SANTO DOMINGO – O Instituto Tecnológico de Santo Domingo (INTEC) apresentou os resultados do processo de avaliação e seleção de projetos do Edital 2025 do Fundo de Inovação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por meio do qual a Presidência da República financiará nove projetos de pesquisa com o objetivo de gerar soluções para o influxo maciço de algas sargassum que afeta o litoral da República Dominicana.
O Governo destinará RD$59,2 milhões para financiar os estudos apresentados por cinco universidades selecionadas na primeira chamada do fundo especial, anunciada em 2023.
A atividade, realizada no campus do INTEC, contou com a participação de representantes das universidades que compõem a Rede Interuniversitária de Pesquisa sobre Sargaço (SARGARD), bem como membros do Comitê de Sargaço, órgão responsável pela avaliação e premiação de projetos, coordenado pelo INTEC.
Em nome da Presidência da República, a Vice-Ministra da Cooperação Internacional, Olaya Dotel, reafirmou o compromisso do Estado Dominicano em destinar um milhão de dólares a esta iniciativa, destacando que o sargaço constitui um desafio ambiental com implicações econômicas, sociais e ecológicas de grande magnitude.
“As universidades estão fazendo esforços muito importantes para gerar respostas a problemas fundamentais e estruturais. A vocês, pesquisadores, o Estado Dominicano expressa sua gratidão”, declarou o representante oficial.
Entretanto, Alliet Ortega, reitora interina do INTEC e representante do Comitê do Sargaço, apresentou os detalhes do processo de inscrição e avaliação dos 30 projetos submetidos por pesquisadores de universidades membros do SARGARD. Ela também anunciou os nove projetos vencedores, selecionados com base em sua relevância, viabilidade e potencial impacto. A maioria das propostas foca na valorização e utilização do sargaço.
“Este é um exemplo claro do que pode ser alcançado quando a tríplice hélice — governo, academia e setor privado — se articula com visão e propósito, todos comprometidos com o desenvolvimento nacional e a busca por soluções transformadoras para os desafios que nos afetam”, destacou Ortega.
Por fim, foi anunciado que a INTEC acompanhará os grupos de pesquisa selecionados, que deverão apresentar relatórios de progresso no prazo de um ano e um relatório final após a conclusão de seus projetos. Esse processo garantirá que os resultados contribuam não apenas para a geração de conhecimento, mas também para a implementação de soluções concretas com impacto no país e na região.
O Fundo Especial para Projetos de Inovação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico sobre o Problema do Sargaço foi criado em 2023 pela Presidência da República, por meio dos Ministérios do Turismo e do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (Mescyt), para identificar soluções viáveis para o problema do sargaço.
A chamada de propostas, que esteve aberta de 20 de janeiro a 14 de fevereiro de 2025, recebeu um total de 30 projetos, dos quais 17 foram selecionados para avaliação. Os projetos vencedores foram então escolhidos para receber financiamento para promover a valorização e o uso inovador do sargaço, com prioridade para aqueles com estudos de comprovação de conceito bem-sucedidos.
O Comitê de Avaliação das propostas é composto por: um representante da Academia de Ciências da República Dominicana, do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (MESCYT), do Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais, do Ministério da Economia e Planejamento e um representante da Associação Dominicana de Hotéis e Turismo (ASONAHORES). O processo também contou com a participação de avaliadores externos sem vínculos com as universidades membros da Rede ou com os projetos submetidos, garantindo assim a transparência da chamada de propostas.
Projetos vencedores
Entre os nove projetos vencedores, os da INTEC incluem “Desenvolvimento de painéis de partículas a partir de sargaço com foco em economia circular”, liderado pela professora pesquisadora Yaset Rodríguez, que receberá RD$ 8.998.920 em financiamento; “Produto de interesse industrial a partir de sargaço obtido por pirólise convencional e micro-ondas”, de José Aceituno, com um orçamento de RD$ 6.320.874; e “Potencial fotoprotetor de ingredientes ativos obtidos de sargaço que chega às praias da República Dominicana”, de Marlen Izquierdo, com RD$ 9.545.060.
Da PUCMM, os projetos “Desenvolvimento de uma metodologia preditiva para monitorar o sargaço na República Dominicana”, do Professor Francisco Ramirez, com um montante de RD$ 5.629.200, e “Elaboração de elementos de construção com sargaço: blocos de concreto, argamassas e painéis isolantes termoacústicos (ConstruSargass)”, de Yokasta García, que terá um montante de RD$ 5.863.578.
Pela UFHEC, Yessica Castro abordará o projeto “Otimização do uso de Sargassum spp. como material adsorvente para a remoção de metais pesados em águas contaminadas: integração de leito fixo e ciência de dados”, com um financiamento de RD$ 9.240.750; e Euripides Amor liderará o projeto “Industrialização para o uso em larga escala de sargaço como ecocombustível ou combustão direta da biomassa de sargaço”, com um montante de RD$ 9.874.700.
Yulisa Alcántara, da Universidade ISA, está pesquisando o tema “Utilização do sargaço no desenvolvimento de insumos e produtos agrícolas para consumo humano e animal, tanto para consumo local quanto para exportação”, projeto que terá um orçamento de RD$ 7.714.903,68.
Entretanto, Alejandro Abril, da UNAPEC, liderará o projeto “Desenvolvimento de um superabsorvente natural e condicionador de solo em sargaço, para otimizar o uso da água na agricultura”, que contará com RD$ 7.913.556,20 disponíveis para fins de pesquisa.




