Começam as obras . Engenheiro alega que o Estado lhe deve RD$ 40 milhões por trabalhos já realizados...

Engenheiro alega que o Estado lhe deve RD$ 40 milhões por um projeto entregue em 2011

SANTO DOMINGO - O engenheiro Miguel Liberato denunciou que, após quatorze anos de prestação de obras públicas por meio de diversos contratos, o Estado dominicano ainda lhe deve cerca de RD$ 40 milhões pelo trabalho realizado, que ele alega ter sido executado com recursos próprios de sua empresa, Ingenieros Liberato & Asociados, SRL.

“A estimativa final para concluir o projeto era de 82 milhões. Desse montante, 40 milhões ainda precisam ser recuperados”, explicou ele em declarações ao El Inmobiliario.

O profissional afirma que, anos após concluir com êxito o Centro Universitário Regional UASD-Mao, desde 2020, tenta, sem sucesso, obter o pagamento pendente do Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED) e do Ministério das Finanças , conforme solicitado formalmente ao Ministro Carlos Bonilla. Até o momento, alega não ter recebido nenhuma resposta formal e o processo não foi retomado.

“Os funcionários deste governo, nos 5 anos em que estiveram no poder, não procuraram qualquer solução para a alegada perda de documentos, quando na realidade poderiam ter procededo a uma reconstrução documental dos arquivos”, enfatizou.

Liberato alertou que não é o único afetado por essas irregularidades. Ele revelou que outros 82 empreiteiros, agrupados no Comitê Institucional Codiano (CIC), enfrentam obstáculos semelhantes. “O principal é que as instituições contratantes (11 no total) alegam que documentos que elas geram, exigidos pelo Ministério da Fazenda para processar pagamentos, desapareceram de seus arquivos”, explicou o engenheiro.

O profissional da construção civil solicitou formalmente à Procuradoria-Geral da República e à Procuradoria Especializada no Combate à Corrupção Administrativa (PEPCA) a realização de uma investigação criminal, disciplinar e administrativa sobre o que ele considera ser a obstrução dolosa do processo de pagamentopor parte do Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano (MIVHED) e do Ministério das Finanças.

No pedido de investigação, apresentado em 10 de julho e dirigido à Procuradora-Geral Yeni Berenice Reynoso e ao Magistrado Wilson Camacho, Liberato detalha uma série de ações que, segundo ele, o impediram "intencionalmente" de ser reconhecido e de receber o pagamento da dívida decorrente de três contratos assinados em 2010 com o extinto Escritório de Engenheiros Supervisores de Obras Estaduais (Oisoe).

Documentos "perdidos", rescisão contratual fantasma e entraves administrativos

O caso baseia-se em mais de 30 páginas de documentação oficial, nas quais são identificadas três situações específicas que, na opinião dos réus, constituem prevaricação administrativa, abuso de autoridade, falsificação de documentos e violação do devido processo legal.

Um dos processos, correspondente ao contrato FB-023-2010, foi paralisado devido a uma suposta rescisão, que nunca foi oficialmente comunicada ao Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano (MIVHED) e carece de qualquer fundamento legal, conforme admitido pelo próprio MIVHED por meio de seu Escritório de Acesso Livre à Informação. O documento OAI-087-2025 afirma expressamente que “não há registro que comprove a rescisão”, embora o Ministério da Fazenda tenha utilizado esse argumento para devolver o processo de pagamento.

Num segundo caso, relativo ao contrato FB-105-2010, a MIVED deixou deliberadamente de enviar o Certificado de Aceitação Final exigido pelo Ministério das Finanças. Contudo, foi posteriormente localizado um Certificado de Aceitação Provisório, que a própria MIVED tinha apresentado, e que nele consta:

“A obra foi recebida satisfatoriamente, em conformidade com as especificações técnicas, padrões de qualidade e demais documentos de construção correspondentes. Consequentemente, esta aceitação provisória é emitida, a qual se tornará Aceitação Definitiva quando o contratado apresentar a apólice de seguro contra defeitos ocultos.”.

O engenheiro apresentou uma carta da Banreservas Seguros (DTRG-333/24), que indica que não é possível emitir uma apólice contra defeitos ocultos para uma obra que esteja em uso há mais de um ano, o que representa uma impossibilidade material de cumprir esse requisito, visto que a construção foi entregue há quase 14 anos.

“O contrato foi executado e a obra foi inaugurada em agosto de 2011, o que confirma a sua entrega e entrada em funcionamento”, reitera o pedido dirigido ao Ministério Público.

 No terceiro caso documentado , o Ministério das Finanças declarou inválidos os certificados de aceitação final dos contratos FB-023-2010 e FB-114-2010, alegando que as datas dos levantamentos quantitativos não coincidiam com as datas dos certificados. No entanto, o engenheiro salienta que “esta alegação do Ministério das Finanças é um claro exemplo de desconhecimento da competência administrativa. Os certificados de aceitação final e os levantamentos quantitativos finais são completamente diferentes e independentes.”

Em suas reivindicações finais, ele solicita ao Ministério Público que:

  1. Abertura de inquérito criminal por improbidade administrativa e abuso de poder
  2. Auditoria ao Vice-Ministro das Finanças do MIVHED por negligência na busca de documentos
  3. Validação legal do Certificado de Aceitação Provisória como documento suficiente para o pagamento final
  4. Compensação financeira por danos decorrentes de atraso no pagamento

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Paola Solis
Paola Solis
Estudante do último ano de Comunicação Social na Universidade Católica de Santo Domingo, locutora e mestre de cerimônias, especializada em marketing digital e gestão de comunidades.
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