Por Pamela Núñez
Especial para El Inmobiliario
No dinâmico mundo do mercado imobiliário, regulamentações claras e precisas são essenciais para proteger tanto as imobiliárias quanto os clientes. Recentemente, nossa imobiliária, Canablue Real Estate, Punta Cana, esteve envolvida em um caso que ressalta a necessidade urgente de uma legislação mais abrangente na República Dominicana.
Tudo começou quando uma profissional do turismo, sem familiaridade com o setor imobiliário, nos contatou para vender um imóvel a um de seus clientes. Em nosso escritório, explicamos detalhadamente nosso programa de indicações, criado para recompensar aqueles que nos conectam com potenciais compradores. No entanto, um pequeno erro na redação do contrato de indicação desencadeou uma enorme confusão.
O documento não especificou que a comissão de 10% se aplicava apenas à comissão recebida pela nossa agência, e não ao preço total da venda. Essa omissão involuntária, porém crucial, levou a pessoa que indicou o imóvel a acreditar que tinha direito a 10% do valor total da propriedade, um valor superior até mesmo ao que nossa agência esperava receber em comissões pela transação.
Apesar de nossos esforços para esclarecer a situação, a empresa que nos indicou o cliente optou por levar o caso à justiça. O que se seguiu foi um longo e exaustivo processo legal que durou dois anos. Finalmente, para nossa surpresa e decepção, os tribunais decidiram a favor da empresa que nos indicou o cliente, obrigando-nos a pagar 10% do valor total da venda, o que nos causou um prejuízo significativo.
Este veredicto evidenciou uma realidade dolorosa: a falta de compreensão dos termos específicos do negócio imobiliário por parte do sistema judicial e a ausência de uma regulamentação clara para proteger as agências em situações como a nossa.
A legislação atual ampara os acordos entre as partes e, como nosso contrato continha um erro processual, a decisão favoreceu o agente que nos indicou o cliente. No entanto, a implementação de regulamentações específicas para o setor imobiliário poderia não apenas fornecer diretrizes claras para os tribunais, mas também evitar mal-entendidos semelhantes no futuro, protegendo agentes, seus agentes de indicação e clientes.
Este caso não só destaca a atual vulnerabilidade das agências imobiliárias na República Dominicana, como também sublinha a urgência de uma legislação que reflita a complexidade e a importância do setor, garantindo proteção adequada a todas as partes envolvidas.
Embora tenhamos cumprido a ordem judicial e concluído o pagamento à agência que nos encaminhou o caso, é crucial destacar a preocupação persistente com a falta de proteções legais claras em nossa área. Uma regulamentação eficaz não só fortalecerá as agências, como também promoverá maior transparência e confiança no mercado imobiliário dominicano.
Chegou a hora de o setor imobiliário na República Dominicana ser amparado por regulamentações que garantam equidade, transparência e justiça para todos os seus participantes.
O autor é corretor e proprietário da Canablue Real Estate, em Punta Cana, com mais de 10 anos de experiência no ramo imobiliário.




