SANTO DOMINGO– Lionel Messi, de 39 anos, anunciou esta segunda-feira a retirada da seleção argentina, encerrando um período de mais de duas décadas com a camisola da Albiceleste, afirmando que estava na altura de dar lugar a novas gerações.
“Depois de todo este tempo que passou desde a final, e depois de refletir bastante, quero dizer a todos que me vou retirar da seleção”, escreveu o avançado do Inter Miami, da MLS, no seu perfil de Instagram, menos de dois meses depois da derrota da Argentina frente à Espanha na final do Mundial de 2016.
Explicou que é uma decisão que lhe causa muita dor, mas garantiu que compreende que chegou a altura de encerrar este capítulo.
“Foi uma decisão que doeu e ainda dói profundamente”, expressou o capitão argentino, que acrescentou: “Não falta muito tempo e os capítulos estão a fechar-se, e este é um que me magoa muito. Amo, amei e sempre amarei estar na seleção nacional”.
O astro argentino resumiu os motivos da sua decisão com uma frase impactante: "Estou vazio, não tenho mais nada para oferecer e, além disso, há jovens jogadores muito talentosos a surgir atrás de mim que merecem estar lá.".
Mais de 20 anos de dedicação, títulos, recordes e momentos inesquecíveis com a camisola azul-celeste e branca.
Como a FIFA, a sua primeira eleição foi há mais de duas décadas e, desde então, tem renovado o seu voto ano após ano. A 17 de agosto de 2005, já campeão do Mundo de Sub-20, o jovem de 18 anos saiu do banco de suplentes contra a Hungria para disputar o seu primeiro jogo pela seleção principal.
Aguentou apenas alguns segundos em campo antes de ser expulso. Muitos suspeitavam disso, mas nem os mais otimistas poderiam imaginar tudo o que iria acontecer a seguir. Essa estreia durou apenas alguns segundos; a sua história com a Argentina duraria uma vida inteira.
O adolescente que estava a começar a escrever a sua história
Muito antes de se tornar capitão, campeão do mundo e detentor de quase todos os recordes possíveis com a Argentina, Messi fez a sua estreia internacional em 2005, no Campeonato do Mundo de Sub-20 da FIFA, na Holanda. Começou o torneio como suplente, mas terminou como a estrela indiscutível: marcou seis golos, incluindo os dois golos da Argentina na final contra a Nigéria, e saiu com o título, a Bola de Ouro e a Bota de Ouro. Tinha 18 anos, e a camisola argentina já se tornava sinónimo do seu pé esquerdo.
A magia de Messi no Mundial Sub-20
Um mês e meio depois, chegou a sua estreia na seleção principal. A 17 de agosto de 2005, frente à Hungria, em Budapeste, José Pekerman colocou-o em campo no segundo tempo. Messi recebeu a bola, tentou escapar à marcação de Vilmos Vanczák e acabou por ser expulso apenas 47 segundos depois de entrar em campo.
A etapa seguinte foi muito mais feliz. No Campeonato do Mundo de Futebol de 2006, na Alemanha, fez a sua estreia no torneio mais importante do panorama internacional. Na estreia, marcou à Sérvia e Montenegro, foi decisivo no prolongamento frente ao México e assistiu do banco de suplentes à eliminação da Argentina nos penáltis contra a Alemanha.
Esta foi a sua primeira grande desilusão, uma ferida que não cicatrizaria após a derrota na final da Copa América de 2007 frente ao Brasil. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, voltaria a saborear a glória: conquistou o ouro olímpico ao lado de Sergio Agüero, Ángel Di María, Javier Mascherano e Juan Román Riquelme. Aquela vitória parecia o prólogo de uma história gloriosa que levaria tempo a desenrolar-se.
Uma carreira histórica com a Albiceleste
Messi despede-se da seleção nacional como o melhor marcador da história da equipa argentina e depois de conquistar os principais títulos com a Albiceleste.
O avançado foi campeão do mundo no Qatar em 2022 e venceu a Copa América em 2021 e 2024. O seu percurso na seleção nacional ficou também marcado por anos de dificuldades e derrotas antes da conquista de títulos que começou com o campeonato continental de 2021.
