Globalmente, a lavagem de dinheiro representa entre 2 e 5% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme declarado em um workshop organizado pela Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana.
SANTO DOMINGO – A lavagem de dinheiro acarreta consequências econômicas e sociais, riscos à reputação da República Dominicana, custos sociais, enfraquecimento das instituições financeiras e perdas tributárias, alertaram especialistas do setor financeiro durante um workshop para jornalistas, organizado pela Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA).
Um dos palestrantes, Línder Paulino, Gerente da Divisão do Programa de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (AML/CFT) do Banco Popular, destacou que, embora a República Dominicana não esteja em nenhuma lista de vigilância internacional, o Haiti está na Lista Cinza do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), juntamente com outros países como Jamaica e Ilhas Cayman. Ele afirmou que essa proximidade é motivo suficiente para que as organizações internacionais se mantenham vigilantes em relação ao território dominicano. Acrescentou ainda que isso justifica os esforços contínuos do governo e da sociedade para detectar e mitigar esse crime em suas diversas formas.
Ramón González, presidente do Comitê de Lavagem de Dinheiro da ABA e executivo do Banesco, indicou que entre os crimes subsidiados pela lavagem de dinheiro em suas diferentes formas estão a falsificação, o tráfico de drogas e o tráfico de pessoas.

Ele destacou que, entre essas formas de crime, as mais comuns incluem a cumplicidade de funcionários públicos, empresas de fachada, transações em dinheiro vivo, ocultação do beneficiário final e "smurfing". Ele explicou que este último envolve a movimentação de uma quantia considerável de dinheiro por meio de diferentes usuários em pequenas quantias, numa tentativa de evitar a detecção pelo sistema financeiro.
No workshop “O Papel dos Bancos Comerciais na Prevenção da Lavagem de Dinheiro”, ele destacou que todas essas práticas são utilizadas por criminosos para minar o sistema e o crescimento econômico, causando enormes prejuízos a indivíduos e empresas em todo o mundo. Ele observou que a lavagem de dinheiro representa entre 2% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global, ou seja, cerca de 1,6 trilhão de dólares, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Por sua vez, Michelle Cruz, Vice-Presidente de Compliance do Banco BHD, afirmou que, diante das crescentes ameaças à segurança individual representadas pela lavagem de dinheiro, é imprescindível atualizar constantemente os procedimentos para mitigar e reduzir esse crime. Nesse sentido, ela enfatizou que os bancos comerciais, como Entidades Obrigadas, possuem uma estrutura de compliance, implementam políticas e procedimentos e oferecem treinamento contínuo aos funcionários para identificar potenciais usuários suspeitos de envolvimento nesse crime.
Ele indicou que, da mesma forma, o setor financeiro também implementa indicadores para medir a eficácia e revisar os controles de todos os seus processos; oferece treinamento baseado em riscos, estabelece altos padrões de adequação com seus funcionários em todos os níveis e realiza auditorias externas para avaliar a eficácia do programa.
Nesse sentido, para Víctor Bautista, CEO da Mediáticos, o trabalho investigativo do jornalista é vital para prevenir a lavagem de dinheiro, destacando sua capacidade de questionar fontes oficiais, graças ao fato de que o trabalho jornalístico pode não apenas expor essas práticas ilícitas, mas também dissuadir a opinião pública quanto à gravidade do problema.
O workshop “O papel dos múltiplos bancos na prevenção da lavagem de dinheiro”, realizado no Hotel Intercontinental Real, contou com a presença de jornalistas da imprensa escrita, digital, televisiva e radiofónica de todo o país.




