Página inicialOpiniõesAs novas regulamentações imobiliárias: o que elas não resolvem 

As novas regulamentações imobiliárias: o que elas não resolvem 

O projeto de lei que regulamenta a corretagem imobiliária e a publicidade enganosa na República Dominicana representa um passo necessário para o setor. No entanto, como qualquer lei, possui limitações. Compreender o que ela não abrange é tão importante quanto compreender o que ela abrange, especialmente em um mercado onde a segurança jurídica depende de múltiplos fatores.

No setor imobiliário da República Dominicana, há um consenso crescente: o projeto de lei que regulamenta a corretagem imobiliária e a publicidade enganosa é necessário. E de fato é.

Ela introduz ordem, estabelece regras claras e fortalece a profissionalização do setor. No entanto, há um ponto que raramente é discutido com a mesma intensidade: o que esta lei não resolve.

Porque nenhuma lei, por mais abrangente que seja, pode substituir o discernimento, a diligência ou a responsabilidade daqueles que participam do mercado.

A lei não substitui a análise jurídica

Um dos erros mais comuns no setor imobiliário é presumir que a existência de regulamentações garante a segurança de uma transação. Isso não é verdade.

O projeto de lei, se aprovado, regulamentará a intermediação, mas não validará propriedades, certificará títulos de propriedade nem substituirá um processo de due diligence legal.

Em outras palavras: mesmo que o agente esteja autorizado, mesmo que a operação seja realizada dentro de um quadro regulamentado, o risco jurídico do imóvel ainda existe se não for devidamente verificado.

A segurança jurídica não é presumida. Ela é construída.

A lei não elimina o risco de investimento

O investidor pode interpretar a existência de regulamentação como uma garantia absoluta.

Isso seria um erro.

O mercado imobiliário continuará apresentando variáveis ​​como: condições do projeto, conformidade do incorporador, estrutura contratual e riscos financeiros.

A lei pode reduzir os riscos operacionais e aumentar a transparência, mas não elimina o risco inerente ao investimento. Investir continuará a exigir bom senso.

A lei não transforma todos em profissionais

A regulamentação estabelece requisitos, mas não garante a excelência.

Ter as qualificações necessárias, obter uma licença ou estar registrado não implica automaticamente que um intermediário tenha experiência, capacidade analítica ou uma forte ética profissional. A lei estabelece um nível mínimo. Mas o nível é definido por cada profissional individualmente.

A lei não substitui a ética

Um dos pilares do projeto é a transparência e a boa-fé nas operações. No entanto, a ética não é apenas imposta por lei... ela é praticada.

Um mercado regulamentado pode penalizar condutas impróprias, mas a verdadeira confiança é construída quando os participantes do setor operam de forma responsável, mesmo quando não estão sendo supervisionados.

A lei não impedirá todos os conflitos

Mesmo com regulamentação, ainda haverá quebras de contrato, atrasos na construção, divergências entre as partes, interpretações jurídicas e processos judiciais.

A lei pode estabelecer mecanismos e parâmetros, mas não elimina a possibilidade de conflito.

A lei não existe para impedir que os problemas aconteçam. Ela existe para resolvê-los.

A lei não substitui a educação do consumidor

Um consumidor desinformado permanece vulnerável, mesmo em um ambiente regulamentado. É por isso que, além da legislação, a educação de mercado continua sendo essencial.

Entender o que está sendo assinado, buscar aconselhamento jurídico e financeiro especializado antes da compra, conhecer os riscos e tomar decisões informadas continuará sendo responsabilidade do cliente.

A lei não funciona sozinha

Toda lei precisa de regulamentações, instituições para aplicá-la, fiscalização eficaz e vontade política para cumpri-la. Sem esses elementos, a lei perde sua força na prática. A aprovação da lei é o início, não o fim, do processo.

Então, o que muda?

O projeto de lei regulamenta a prática da intermediação, eleva o padrão do setor, fortalece a transparência e reduz as práticas informais.

Mas isso não substitui os elementos que historicamente definiram uma transação imobiliária segura: bom senso, análise e responsabilidade.

Minhas considerações finais

O setor imobiliário dominicano está dando passos firmes e importantes rumo à regulamentação. Mas também é preciso entender que a lei não é uma solução completa, mas sim uma ferramenta.

Muitos agora se perguntam se a lei resolverá todos os problemas, se ela funcionará. Essa não deveria ser a questão. A pergunta que devemos nos fazer é se nós, como setor, estamos preparados para assumir a responsabilidade que a lei não pode impor.

Porque, mesmo em um mercado regulamentado, a qualidade do resultado sempre dependerá de quem o executa.

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Reina Echenique
Reina Echenique
Ela é advogada imobiliária, empreendedora do ramo imobiliário, CEO do Grupo Echenique, coach, treinadora e palestrante certificada por John Maxwell e Tania Báez, Secretária do Conselho de Administração da AEI (2024-2026) e corretora de imóveis especializada no setor imobiliário dominicano e internacional.
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