O objetivo do Código de Construção é criar um caminho transparente desde o projeto, passando pela inspeção, até a obra concluída, com materiais e padrões verificáveis que buscam reduzir a improvisação e minimizar os riscos para os compradores.
SANTO DOMINGO – Quase meia-noite em 31 de dezembro. Na sala de estar de seu apartamento em Nova Jersey, Brenda observava pela janela os fogos de artifício que anunciavam a chegada do ano novo, enquanto lá fora, uma brisa fresca agitava os galhos nus das árvores.
Em sua mente estava Santo Domingo, o apartamento que vira online, nas plantas, nas projeções digitais e nas intermináveis conversas com seu primo César, que fora sua bússola quando surgiam dúvidas sobre imóveis.
César havia discutido cada detalhe com ela, e naquela noite, em meio a risos e votos de felicidades, ele voltou ao assunto que mais o preocupava: a qualidade da construção da casa que planejava comprar.
“Primo, você sabe que uma bela imagem não é a mesma coisa que uma estrutura sólida na realidade”, disse César enquanto abria uma garrafa de champanhe. “Em Santo Domingo, depois de vários incidentes no ano passado com prédios que não resistiram à água, ao clima e até mesmo a goteiras causadas por fortes chuvas, as pessoas estão muito mais conscientes do que significa qualidade de construção de verdade.”.
E ele estava certo. O mercado imobiliário dominicano encerrou 2025 com muita discussão pública sobre a necessidade de elevar os padrões e estabelecer regulamentações claras para a construção. Especialistas têm enfatizado, como já foi publicado nesta revista especializada, que o país precisa de uma regulamentação mais robusta e de um arcabouço claro para proteger compradores e investidores, especialmente em projetos na planta ou em construção, onde as garantias e a fiscalização têm sido insuficientes.
O novo código de construção e por que ele é importante para Brenda
Um desenvolvimento recente foi a apresentação de um novo Código de Construção para a República Dominicana pelo Ministério da Habitação, Habitat e Edificações. Este código visa fortalecer os padrões técnicos no setor da construção em todo o país, desde os cálculos estruturais até os materiais utilizados, e inclui especificações mais claras para instalações elétricas e hidráulicas, bem como para o projeto arquitetônico.
O objetivo é criar um caminho transparente desde a concepção, passando pela inspeção, até a obra finalizada, com materiais e padrões verificáveis que visam reduzir a improvisação e minimizar os riscos para os compradores.
César sabia que esse era um passo importante, mas também explicou a Brenda que a existência de um código não garante, por si só, a qualidade: é preciso saber usá-lo a seu favor.
“Não dá para comprar só porque você gosta da vista ou adora a projeção digital”, disse ele, olhando para o vidro. “É preciso perguntar se está em conformidade com as normas exigidas por lei hoje em dia, porque isso se traduz em segurança estrutural e durabilidade.”.
O que Brenda deve verificar antes de assinar
Assim que o relógio bateu meia-noite, César disse a Brenda para pegar seu caderno e anotar a lista de aspectos específicos que ela deveria verificar com cada incorporador ou construtor antes de tomar uma decisão:
1. Planos oficiais e especificações técnicas
Você deve solicitar as plantas aprovadas pelas autoridades competentes e compará-las com as apresentadas no anúncio. As plantas oficiais devem detalhar a estrutura, os materiais, a espessura das paredes e fundações, bem como as características das instalações hidráulicas e elétricas.
2. Especificação de materiais com certificações ou normas
“Boa mão de obra” não basta. É preciso solicitar documentos que especifiquem os materiais que serão utilizados (marca dos blocos, tipo de aço, qualidade do cimento, acabamentos). De acordo com a Lei 189-11, o Estado deve manter uma categoria e um cadastro público de materiais de construção aprovados, o que significa que essas informações devem ser acessíveis e verificáveis.
3. Inspeções e supervisão
Você deve exigir comprovação de que a obra está sendo inspecionada por profissionais certificados (arquitetos e engenheiros) e que existe um plano de controle de qualidade regular. Questionar se há supervisão externa ou auditoria técnica pode fazer a diferença.
4Cronogramas e etapas de trabalho
Conhecer o percurso da construção, da escavação ao acabamento, com os principais marcos e pontos de inspeção, ajuda a entender se o projeto está progredindo de forma ordenada ou se há improvisação.
5. Histórico do construtor ou incorporador
Pesquise os projetos anteriores da construtora e como eles se saíram em termos de clima, uso e garantias. Conselhos locais confiáveis (como de corretores de imóveis estabelecidos e de boa reputação) são essenciais.
6. Contratos claros e cláusulas de qualidade
O contrato deve detalhar o que acontece se as especificações técnicas acordadas não forem cumpridas, quais garantias o construtor oferece e como os defeitos serão resolvidos após a entrega do imóvel. Isso protege o comprador de surpresas ou despesas imprevistas.
Reflexão de Ano Novo
Naquela manhã, enquanto as luzes de Ano Novo iluminavam o céu de Nova Jersey, Brenda percebeu que seu retorno dependia não apenas de ilusão ou nostalgia, mas de fatos concretos, conhecimento, inspeção, transparência e apoio profissional.
César ergueu o copo e disse para ela: -“Prima, sua casa será seu lar se você a comprar com clareza e certeza, não com desejos e imagens bonitas.”
Brenda sorriu. 2026 começava com mais certezas e uma lista de perguntas claras que finalmente lhe permitiriam decidir com a cabeça e com o coração.




