Em três horas, 70% do total histórico de chuvas para o mês de novembro caiu em Santo Domingo
SANTO DOMINGO- Estacionamentos residenciais, de centros comerciais e universitários transbordando; concessionárias de veículos com carros novos alagados; veículos flutuando com motoristas lutando pela vida; portões elétricos arrancados de casas pela forte correnteza; engarrafamentos intermináveis que se estendiam até altas horas da noite; e funcionários presos em seus locais de trabalho por longas horas: tudo isso fazia parte do cenário na República Dominicana na sexta-feira, 4 de novembro, em meio a chuvas torrenciais.
Gloria Ceballos, diretora do Escritório Nacional de Meteorologia (ONAMET), informou após as dez horas da noite que na região metropolitana de Santo Domingo foram registrados 70 milímetros de chuva em três horas, o equivalente a 70% da quantidade de chuva que historicamente cai em novembro no país.
Até a noite passada, duas mortes haviam sido relatadas nos setores de Villa Claudia e Los Ríos.
Das cinco às oito da noite, chuvas torrenciais começaram, inundando rapidamente ruas, casas, pontes, passagens subterrâneas, estacionamentos, comércios e rodovias, enquanto a população, atônita, não entendia os motivos da inundação incomum que assolou a capital dominicana.
Após as 19h, as redes sociais começaram a ser inundadas com vídeos e diversas cenas que refletiam o caos e a difícil situação enfrentada pelos cidadãos que estavam longe de casa: aqueles que estavam no trabalho ficaram ilhados, e os que estavam nas ruas presenciaram cenas aterrorizantes que até recentemente só haviam sido vistas em filmes. Alguns decidiram abandonar seus veículos e priorizar suas vidas, devido à chuva torrencial que durou três horas e alagou a Grande Santo Domingo.
O elevado volume de chuvas sobrecarregou a capacidade do sistema de esgoto, a tal ponto que as águas transformaram Santo Domingo em um mar de correntes.
Avenidas como a 27 de Febrero, John F. Kennedy, Abraham Lincoln e Máximo Gómez, que cruzam a cidade de norte a sul e de leste a oeste, ficaram intransitáveis, situação que se agravou devido ao desespero dos motoristas que ocuparam todas as faixas na tentativa de avançar, contribuindo para o colapso do trânsito.
Eles coordenam o trabalho no COE (Centro de Excelência)
Os órgãos de assistência do Governo e a Prefeitura do Distrito Nacional foram acionados para lidar com os danos causados pelas chuvas torrenciais registradas.
Os trabalhos estão sendo coordenados pelo Centro de Operações de Emergência (COE) pela prefeita do Distrito Nacional, Carolina Mejía, e pelo Ministro da Presidência, José Ignacio Paliza.
“Nesse tipo de situação, pedimos à população que se abstenha de colocar o lixo na rua, pois a água carrega os resíduos e os sacos entopem os ralos”, solicitou o prefeito.
Dois fenômenos coincidiram
A situação na região metropolitana de Santo Domingo piorou devido à coincidência de dois fenômenos atmosféricos, cada um dos quais tende a trazer muita chuva individualmente: uma onda tropical e um sistema de baixa pressão.
Ceballos informou que as chuvas continuarão durante todo o sábado e que a situação climática só começará a se normalizar no domingo.
Duas pessoas morreram devido às fortes chuvas
O Centro de Operações de Emergência (COE) recebeu um chamado informando sobre uma pessoa morta nas proximidades da ravina "Las 800" em "Los Ríos", quando tentava resgatar um veículo que estava sendo arrastado pelas águas.
A outra pessoa morreu no setor "Villa Claudia" quando uma parede desabou sobre ela.




