Este artigo foi publicado em 2 de setembro do ano passado, como parte da primeira edição de El Inmobiliario. Aproveitamos o seu primeiro aniversário para compartilhá-lo com nossos leitores.

SANTO DOMINGO – O setor da construção civil deverá superar os níveis pré-pandemia este ano, com um crescimento estimado entre 15% e 18%. Desse total, 80% deverão corresponder à construção residencial, superando a taxa de crescimento de 10,5% registrada em 2019.
Dados certificados pelo Instituto Nacional de Habitação (INVI) no primeiro semestre deste ano comprovam que 12.000 unidades habitacionais foram construídas por meio de parcerias público-privadas, enquanto no ano passado o número de unidades construídas foi de 14.000.
“Isso significa que, assim como aconteceu no primeiro semestre, o setor continuará liderando o crescimento, conforme apontam os dados do Banco Central, que demonstram claramente que o segmento de crescimento mais rápido nesse período é a construção civil, que representa praticamente 18% do PIB”, afirma Jorge Montalvo, presidente da Associação de Construtores e Promotores Imobiliários (ACOPROVI).
Embora inclua outras categorias, ele garante que a maior porcentagem corresponderá à habitação, porque o confinamento devido à COVID-19 motivou as pessoas a priorizá-la e, desde o último trimestre do ano passado, quando as atividades comerciais foram retomadas, o dinamismo do setor tem sido crescente, com demandas surpreendentes para seus promotores imobiliários.
Montalvo, no entanto, deixa claro que, entre os desafios enfrentados pelo setor de seguros, está a garantia de que os projetos em andamento não sejam afetados por um aumento significativo de preços que leve os clientes a adiarem a finalização da venda; daí a importância de continuar a tomar medidas para conter o aumento dos custos das matérias-primas.
Ele afirmou que, desde o ano passado, os custos de produção aumentaram entre 50% e 100%, o que resultou em um aumento vertiginoso do preço por metro quadrado entre 25% e 30%, um impacto que ele considera brutal para o mercado.
Durante as sessões de trabalho realizadas no mês passado no Palácio Nacional, a ACOPROVI recomendou que, em caráter temporário, o cálculo das tarifas fosse baseado nos valores de frete pré-pandemia, medida que teria impacto imediato sobre os materiais de construção. “Na China, os custos de frete saltaram de pouco mais de 2.000 para mais de 12.000, um aumento desproporcional”, enfatizou Montalvo.
Como resultado dessas reuniões, por meio do Ministério da Indústria e Comércio, foi alcançada uma redução de 15% no preço do cimento, que estará em vigor até 31 de dezembro deste ano, embora apenas para programas estatais; o PVC teve seu preço reduzido em 15% e o aço, o material mais utilizado, foi reajustado em 4% e 8% para todo o setor; embora o líder entenda que essas reduções ainda não tenham um impacto suficiente no mercado, levando em consideração os aumentos registrados nesses produtos no último ano, alguns dos quais chegaram a 100%.
O Ministério da Habitação aplaude
O presidente da ACOPROVI celebrou a criação do Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED), pois entende que se trata de uma conquista reivindicada pela associação há mais de 22 anos.
“Entendemos que este é um passo crucial, pois éramos um dos poucos países que não possuíam essa lei. Com ela, poderemos implementar políticas públicas sobre o assunto, que antes eram dispersas. Há alguns anos, qualquer ministério podia ter um plano habitacional, mas não era uma forma eficaz de lidar com o déficit habitacional”, afirmou.
Ele citou os dados mais recentes do Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), que apontam um déficit habitacional no país de quase dois milhões de unidades. “Temos o déficit qualitativo, que se refere a moradias vulneráveis e gira em torno de 1,4 milhão de unidades, e o déficit quantitativo, que é de quase 600 mil unidades.”.
Ele entende que, com o plano de inclusão do setor privado em programas de habitação popular, um plano decenal começará a ser desenvolvido, estabelecendo metas para que todo dominicano possa realizar o sonho de ter uma casa digna.





