SANTO DOMINGO - A Confederação Dominicana de Micro, Pequenas e Médias Empresas da Construção Civil (Copymecon) propôs, nas audiências públicas realizadas ontem no Congresso Nacional, que as isenções fiscais para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) da construção civil e do setor empresarial sejam prorrogadas por dois anos para a formalização, e não conforme proposto no projeto de modernização tributária apresentado pelo Poder Executivo.
Ele salientou que o projeto estabelece que as pequenas e médias empresas paguem com base em 40% e 60% da receita do período, respectivamente.
Eliseo Cristopher, presidente das PMEs da construção civil, também sugeriu que a reforma tributária seja feita por meio de um pacto fiscal, que envolva todos os setores sociais e produtivos do país.
Ele argumentou que esta proposta leva em consideração a vulnerabilidade e o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), um setor que impacta o desenvolvimento e a estabilidade das economias locais e que constitui parte da maior parte do tecido econômico e empresarial do país.
“Como o tecido empresarial do país é constituído principalmente por micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), mais acentuadamente no setor da construção, e considerando os níveis existentes de informalidade, há razões pelas quais a maioria delas não consegue lidar com a carga tributária devido ao seu alto nível de vulnerabilidade econômica”, explicou ele.
Ele afirmou que o setor da construção civil deveria receber tratamento preferencial na área de habitação popular, dada a significativa carência habitacional e o impacto econômico e social desses projetos. “Portanto, propomos também um sistema especializado para projetos de construção realizados por micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), como já mencionado.”.
Desequilíbrio

Eliseo Cristopher. (Fonte externa).
Cristopher afirmou que, desde sua criação, a Copymecon defende um sistema tributário mais eficiente, portanto, ele entende que a principal razão para a reforma tributária é o desequilíbrio existente entre os gastos e a receita do governo.
Nesse sentido, ele considerou que a reforma tributária deve ser abrangente, abordando todos os aspectos do sistema tributário do país e combatendo o problema da evasão e sonegação fiscal, uma vez que atualmente a evasão do imposto de renda e do ITBIS ultrapassa 45% e outros agentes evitam o pagamento de impostos.
"Além de ser abrangente, isso deve ser progressivo, o que significa que aqueles que ganham mais devem pagar mais, proporcionalmente, e que a carga tributária não deve depender tanto de impostos indiretos, já que estes, por sua natureza, são regressivos ou contraproducentes.".
Ele opinou que o orçamento da República Dominicana é dedicado principalmente a salários e contribuições, pagamentos da dívida pública e sacrifícios ou gastos fiscais, de modo que muito pouco do orçamento nacional sobra para investimentos em infraestrutura.
“Nossa proposta é uma revisão dos gastos correntes. Por exemplo, ao analisarmos as funções das estruturas organizacionais do Estado, observamos que existem instituições com funções muito semelhantes, o que gera sobreposição e duplicação de funções, resultando em falta de coordenação e desperdício de recursos. Também foi observado que, em muitas instituições, a maior parte do orçamento é destinada a despesas correntes ou folha de pagamento”, afirmou.
Revisão das leis
A Copymecon acredita ser imprescindível que o país realize uma revisão séria de todas as leis de incentivos fiscais, que há muito favorecem diversos setores da economia nacional, limitando significativamente a receita do governo. "Embora algumas isenções sejam necessárias, outras tiveram resultados contraproducentes. Portanto, muitas dessas isenções devem ser revisadas e direcionadas, mas nunca generalizadas", enfatizaram.
Investimento estrangeiro
A Copymecon acredita que a República Dominicana tem fomentado um ambiente altamente receptivo aos investimentos internacionais, adotando políticas para minimizar os procedimentos burocráticos e oferecendo incentivos fiscais significativos, bem como assistência gratuita.
“Nesse sentido, entendemos que o país deve criar e fortalecer a confiança e a credibilidade, garantir o Estado de Direito, as garantias legais e a transparência para que o capital de investidores estrangeiros continue a fluir e a chegar ao país, gerando crescimento e bem-estar para a nação”, disse ele.
Ele enfatizou que a Constituição Dominicana concede os mesmos direitos aos investidores estrangeiros que aos nacionais e exige deles os mesmos deveres, e a Lei 16-95, sobre Investimento Estrangeiro, promulgada em 20 de novembro de 1995, reconhece expressamente que o investimento estrangeiro contribui para o crescimento e desenvolvimento econômico do país.
“Esse comportamento favorável do investimento estrangeiro contribui positivamente para as receitas cambiais na República Dominicana, representando 11,57% do total de USD 11.069,3 milhões recebidos por esse investimento durante o período de janeiro a março de 2024.”.




