Apenas algumas horas após o trágico acontecimento, a vida continuava seu curso no local, com os trabalhadores seguindo com suas tarefas diárias.
Por Gissel Taveras
El Inmobiliario
SANTO DOMINGO- A questão da segurança rodoviária e das precauções que as construtoras devem tomar em projetos futuros voltou à tona após o terrível acidente no setor Evaristo Morales, no Distrito Nacional, que custou a vida de duas pessoas depois que o veículo em que estavam caiu em um buraco em um prédio em construção.
Apenas algumas horas após o infeliz incidente, na tarde de segunda-feira, os arredores pareciam normais, enquanto dentro da fundação do projeto, quatro supostos trabalhadores foram vistos, inclusive perto dos destroços do carro destruído.
Segundo uma placa afixada na fachada do projeto, a Prefeitura do Distrito Nacional (ADN), por meio de sua Diretoria de Planejamento Urbano, aprovou o projeto preliminar da construção, mesmo sem os muros de contenção adequados.
A este respeito, o presidente da comissão de gestão de riscos da ADN, Rafael Gutiérrez, declarou ontem em comunicado de imprensa que apresentará um projeto de resolução sobre o estado das escavações abertas para fins de construção na capital, a fim de determinar as medidas de segurança que devem ser implementadas pelas construtoras, com a devida supervisão da Câmara Municipal, da Prefeitura e de outras instituições estatais competentes.
Ele garantiu que consultarão associações de bairro e organizações da sociedade civil que representam o setor da construção.
Da mesma forma, o Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED) revelou que até o momento não recebeu um pedido de inspeção inicial do titular da licença para o projeto Evaristo Morales, mas sim que este se encontra na fase preliminar de uma inspeção inicial.
Opiniões de especialistas
Alguns especialistas concordam que, considerando a negligência ou o descaso por parte de muitos empreiteiros e investidores privados em relação à segurança nos canteiros de obras e à proteção de terceiros, é necessário um apelo público à reflexão.
Embora alguns não queiram revelar sua identidade, especialistas consultados afirmam que o caso da tragédia causada pela queda de um veículo no abismo está sendo tratado apenas como um acidente de trânsito (colisão) e perda de controle do carro.
"No entanto, a obra deve ser coberta por uma apólice de seguro de responsabilidade civil contra terceiros", enfatizou um representante do setor.
Agrga afirma que "neste caso, a escavação profunda deveria ter sido protegida com barreiras metálicas ou muros do tipo New Jersey em todo o perímetro, e não apenas com zinco, já que este último serve apenas para fins visuais, não para segurança".
Ele acrescenta que os inspetores do MIVHED devem exigir o cumprimento desse tipo de proteção e do seguro de responsabilidade civil contra terceiros.
Por sua vez, Teodoro Tejada, ex-presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA), foi um dos primeiros a reagir à tragédia, revelando que o acidente poderia ter sido evitado com a construção de muros de contenção.
Além disso, ele afirmou que o incidente, no qual duas pessoas perderam a vida, foi um ato de irresponsabilidade por parte da Direção Geral de Segurança no Trânsito e Transporte Terrestre (Digesett), do Ministério da Habitação e das municipalidades.
Da mesma forma, o especialista em segurança Amado Arias afirmou que a maioria das construtoras viola a Lei nº 687 ao não utilizar os muros de contenção estipulados na regulamentação.
Ele enfatizou que "esta lei estabelece um sistema para o desenvolvimento de normas técnicas para a elaboração e execução de projetos de engenharia, arquitetura e áreas afins".
De acordo com a regulamentação, o Estado deve assegurar que as instituições estatais com competências nessas áreas implementem um sistema de normas técnicas que garantam a segurança das estruturas, a preservação ambiental e outras normas relativas a obras de transporte e edificações.
O geólogo Osiris de León também deu sua opinião sobre o assunto, afirmando: “Não é a magnitude do impacto da colisão, mas sim a magnitude do impacto da queda na cratera; se a cratera não existisse, não teria passado de uma simples colisão com uma pequena amassadura reparável.”.
Ele acrescentou que, devido à proliferação de escavações profundas no país, algumas das quais atingiram profundidades de até 20 metros e outras que permaneceram abandonadas por décadas, eles pediram às autoridades, por meio da mídia, que estabeleçam um prazo de seis meses para revogar as licenças de construção e obrigar o preenchimento dos buracos resultantes.
Isso tem como objetivo proteger e salvaguardar a vida dos cidadãos em caso de qualquer incidente.
Reações dos moradores
Um ponto em comum entre os moradores e transeuntes do setor Evaristo Morales, especificamente no cruzamento das ruas Roberto Pastoriza e José Tapia, onde ocorreu o incidente, é que essa área deveria ter melhor iluminação, além da instalação de lombadas para evitar que esses eventos lamentáveis aconteçam.
“Aqui, estamos acostumados a agir depois que as coisas acontecem, e não antes”, diz um jovem da região.
Ele também menciona que esta não é a primeira vez que tais eventos ocorrem e as autoridades não fazem nada.
O nome e a situação da construtora responsável pelo projeto são desconhecidos no momento, e a empresa não se pronunciou sobre o assunto.
Consequentemente, especialistas da área têm enfatizado que as leis devem ser rigorosamente aplicadas em todas as construtoras para proteger a vida das pessoas e que, caso contrário, os responsáveis devem ser responsabilizados perante a lei.




