, evidenciou fragilidades na regulamentação existente. "A regulamentação é essencial para impedir que práticas abusivas se proliferem", afirmou.

Claudia Castillo, Consultora Sênior da Plusval Dominicana. (Fonte externa).

Uma lei necessária, mas não suficiente

Mélido Marte, diretor regional da RE/MAX República Dominicana, alertou que a aprovação da lei não garante sua eficácia. "A lei, em essência, é um passo na direção certa, mas seu verdadeiro impacto dependerá da qualidade de sua regulamentação e da capacidade de fiscalização do órgão regulador", afirmou.

Nesse sentido, ele alertou para o risco de se criar regras desconectadas da realidade do mercado.

“Se essas regulamentações forem elaboradas sem levar em consideração o setor, podem acabar sendo rígidas ou confusas, gerando mais atritos do que soluções”, alertou ele.

Ele enfatizou que o sucesso da lei dependerá do equilíbrio na fiscalização. "Se a fiscalização for fraca, a lei torna-se simbólica; mas se for excessiva ou mal aplicada, pode incentivar a informalidade", explicou.

Ele também destacou a importância da coordenação com instituições como a Pro Consumidor e outros atores do sistema.

Ordem, profissionalização e sanções


Na perspectiva de Claudia Castillo, a regulamentação ajudará a organizar o setor e a elevar os padrões daqueles que nele atuam. "Este instrumento será muito eficaz; haverá sanções e consequências, o que minimiza bastante os problemas", afirmou.

Ele indicou que a lei também promoverá a profissionalização do setor imobiliário, exigindo licenças e conduta ética para aqueles que desejam entrar no mercado.

Ele concorda com Marte que a lei deve ter regulamentação, visto que concederá uma licença para operar e deverá garantir o cumprimento das normas, a eficácia, as consequências, a igualdade e a transparência em sua aplicação. "É essencial que haja regulamentação, e essa tem sido a proposta da nossa AEI", afirmou.

Ao serem consultados pelo El Inmobiliario, ambos concordaram que a iniciativa pode fortalecer a confiança no setor imobiliário dominicano, desde que seja executada com critérios sólidos.

“O desafio não é aprová-la, mas aplicá-la de forma inteligente”, concluiu Marte.

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Luisa Saldaña
Luisa Saldaña
Jornalista com experiência em mídia digital e impressa. Estudante de Direito com interesse em desenvolvimento econômico e questões que conectam negócios, cidade e sociedade. Para mim, escrever é uma forma de investigar e compreender o mundo ao nosso redor.
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