Na sua mensagem de despedida, Messi disse que está a sair da seleção nacional "com a tranquilidade e o orgulho" de ter podido proporcionar aos adeptos "momentos de sonho".
“Juro que sempre dei tudo de mim, não só nos últimos anos, quando ganhámos tudo, mas também antes, e sempre lutei e dei tudo por esta camisola, para vos trazer alegria e vos fazer sentir orgulhosos de serem argentinos através do futebol”, afirmou.
O jogador agradeceu ainda aos adeptos argentinos pelo apoio que recebeu durante os seus 20 anos na seleção nacional.
“Agradeço aos argentinos por todo o carinho ao longo destes 20 anos”, disse.
Revelou que começou a escrever a sua mensagem de despedida dois dias após a final do Mundial, embora tenha explicado que a morte do pai, no início de agosto, o convenceu a terminar a carreira internacional.
“Graças a Deus por me fazer argentino”, concluiu o futebolista.
O jogador realizou mais de 200 jogos pela seleção argentina, com 125 golos e 68 assistências, números que o consolidam como o melhor marcador da história da seleção e uma das figuras mais importantes da história do futebol argentino.
Os títulos que Lionel Messi conquistou com a Argentina
O percurso de Lionel Messi na seleção argentina foi marcado por anos de frustrações, mas também por uma fase final de sucesso que o levou à conquista dos principais títulos internacionais. Com a Albiceleste, o avançado levantou quatro troféus com a seleção principal, além de um Mundial Sub-20 e uma medalha de ouro olímpica.
O primeiro grande título com a seleção principal surgiu na Copa América de 2021, realizada no Brasil. A Argentina derrotou o Brasil por 1-0 na final, disputada no Estádio do Maracanã, com um golo de Ángel Di María. A vitória pôs fim a um jejum de 28 anos sem títulos para a seleção argentina e marcou o primeiro campeonato de Messi com a equipa principal.
Um ano depois, em junho de 2022, Messi festejou mais um título com a Argentina, vencendo a Finalissima, um torneio que colocou frente a frente o campeão da Copa América e o campeão do Europeu. A Argentina derrotou a Itália por 3-0 no Estádio de Wembley, com golos de Lautaro Martínez, Ángel Di María e Paulo Dybala.
No site oficial da FIFA , a sua prestação no Mundial do Qatar de 2022onde a Argentina derrotou a França numa das finais mais emocionantes da história do torneio. A partida terminou 3-3 ao fim de 120 minutos, e a Argentina venceu por 4-2 na disputa de grandes penalidades. Messi marcou dois golos durante o jogo e também converteu a sua cobrança. No final do torneio, recebeu a Bola de Ouro como o melhor jogador do Campeonato do Mundo.
Messi voltou a erguer a taça da Copa América em 2024, desta vez nos Estados Unidos. A Argentina derrotou a Colômbia por 1-0 na final, disputada em Miami, graças a um golo de Lautaro Martínez no prolongamento. Com esta vitória, a seleção argentina garantiu mais um título continental e Messi conquistou o seu segundo campeonato da Copa América.
Antes de conquistar grandes troféus com a seleção principal, Messi já tinha celebrado títulos nas camadas jovens e nos Jogos Olímpicos. Em 2005, foi campeão do Campeonato do Mundo de Sub-20 realizado na Holanda e terminou como um dos destaques do torneio, enquanto em 2008 conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim ao lado de uma geração que incluía, entre outros, Sergio Agüero, Ángel Di María, Javier Mascherano e Juan Román Riquelme.
Desta forma, o jogador que se estreou na seleção principal em 2005 acabou por construir um histórico com a Argentina, com títulos em todas as principais etapas da sua carreira e a conquista do Mundial como ponto culminante do seu percurso.
Os títulos que marcaram a história de Messi com a Argentina
A carreira do jogador na seleção argentina foi marcada por anos de frustrações, mas também por um período de sucesso que o levou a conquistar importantes títulos internacionais. Com a Albiceleste, o avançado levantou quatro troféus com a seleção principal, além de um Mundial Sub-20 e uma medalha de ouro olímpica.
