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O Ministério Público mantém a posição de que Antonio e Maribel Espaillat devem ser levados a julgamento; o juiz marcou a leitura da sentença para 15 de junho

Wilson Camacho sustentou que a acusação confia que a justiça será feita no caso Jet Set e considerou irrelevante a exigência de uma nova análise pericial em um caso onde as causas do colapso estão claramente estabelecidas

SANTO DOMINGO- O juiz Raymundo Mejía, do Primeiro Tribunal de Instrução do Distrito Nacional, marcou para o dia 15 de junho, às 10h, a audiência em que decidirá se os réus Maribel e Antonio Espaillat irão a julgamento por seu envolvimento no desabamento da boate Jet Set, evento ocorrido em 8 de abril do ano passado, que deixou 236 mortos e cerca de 200 feridos.

Por sua vez, após o anúncio da decisão, o Procurador-Geral Adjunto Wilson Camacho, chefe da Direção-Geral de Acusação do Ministério Público, declarou na última sexta-feira à noite que os irmãos Antonio e Maribel Espaillat deveriam ser levados a julgamento. Respondendo a perguntas da imprensa após a audiência preliminar, ele afirmou que, durante todo o processo, o Ministério Público se empenha ao máximo para garantir que a justiça seja feita.

“Ele fez isso desde o início, reunindo e preservando as provas que permitiram a investigação. Em seguida, nomeamos uma comissão de especialistas, incluindo um especialista internacional, para determinar a causa do colapso da boate Jet Set”, disse ele.

"E essa razão está claramente estabelecida: o desabamento se deveu ao excesso de peso que os gerentes da boate colocaram no telhado", acrescentou.

“Essa é uma questão claramente estabelecida no laudo pericial. E hoje, inclusive em juízo, exigimos que o tribunal ouça cada uma das vítimas que têm o direito de serem ouvidas, já que esse é um elemento, de fato, inerente à reparação”, afirmou.

A decisão será proferida em 15 de junho

O juiz Raymundo Mejía, responsável pelo caso, explicou que reservará a sua decisão após ouvir os argumentos da defesa de Maribel Espaillat, bem como as respostas e contra-respostas do Ministério Público, dos advogados de defesa, dos autores da ação e dos representantes das vítimas.

Ele salientou que o Código de Processo Penal estabelece um prazo entre 30 e 45 dias para a emissão deste tipo de decisão.

Uma contra-expertise "impertinente"

Em relação às perguntas sobre o laudo pericial apresentado pela defesa, ele afirmou: “Já esclarecemos isso em juízo e reiteramos aqui: não há razão, não há necessidade de um laudo pericial da defesa. Primeiro, porque as causas do colapso do Jet Set estão claramente estabelecidas; segundo, porque a própria defesa aceitou os fatos apresentados pelo Ministério Público e as provas apresentadas pelo Ministério Público, incluindo o laudo pericial”, acrescentou, concluindo: “Portanto, outro laudo pericial é, simplesmente, irrelevante”.

Em relação à classificação jurídica, ele explicou que agora cabe ao tribunal decidir qual classificação jurídica utilizar ao encaminhar o caso para julgamento. “A discussão dessa questão é bastante técnica e, na minha opinião, há alguma confusão, principalmente no que diz respeito ao elemento do conhecimento. Conhecer as possíveis consequências é um elemento inerente ao dolo eventual e também ao culpismo consciente”, detalhou.

Nessa mesma linha, Camacho afirmou que “ambos os elementos compartilham a questão do conhecimento; o caso não se resolve aí, mas sim na representação do dano, e essa representação do dano, conforme estabelecido pelo Ministério Público, que é uma conclusão alcançada de acordo com as provas, é uma classificação de culpa consciente, também estabelecida pelo Ministério Público”.

“Esperamos que o tribunal encaminhe este caso a julgamento com base nisso”, disse ele.

Durante a audiência, a acusação foi representada por Camacho e pelos procuradores Rosa Ysabel Mejía, Emmanuel Ramírez e Miguel Collado, da Diretoria de Acusação. Magalis Sánchez, da Procuradoria Distrital Nacional, também esteve presente.

O que diz o processo do Ministério Público

O processo indica que os réus agravaram sua responsabilidade ao sobrecarregar a estrutura do telhado do imóvel com equipamentos de ar condicionado de grande porte e reservatórios de água, sem realizar estudos técnicos que garantissem a resistência da estrutura. 

Além disso, ignoraram os avisos internos sobre a deterioração do telhado, priorizando a economia de recursos apesar dos riscos óbvios.

No processo, os procuradores apresentaram as conclusões que, ao analisarem a estrutura do edifício, foram documentadas pelos peritos Leonardo de Jesús Reyes Madera (engenheiro sismorresistente), Eduardo A. Fierro (presidente da BFP Engineers) e Máximo José Corominas Quezada (engenheiro patologista), nomeados pelo Ministério Público para determinar as causas do desabamento da discoteca.

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