do Departamentode Turismo,afirma: “Privatizar uma parte de Boca Chica é inconstitucional”.

Domingo Abreu: “Privatizar uma parte de Boca Chica é inconstitucional”

O ambientalista lembrou, em declarações ao El Inmobiliario, que nenhum trecho do litoral do território nacional pode ser privatizado, apenas a partir de 60 metros para o interior.

SANTO DOMINGO– O anúncio oficial da existência de uma “praia privada” no recém-inaugurado Santo Domingo Bay Convention Resort & Casinocontraria diretamente a Constituição e a Lei 6400, que garantem o caráter público e inalienável das praias na República Dominicana, segundo o ambientalista Domingo Abreu.

“O uso das praias pelo público está claramente estabelecido tanto na Constituição quanto na Lei 6400, portanto não há possibilidade legal de proibir o acesso público a qualquer trecho da praia de Boca Chica”, afirmou Abreu, lembrando que a regulamentação protege a faixa costeira até 60 metros para dentro da praia.

O especialista enfatizou que praias como Boca Chica, Andrés e La Caleta têm sido historicamente espaços de uso comum e pontos de referência populares para o lazer dos moradores da capital.

Ele propôs um modelo de negócios para proprietários de hotéis no qual os turistas interagem e compartilham experiências com as comunidades locais, enriquecendo a vivência de cada um. “Em vez de promover a exclusividade, os hotéis deveriam organizar programas para fomentar a interação entre turistas e moradores locais. Isso seria mais eficaz do que dizer a eles que a praia é privada”, acrescentou.

A declaração de Abreu surge após a inauguração oficial do complexo hoteleiro, liderada pelo Presidente Luis Abinader, pelo Ministro do Turismo, David Collado, e pela família Hidalgo, da cadeia hoteleira Globalia, onde foi destacado o investimento de mais de 48 milhões de dólares anunciada oficialmente uma praia privada

O ambientalista insistiu que o verdadeiro foco do turismo dominicano deveria ser a integração cultural e social: “A melhor coisa que os novos proprietários podem fazer é preparar um programa para fomentar a interação entre estrangeiros e dominicanos, para que possam se conhecer. Essa medida seria mais atraente e enriquecedora para os visitantes do que qualquer exclusividade.”.

A Constituição Dominicana, em seu Artigo 15, estabelece que as praias são bens públicos de livre acesso e uso comum. Portanto, promover uma área costeira como “privada” contraria diretamente o marco legal e os princípios da soberania sobre o litoral, transmitindo a mensagem de que o Estado prioriza a exclusividade corporativa em detrimento dos direitos dos cidadãos estabelecidos na Constituição.

Diversos setores sociais e ambientais vêm alertando há tempos que a privatização das praias prejudica o acesso da comunidade, limita o lazer popular e mina a identidade cultural dos balneários tradicionais.

Boca Chica, historicamente reconhecida como a praia pública de referência para os moradores da capital, corre o risco, com este anúncio oficial, de se tornar um enclave restrito sob a lógica do "novo luxo caribenho" que o resort promove.

A reabertura do hotel, originalmente inaugurado em 1950 e agora administrado pela Globalia, está sendo apresentada como um ícone de modernidade e glamour. Mas a controvérsia em torno da praia privativa coloca o projeto no centro de uma questão maior: o turismo dominicano pode crescer excluindo seus próprios cidadãos do acesso ao mar?

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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