O antigo Correio Central (atual CCK), a Torre Bouchard e o Hotel Plaza em Buenos Aires, o Burj Khalifa em Dubai e o Empire State Building em Nova York são todos edifícios icônicos que têm algo em comum: foram construídos com estruturas de aço. Esse material permite que a construção seja concluída duas vezes mais rápido do que pelos métodos tradicionais, em um processo mais ecológico.
Embora existam fábricas de aço que vendem estruturas metálicas para construtoras ou incorporadoras, são poucas as empresas que realizam projetos completos "chave na mão" focados nesse material.
As passarelas da geleira Perito Moreno, em Buenos Aires, também foram construídas com esse material. “O aço é o melhor aliado para a rapidez”, afirma Lucas Salvatore, diretor e cofundador do Grupo Salvatore, empresa que se aventurou nesse ramo e se dedica à construção em aço há 30 anos. Atualmente, o grupo tem 22 casas, 12 edifícios e um hotel em construção.
O empresário destaca que essas estruturas são construídas duas vezes mais rápido que as de concreto, de modo que, enquanto um prédio tradicional leva três anos para ser construído, as estruturas de aço podem ser concluídas em um ano e meio. Por exemplo, essa característica permitiu a construção de 10 hospitais de 1.000 metros quadrados cada, em diferentes províncias da Argentina, para as Nações Unidas, em um período entre 90 e 120 dias, em resposta ao surto da pandemia de coronavírus. Em outro caso, a empresa recebeu uma encomenda em janeiro para construir um hotel que deve estar pronto em julho, no Cerro Catedral, o que significa que toda a construção deve ser concluída em seis meses.
Salvatore recorda que, na primeira vez em que propuseram realizar um projeto do início ao fim com aço – uma ideia que consideravam comum em países dos Estados Unidos e da Europa – foram "vistos como alienígenas".
Mas ele perseverou porque descobriu um problema no mercado que, na sua perspectiva, o aço poderia resolver. "Quando vimos a complexidade da construção tradicional, aliada aos prazos não cumpridos e à falta de certeza absoluta — considerando que a tendência é para algo muito mais confiável e ecológico — deixamos de ser uma empresa de estruturas metálicas e nos tornamos uma empresa de projetos chave na mão", resume ele, descrevendo a mudança de paradigma que sua empresa implementou em 2016.
É importante ressaltar que a construção com estrutura de aço não é a mesma coisa que o sistema popularmente conhecido como estrutura de aço . Embora ambos utilizem o aço como material principal, as técnicas são diferentes. "A diferença é que a estrutura de aço depende da capacidade de carga da casa fornecida pelas paredes e sua estrutura leve de perfis, enquanto, no nosso caso, substituímos o concreto por perfis de aço na estrutura de colunas e vigas", explica Salvatore.
A evolução da construção

Para Salvatore, existem dois fatores fundamentais que irão redirecionar o rumo da construção civil nos próximos 10 anos e que se alinham com as vantagens da construção em estruturas de aço. "Um deles é a maior conscientização sobre as mudanças climáticas, tanto por parte do governo quanto dos grandes grupos econômicos", afirma, acrescentando que o aço deixa uma pegada de carbono menor do que o concreto e é 100% reciclável.
O outro fator é a mudança geracional que, em sua opinião, impacta três áreas. Primeiro, ele destaca a “perda do ofício transmitido de pai para filho, a arte de fazer itens artesanais, que está se tornando cada vez mais rara”. Segundo, ele observou o maior interesse em sustentabilidade entre os jovens. “O terceiro fator, e o mais impactante, é ademanda: não consigo imaginar um jovem de 15 anos hoje esperando dois anos para ter sua casa construída quando tiver 25 anos”, afirma.

Salvatore também constrói minicasas — chamadas SUMbox — que ele monta em 90 dias, e as de 21 metros quadrados custam US$ 25.000. “Ela é transportada pronta por caminhão e pode ser realocada, então o proprietário pode colocá-la em Pinamar no verão e em Bariloche no inverno para aproveitar as altas temporadas turísticas em cada lugar”, explica o empreendedor.

Embora seja um aspecto muito valorizado, o empresário destaca que "quando começamos com isso, as pessoas nos disseram que era inviável fazer isso neste país e que na Argentina os compradores querem pagar em 80 meses", alerta ele sobre uma das desvantagens do material.
Os longos prazos de construção de edifícios, que normalmente levam 36 meses, permitem condições de financiamento mais longas do que as disponíveis para uma estrutura de aço, que leva metade do tempo. No entanto, Salvatore acredita que hoje, com a atual crise econômica do país, a maioria dos compradores opta por planos de pagamento com todo o dinheiro disponível, já que, se dependessem de salários mensais para pagar as parcelas, precisariam de rendimentos extraordinários.

Esses não são os únicos aspectos impressionantes do sistema. A precisão é uma de suas vantagens e, segundo Salvatore, “ter uma estrutura precisa é a chave para industrializar o resto”.
Salvatore explica que sua empresa fabrica com máquinas de alta precisão e sistemas de controle de qualidade, e que o produto final é montado como um conjunto de construção. “Se eu errar por mais de 2 milímetros, o parafuso não encaixa, então minha precisão de construção é de 2 mm, comparada à precisão de 3 cm do concreto. Isso significa que o restante do que você quer industrializar, como paredes e janelas, precisa ser muito preciso para que possa ser fabricado, transportado e para garantir que se encaixe”, explica ele.
As construções em aço também estão se mostrando superiores às estruturas tradicionais de concreto em zonas sísmicas. “As estruturas de aço suportam a mesma carga em ambas as direções (tração e compressão), ao contrário do concreto. Por exemplo, se uma estrutura de aço fabricada em Buenos Aires for transportada para San Juan, ela pesa entre 10 e 15% a mais do que uma estrutura de concreto, que pesaria o dobro”, conclui Salvatore.
Em termos de custos, Salvatore indica que os preços são semelhantes aos da construção tradicional. O custo de construção de uma de alto padrão gira em torno de US$ 1.200/m², enquanto a construção tradicional custa US$ 1.605/m², segundo o último relatório da Reporte Inmobiliario. No entanto, com materiais diferentes, Salvatore acredita que esse valor poderia cair para US$ 1.000.
Em relação às construções, o custo permanece competitivo e o metro quadrado de construções feitas com aço tem um preço médio de US$ 900/m², comparado aos US$ 759 relatados em dezembro pelo Reporte Inmobiliario para o método tradicional.
Fonte e fotos: La Nación.




