SANTO DOMINGO - "Estamos falando de roubo, de apropriação indébita de dinheiro da saúde; e não da saúde de qualquer pessoa, mas do seguro saúde dos mais pobres, daqueles que não têm dinheiro para pagar um seguro privado, daqueles que precisam ir aos hospitais apenas para ouvir que não há leitos nem medicamentos", declarou ontem Mirna Ortiz, chefe da Procuradoria Especializada em Combate à Corrupção Administrativa.
Ele afirmou que o caso do Seguro Nacional de Saúde (Senasa) é o caso de corrupção mais grave já apresentado pela agência. “A Operação Cobra é a operação anticorrupção mais grave que o Ministério Público apresentou até hoje”, disse Ortiz, após o adiamento das medidas coercitivas contra o grupo acusado pela promotoria de desviar fundos da entidade seguradora que cobre mais de 70% da população dominicana.
Ortiz indicou que o Ministério Público possui um dossiê de provas testemunhais e documentais que, quando a medida coercitiva for conhecida, comprovará cada uma das acusações e as respectivas classificações criminais.
Ele também destacou que a fraude cometida no Senasa é estimada em cerca de 15 bilhões de pesos, com mais de dois bilhões de pesos pagos em subornos às mais altas autoridades da instituição.
Ele enfatizou que havia empresários e entidades jurídicas que eram utilizadas para lavagem de dinheiro e pagamento de subornos.
Após o adiamento do pedido de medidas coercitivas contra o ex-diretor do Senasa, Santiago Hazim, e outros nove réus, o magistrado descreveu o caso como um "ataque direto a um direito fundamental do povo".
Operação
No último fim de semana, o Ministério Público lançou a Operação Cobra, dando início a um processo judicial que visa a aplicação de sanções penais e o confisco de dinheiro desviado de bens públicos através do Seguro Nacional de Saúde ( SeNaSa ).
Até o momento, Santiago Marcelo F. Hazim Albainy, ex-diretor do SeNaSa, e outras nove pessoas , acusadas de fraudar a administradora de riscos de saúde pública (ARS) em bilhões de pesos, enquanto diversas pessoas físicas e jurídicas continuam sendo investigadas com o objetivo de levá-las à justiça, conforme o andamento das investigações do Ministério Público.
Um total de 25 promotores, auxiliados por mais de 200 agentes da Polícia Nacional, realizaram 12 batidas no âmbito da operação que também levou à prisão de Gustavo Enrique Messina Cruz, Germán Rafael Robles Quiñones, Francisco Iván Minaya Pérez, Eduardo Read Estrella, Cinty Acosta Sención, Ramón Alan Speakler Mateo e Ada Ledesma Ubiera.




