Por Yermys Peña
Nos últimos meses, ressurgiram vozes questionando o valor das certificações internacionais de sustentabilidade, sugerindo que elas são caras, desnecessárias ou "incompatíveis com a nossa realidade local". Mas esse argumento — mais político do que técnico — não só distorce a discussão, como também enfraquece o progresso real do setor e legitima o greenwashing estrutural.
Certificações como LEED, EDGE, WELL e BREEAM não são prêmios ou decorações. São padrões técnicos. Elas estabelecem limites para eficiência energética e hídrica, seleção de materiais, qualidade do ar e bem-estar dos ocupantes. Permitem auditorias, verificações e documentação que comprovem que um edifício realmente cumpre o que promete.
Rejeitá-las é como afirmar que uma demonstração financeira não auditada tem o mesmo valor que uma certificada.
Sustentabilidade sem verificação é mera retórica.
O que é medido é melhorado. O que não é medido, é disfarçado
Um edifício certificado não é apenas mais eficiente. É mais transparente.
– A percentagem de poupança de energia pode ser calculada (20–40% segundo a EDGE).
– Os sistemas de climatização, iluminação e isolamento térmico são modelados.
– O consumo de água e a sua redução são simulados.
– As emissões e os impactos de CO₂ por metro quadrado são validados.
– Cada material, cada sistema, cada crédito é auditado.

Isso não pode ser alcançado por meio de um relatório descritivo ou uma declaração verbal.
Requer um processo de planejamento, documentação, mensuração e revisão externa.
Ferramentas locais não são desculpa para ignorar padrões globais
O Guia de Construção Sustentável da República Dominicana, que tive a honra de coordenar, é um marco. Mas ele não foi criado para substituir as estruturas internacionais, e sim para alinhar o debate nacional aos padrões globais. O mesmo se aplica à Taxonomia Verde promovida pela IFC, que define o que pode ser verdadeiramente considerado um investimento sustentável.
Ambas as ferramentas reconhecem e articulam sistemas como LEED, EDGE e WELL.
Aqueles que rejeitam esses padrões não estão questionando uma tendência; estão desacreditando a base técnica de todo o ecossistema global de sustentabilidade.
Greenwashing: a tentação do atalho
Quando os sistemas de validação são desacreditados, o que resta é um vácuo técnico que pode ser facilmente preenchido com marketing. E é exatamente aí que o greenwashing prospera: em áreas cinzentas, sem métricas ou auditorias.
Falar em "construção verde" sem demonstrar a redução do impacto ambiental, sem medições ou avaliação por terceiros, é disfarçar o tradicional com palavras modernas.
Defender as certificações não é elitismo. É responsabilidade.
Porque se vamos falar de saúde, eficiência, economia, resiliência e bem-estar,
temos que ser capazes de comprovar isso.
O autor é arquiteto e empresário da construção civil. Membro do Forbes Business Council.




