SANTO DOMINGO -A Direção-Geral de Contratações Públicas (DGCP) informou ontem, quinta-feira, a suspensão de 20 Cadastros Estatais de Fornecedores (RPE) de pessoas jurídicas e consórcios ligados a uma estrutura de fornecedores que supostamente manipulou processos de licitação com o Estado por meio de práticas fraudulentas.
De acordo com a resolução nº DGCP44-2025-004600, os nomes das empresas cujos registros foram suspensos são: Comerdon, SRL; Inversiones Qtek SRL; Condelca, SRL; Tingley Business, SRL; Mediterráneo Investments Group, SRL e Kury Limited.
Também a Importadora Coav, SRL; Empresas Integradas, SAS; Flexiplas, SRL; Inversiones Nogal Verde, SRL; Agro Avícola Benevento, SRL; Grupo Empresarial Barnichta, SRL; Inversiones Yang, SRL; Topicverse, SRL e Roment, SRL.
Da mesma forma, o Consórcio de Empresas Integradas e Concreto Protendido; Empresas Integradas e Yeara Construction Company; Empresas Integradas e Farmasino; Empresas Integradas e Tankasa e o Consórcio de Importadores Integrados (Coav Importer).
A DGCP informou que, com o prosseguimento das investigações, é provável que outras pessoas físicas ou jurídicas ligadas ao mesmo processo sejam adicionadas à lista de indivíduos desqualificados.
Ele explicou que essa decisão decorre da investigação administrativa conduzida pela Direção-Geral de Licitações Públicas e da investigação criminal em curso pelo Ministério Público e pela Procuradoria-Geral da República contra essas empresas e consórcios por supostos crimes como fraude contra o Estado, suborno, conluio, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, associação criminosa, entre outros crimes que afetam diretamente o patrimônio público e os procedimentos de licitação pública.
Em comunicado à imprensa, a DGCP esclareceu que esta decisão não constitui uma sanção, mas sim uma medida de precaução necessária para proteger o interesse público, a concorrência e a integridade do Sistema Nacional de Licitações Públicas (SNCP) enquanto decorre a investigação criminal correspondente.
A instituição salientou que constitui um "risco grave e iminente" para a integridade do sistema quando existem indícios razoáveis de que uma ou mais empresas se envolveram em atos organizados de conluio e outros crimes relacionados com as contratação pública, uma vez que tal afeta a livre concorrência, a transparência, a utilização eficiente dos recursos públicos e a igualdade entre os licitantes.
“O simples fato de manter a autorização de funcionamento das empresas sob investigação implica um risco real de que os alegados licitantes infratores voltem a cometer infrações, obstruções ou perturbações do processo, situação que justifica a adoção da medida cautelar”, destaca o ato administrativo disponível no portal institucional DGCP44-2025-004600.
Fundo
O órgão diretivo lembrou que, no final de outubro, enviou à Procuradoria-Geral da República um relatório técnico elaborado em conjunto com a Unidade Antifraude da Controladoria-Geral da República, que documenta que a referida estrutura supostamente manipulou processos de contratação com o Estado, envolvendo-se também em alegados atos de intimidação, extorsão e possíveis ligações com funcionários públicos, afetando diretamente a livre concorrência e a igualdade de participação dos licitantes.
De acordo com os resultados da pesquisa, essas empresas apresentam padrões semelhantes de participação conjunta, rodízio de vencedores e concentração de contratos em setores específicos do mercado público.
O documento inclui ainda depoimentos de fornecedores afetados, que relataram ameaças, chantagens e pressões para desistirem de contratos legítimos, demonstrando a existência de mecanismos de intimidação e manipulação que distorcem a transparência e a imparcialidade dos processos.




