Eles destacaram que o país ocupa a segunda posição na América Latina em termos de proporção de famílias vivendo em imóveis alugados.
SANTO DOMINGO -O crescimento do turismo e do investimento estrangeiro impulsionou a demanda por imóveis na República Dominicana, com Santo Domingo e Punta Cana liderando o mercado imobiliário.
Isso foi revelado em uma análise compartilhada pela Corotos, onde especificaram que o setor imobiliário na República Dominicana passou por uma transformação nos últimos anos.
“Entre os fatores mais influentes estão o aumento contínuo dos preços, as mudanças nos hábitos de arrendamento e compra, o boom do investimento estrangeiro e os efeitos da legislação estatal sobre o setor”, afirmaram em um comunicado à imprensa.
Segundo eles, essa evolução gerou um cenário dinâmico e complexo que obriga os envolvidos no setor, sejam proprietários, investidores ou inquilinos, a repensarem suas estratégias.
Segundo o relatório do BBVA Research intitulado “Situação do Mercado Imobiliário”, o país ocupa a segunda posição na América Latina em termos de proporção de domicílios em imóveis alugados.
Este local só é superado pela Colômbia, onde mais de 40% da população vive de aluguel, como indica o estudo.
“Muitos proprietários optaram por dedicar seus imóveis a aluguéis de curta duração, aproveitando o fluxo constante de visitantes que preferem apartamentos turísticos em áreas como Punta Cana e Santo Domingo”, disseram eles.
Eles destacaram que, entre 2018 e 2024, os valores de aluguel para todos os tipos de imóveis apresentaram aumentos consideráveis, conforme indicado pela análise realizada pela Corotos.
Como exemplo, afirmaram que "o aluguel médio de apartamentos passou de RD$ 18.584 em 2018 para RD$ 50.222 em 2024, o que representa um aumento de quase 170%".
No caso das casas, afirmaram que o aumento foi ainda mais acentuado, de RD$ 17.613 para RD$ 60.862, um aumento de 245%, com um pico particularmente acelerado entre 2019 e 2022, que posteriormente se estabilizou.
“Apesar desses aumentos gerais, nem todas as categorias evoluíram da mesma forma. Os quartos em residências compartilhadas, por exemplo, apresentaram um crescimento mais moderado de 65%, enquanto os espaços comerciais e de escritórios aumentaram em média 195%”, comentaram.
Além disso, o estudo indica que as coberturas de luxo registraram um aumento de 119%, o que demonstra o dinamismo do segmento de alto padrão, impulsionado principalmente pela demanda internacional.
Segundo Mauricio Hernández-Monsalve, autor do relatório do BBVA, o aumento dos preços e a redução da disponibilidade de imóveis usados também influenciaram a configuração do mercado.
“Este fenômeno evidencia um mercado com demanda muito superior à oferta disponível, o que tornou o aluguel residencial uma alternativa cada vez mais lucrativa para investidores que buscam diversificar seus portfólios e aproveitar altas taxas de retorno”, concluíram.
Eles explicaram que, como resultado, a hierarquia da demanda por diferentes tipos de moradia mudou. "Embora os apartamentos continuem sendo os mais solicitados em termos de volume, em 2024 a demanda aumentou por casas e, principalmente, por coberturas.".
Essa preferência se explica tanto pelo interesse de investidores estrangeiros quanto de dominicanos com alto poder aquisitivo que buscam imóveis mais exclusivos.
Da mesma forma, o mercado de escritórios e imóveis comerciais ganhou destaque em cidades como Santo Domingo, Santiago e La Romana, em consonância com a expansão de novos empreendimentos e centros empresariais.
No entanto, em contraste com o exposto acima, os quartos compartilhados continuam sendo a categoria menos dinâmica, embora apresentem crescimento constante devido à mobilidade de jovens profissionais e estudantes.
Oferta limitada e demanda em transformação
A oferta de moradias na República Dominicana continua aquém da crescente demanda, num cenário marcado pelo aumento do custo dos materiais, pela lentidão do Estado e pelas novas exigências por habitações adaptadas ao estilo de vida pós-pandemia.
Por outro lado, representantes da Corotos destacaram os principais desafios que o mercado enfrenta atualmente.
“Apesar dos esforços do Estado, a construção de novas moradias não tem sido suficiente para atender à crescente demanda”, afirmaram.
Essa situação é agravada, apontaram, pela urbanização acelerada e pela crescente demanda por residências com espaços multifuncionais, adaptadas ao teletrabalho e ao estilo de vida pós-COVID-19.
“Essas novas necessidades reduziram ainda mais a diferença entre oferta e demanda, embora também tenham aberto oportunidades para incorporadoras comprometidas com projetos mais inovadores e sustentáveis”, revelaram.




