Página inicial >Mercado imobiliário> Como uma “oferta irresistível” atraiu centenas de pessoas para um suposto...

Como uma “oferta irresistível” enganou centenas de pessoas em um suposto golpe imobiliário

Yves Alexandre Giroux se entregou às autoridades ontem.

Por Escarlin Pozo

El Inmobiliario

SANTO DOMINGO.- Ela dedicou toda a sua vida a trabalhar em uma cozinha na Europa. Sua maior esperança era que, com o dinheiro que economizou com muito esforço, pudesse comprar uma propriedade na terra onde nasceu e partir para um futuro melhor: a República Dominicana.

Essa mulher trabalhadora pensou ter encontrado um ótimo negócio que lhe permitiria alcançar um grande objetivo de vida. Mas não foi bem assim. Hoje, ela consta na lista das 128 vítimas do golpe imobiliário que ocorreu no país, apelidado de "Operação Guepardo" pelo Ministério Público.

Segundo o advogado Carlos Báez, que representa 43 demandantes, essa mulher foi uma das pessoas que mais contribuiu para reservar seu apartamento, investindo um total de US$ 28.000, o que representa 80% do valor total do imóvel.

Os alegados fraudadores, identificados pelo Ministério Público, vendiam simultaneamente dois empreendimentos atraentes através das redes sociais: Romana Victoriana Residences e Bávaro Victoriana Residences. O seu modus operandi consistia em oferecer imóveis a preços muito abaixo do valor de mercado, com descontos até 50%.

Em La Romana, segundo Báez, havia um total de 439 apartamentos à venda, dos quais “mais de 300 já haviam sido vendidos”. Em Bávaro, a média era de 428 apartamentos disponíveis para venda.

Segundo o processo de 287 páginas do pedido de medidas coercitivas elaborado pelo Ministério Público, Rocío del Alba Rodríguez de Moya, uma das acusadas detidas na sexta-feira, dia 7, durante a operação das autoridades, teria contratado a RE/MAX One para atuar como corretora principal dos empreendimentos ligados à fraude, com o objetivo de gerar "confiança" nos compradores.

Quando começaram a vender em 2021, prometeram que os projetos habitacionais em La Romana seriam entregues em 2024. Um cenário que nunca se concretizou.

Mas o pior é que um representante de algumas das vítimas explicou que o terreno onde o projeto seria construído sequer havia sido totalmente pago. "Em outras palavras, desde o início, eles não tinham a intenção de levar adiante esse empreendimento.".

Yves Giroux se entrega como acusado

Yves Alexandre Giroux, um dos principais suspeitos, que estava foragido, se entregou ontem, terça-feira, à promotoria de La Romana.

“Giroux dedicava-se à promoção de projetos imobiliários, atraindo compradores da República Dominicana, Porto Rico, Estados Unidos e Europa, por meio da promoção da RE/MAX, uma empresa internacional altamente reconhecida por sua credibilidade neste mercado”, informou a Procuradoria-Geral da República (PGR) após sua prisão.

No caso de Loany Lismeiry Ortiz Nova, Báez destacou que ela é uma fugitiva e, segundo informações que vêm sendo divulgadas, pode estar na Colômbia.

Marisol Nova Nolasco também está presa em conexão com o caso por seu envolvimento nessa estrutura criminosa que cometeu fraudes sob o nome da empresa Novasco Real Estate SRL.

“Vamos continuar cautelosos, mas sim, o Ministério Público, em suas investigações, pode continuar a implicar outras pessoas que também terão que responder por sua participação”, revelou o advogado.

Carlos Báez afirmou que outras pessoas terão que comparecer perante os tribunais, uma vez que existem quatro empresas envolvidas no mesmo esquema, oferecendo imóveis e atraindo clientes para depositar dinheiro na empresa Novasco.

A maioria dos afetados está no exterior. Na Europa – Suíça, Espanha e Ilhas Canárias – bem como nos Estados Unidos e em Porto Rico.

Como identificar uma oferta suspeita e evitar ser enganado

Por sua vez, o advogado Marcelo Álvarez, que também participou do programa El Día e representa 14 vítimas, revelou um mecanismo para evitar ser enganado.

Inicialmente, ele indicou que mesmo que as pessoas tenham 100% do dinheiro que representa o custo do apartamento, elas devem reservar 90% e passar os outros 10% por um filtro bancário.

Álvarez enfatizou que os bancos são entidades com processos de verificação rigorosos, o que os torna menos suscetíveis a serem enganados.

Portanto, ele recomendou que, se uma instituição bancária rejeitar um empréstimo sem que o solicitante tenha problemas de crédito pessoal, isso seja considerado um sinal de alerta.

Isso pode indicar que o banco identificou irregularidades no projeto imobiliário e decidiu não se envolver.

Nesse caso, o comprador deve investigar minuciosamente antes de prosseguir com o investimento, evitando assim cair em possíveis golpes.

Durante o período em que atuou como consultor jurídico, ele destacou que, ao representar uma pessoa, solicitam aos incorporadores os seguintes documentos: uma cópia da certidão de matrícula do imóvel para determinar em nome de quem o título está registrado e a certidão que comprova a situação jurídica do imóvel.

“Isso nos dirá se há algum litígio, alguma dívida, alguma oposição, qualquer coisa que impeça a transferência definitiva da propriedade para a construtora”, disse ele.

Foto da capa: Projeto Victoriana Bávaro, um dos empreendimentos comercializados pela Novasco Real Estate SRL em um esquema fraudulento, segundo o Ministério Público.

Seja o primeiro a saber das notícias mais exclusivas

imagem_local
El Inmobiliario
El Inmobiliario
Somos o principal grupo de mídia da República Dominicana, especializado nos setores imobiliário, da construção civil e do turismo. Nossa equipe de profissionais se dedica a fornecer conteúdo valioso, apresentado com responsabilidade, comprometimento, respeito e compromisso com a verdade.
Artigos relacionados
Anúncio Banner Coral Golf Resort SIMA 2025
Anúncio imagem_local
Anúncioimagem_local