Início das obras : desaceleração e incerteza global paralisam a construção na República Dominicana, afirma Fermín Acosta

A desaceleração global e a incerteza estão prejudicando a construção na República Dominicana, afirma Fermín Acosta

O ex-presidente da Acoprovi destaca que a combinação de taxas elevadas, atrasos institucionais e incerteza internacional mantém o setor em seu ponto mais crítico em anos.

SANTO DOMINGO– O empresário Fermín Acosta, ex-presidente da Associação Dominicana de Construtores e Incorporadores Imobiliários (Acoprovi), afirmou que o setor da construção civil atravessa um dos mais complexos dos últimos anos, marcado por altas taxas de juros, incerteza internacional e uma notável desaceleração na aprovação de projetos.

Em entrevista ao programa La Ventana, Media El Inmobiliario, Acosta explicou que a atividade da construção civil, que já representou até 17% do PIB nacional, atualmente gira em torno de apenas 2%, após vários trimestres de crescimento negativo.

Ele destacou que essa recessão não afeta apenas as construtoras, mas toda a estrutura econômica que depende do setor. “Quando a construção para, tudo para: bancos, fornecedores, empresas e serviços. Da indústria do cimento à cozinheira que serve os operários da construção”, afirmou.

Acosta atribuiu parte da desaceleração a fatores externos, especialmente à incerteza econômica nos Estados Unidos. Ele indicou que a economia dominicana, por estar ligada à economia americana, é altamente sensível às mudanças nas taxas de juros definidas pelo Federal Reserve (Fed).

Ele lembrou que as taxas de juros provisórias para a construção civil atingiram níveis de 16% e 17%, que ele descreveu como "insustentáveis" tanto para construtoras quanto para compradores, pois aumentaram significativamente o custo dos projetos e limitaram o poder de compra das famílias.

Fermín Acosta.(Fidel Perez/El Inmobiliario).

Dominicanos no exterior

Fermin Acosta afirmou que o cenário atual no setor da construção civil impactou diretamente os dominicanos residentes no exterior, que — segundo ele — representam cerca de 60% dos compradores de imóveis residenciais no país, um segmento que geralmente adquire propriedades por meio de financiamento e que também foi afetado pelo aumento do custo do crédito.

Ele explicou que as construtoras tiveram que incluir cláusulas nos contratos porque um projeto pode durar anos e, portanto, qualquer aumento no preço acaba impactando todos os custos de execução.

Ele salientou que, embora o índice de custos diretos meça alguns aumentos, não inclui as despesas administrativas ou operacionais, que também aumentaram e afetam diretamente o preço final dos imóveis.

Perspectiva otimista

O empresário considerou que, apesar do panorama complexo, existem sinais positivos, como as recentes reduções nas taxas de juros anunciadas pelo Fed e refletidas no mercado local nos últimos meses.

Outro fator que ele destacou foi a aprovação da Lei de Locação, que, segundo ele, proporciona segurança jurídica aos investidores e pode incentivar o desenvolvimento de projetos destinados ao aluguel, ampliando a oferta de moradias.

Acosta também observou que o país tem um déficit habitacional de mais de 1,5 milhão de casas, razão pela qual considera crucial desbloquear projetos privados que estão atualmente paralisados ​​ou progredindo lentamente devido a atrasos institucionais.

Ele indicou que, embora o Ministério da Habitação demonstre maior eficiência em seus processos, os empreendimentos exigem aprovações adicionais em outras entidades, e os atrasos acumulados afetam a rentabilidade e a continuidade das obras.

Nesse sentido, ele reconheceu que o Presidente da República havia solicitado a identificação do local onde os arquivos estão guardados e dos funcionários responsáveis ​​pelos atrasos, medida que descreveu como necessária para reativar o setor.

Acosta afirmou que, apesar da queda nas vendas registrada no último ano e meio, nos últimos dois ou três meses houve uma ligeira recuperação na colocação de unidades devido à tendência de queda das taxas.

Por fim, ele insistiu que a combinação de maior estabilidade financeira, processos mais ágeis e intervenção direta do Poder Executivo poderia ajudar o setor da construção a recuperar o seu ritmo nos próximos meses.

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Aylin Valentin
Aylin Valentin
Jornalista apaixonado por investigação e comprometido com as boas práticas do jornalismo, focado em reportar com responsabilidade, ética e veracidade para contribuir para uma sociedade mais consciente e bem informada.
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