Das frustrações ao primeiro título
Durante anos, Messi procurou, sem sucesso, conquistar um título com a seleção brasileira. Depois de várias finais perdidas, a espera terminou na Copa América de 2021, realizada no Brasil.
A Argentina derrotou o Brasil por 1-0 na final, disputada no estádio do Maracanã, com um golo de Ángel Di María. A vitória pôs fim a um jejum de 28 anos sem títulos para a seleção argentina e marcou o primeiro grande título de Messi com a equipa principal.
Wembley e o passo que antecede o Mundial
A sequência de vitórias continuou em junho de 2022 com a Finalissima, um torneio que colocou frente a frente o campeão da Copa América e o campeão do Europeu.
A Argentina derrotou a Itália por 3-0 no Estádio de Wembley, com golos de Lautaro Martínez, Ángel Di María e Paulo Dybala. Messi foi mais uma vez um dos jogadores-chave da equipa comandada por Lionel Scaloni.
Qatar 2022: o sonho que finalmente se tornou realidade
O triunfo definitivo aconteceu no Mundial do Qatar de 2022.A Argentina derrotou a França numa final que terminou empatada a três bolas ao fim de 120 minutos e foi decidida nos penáltis, com a Argentina a vencer por 4-2.
Messi marcou dois golos durante a partida e também converteu o seu penálti na disputa de grandes penalidades. No final do torneio, recebeu a Bola de Ouro como o melhor jogador do Campeonato do Mundo.
A conquista do Qatar representou o título que o capitão argentino perseguia há anos e veio completar o grande objetivo que faltava na sua carreira internacional.

A confirmação da dominância continental
Dois anos depois, Messi festejou mais um título com a Argentina. Na Copa América de 2024, realizada nos Estados Unidos, a Albiceleste derrotou a Colômbia por 1-0 na final.
O golo de Lautaro Martínez no prolongamento permitiu à Argentina manter o título continental e deu a Messi a sua segunda Copa América com a seleção principal.
O talento que já brilhava ainda antes de chegar à seleção principal
O percurso de Messi com a Argentina já era repleto de sucessos muito antes das suas grandes conquistas com a seleção principal.
Em 2005, com apenas 18 anos, venceu o Campeonato do Mundo de Sub-20 realizado na Holanda. Messi marcou seis golos durante o torneio, incluindo dois na final contra a Nigéria, e recebeu a Bola de Ouro e a Bota de Ouro.
Três anos depois, em 2008, fez parte da seleção argentina que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Nessa equipa, partilhou o balneário com jogadores como Sergio Agüero, Ángel Di María, Javier Mascherano e Juan Román Riquelme.
Uma coleção de títulos para livros de História
Assim, o jogador que se estreou na seleção principal em 2005 acabou por construir um percurso excecional com a Argentina. Copa América, Finalissima, Mundial e mais uma Copa América foram os títulos que marcaram a fase mais gloriosa da sua carreira com a Albiceleste.
Estes troféus juntam-se ao Mundial de Sub-20 de 2005 e ao ouro olímpico de 2008, numa carreira que fez de Messi uma das figuras mais importantes da história da seleção argentina.
Messi no Mundial de 2026
O astro argentino disputou o seu sexto e último Mundial pela Argentina. A Albiceleste chegou novamente à final, mas perdeu por 1-0 com a Espanha no prolongamento, terminando como vice-campeã.
Messi teve um papel significativo ao longo do torneio e foi particularmente decisivo nas meias-finais, onde a Argentina derrotou a Inglaterra por 2-1.Nesse encontro, Messi fez duas assistências, sendo crucial para a Argentina chegar à final mais uma vez.
O Mundial de 2026 também marcou o fim da sua carreira em Mundiais. Aos 39 anos, Messi tornou-se um dos jogadores mais velhos a disputar uma final de um Mundial e alcançou a sua terceira final, depois das de 2014 e 2022.
Embora não tenha conseguido levantar novamente o troféu, Messi terminou o seu percurso no Mundial como campeão em 2022 e vice-campeão em 2026, deixando uma marca histórica na competição. Após o Mundial, anunciou a sua retirada da seleção argentina a 31 de agosto de 2026.
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