Comerciantes de Dajabón protestam contra o início das obras , rejeitando o novo modelo proposto pela prefeitura...

Comerciantes de Dajabón marcham em protesto contra o novo modelo proposto pelo Governo

Eles alertam que a proposta afetaria o esquema binacional construído ao longo de décadas na fronteira

SANTO DOMINGO – O anúncio do presidente Luis Abinader sobre a construção de portos secos na fronteira começou a gerar rejeição entre os comerciantes de Dajabón, que alertam que a iniciativa pode transformar o modelo de intercâmbio binacional desenvolvido na região ao longo de décadas e afetar a dinâmica comercial dos negócios locais.

Um modelo construído desde a década de 1980

A proposta oficial anunciada pelo presidente Abinader em fevereiro deste ano contempla a instalação de infraestrutura logística no âmbito do regime de zona franca, com um investimento de 300 milhões de dólares do setor privado, visando a reorganização do comércio na fronteira.

No entanto, da perspectiva das empresas locais, a medida é vista como uma intervenção em um sistema que, segundo elas, foi construído progressivamente pelos próprios atores da região.

O comerciante Ismael Mateo indicou que esse modelo não é recente, mas sim que tem raízes no trabalho contínuo de gerações. "O comércio binacional começou a tomar forma na década de 1980 graças aos comerciantes de Dajabón e de outras cidades fronteiriças", afirmou.

“Criamos um modelo de negócio que gera resultados, que os números comprovam, e criamos um ecossistema do qual todos nos beneficiamos”, afirmou.

Ele argumentou que, ao longo do tempo, essa troca gerou resultados e benefícios compartilhados na região.

Deslocamento do comércio local

Nesse contexto, Mateo denunciou que a implementação de portos secos poderia alterar o controle do sistema comercial na fronteira. "Hoje, alguns grupos econômicos pretendem privatizar o comércio, criar esses chamados portos secos e querem se apropriar de todo o esforço que realizamos ao longo desses 40 anos", afirmou.

Ele alertou que a medida implica não apenas uma mudança logística, mas uma transformação na forma como o comércio binacional é gerenciado.

Rejeição e mobilização na fronteira

O comerciante fez a declaração durante a marcha realizada ontem, terça-feira, 28 de abril, em protesto contra a medida anunciada pelo Governo. “Estamos marchando; somos contra a implementação deste modelo de negócios que busca nos tirar o que é nosso e ficar com tudo para si”, afirmou.

Ele também garantiu que a oposição ao projeto continuará ao longo do tempo: "Esta é uma luta que apenas começou, permanecemos firmes nesta luta e a levaremos até o fim", afirmou em declarações ao El Inmobiliario.

A atividade foi organizada pela Câmara de Comércio, pelo Conselho Empresarial e Comercial de Dajabón, pelo Centro Montalvo, pela Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, pela Associação de Exportadores da Fronteira, entre outros.

O comércio como base da fronteira

Mateo insistiu que o comércio é parte essencial da economia e da dinâmica social da região fronteiriça. "O comércio é o patrimônio da fronteira", concluiu.

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Luisa Saldaña
Luisa Saldaña
Jornalista com experiência em mídia digital e impressa. Estudante de Direito com interesse em desenvolvimento econômico e questões que conectam negócios, cidade e sociedade. Para mim, escrever é uma forma de investigar e compreender o mundo ao nosso redor.
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