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Uso misto em ascensão: mais do que uma tendência, uma transformação urbana na República Dominicana

As áreas urbanas densas estão redefinindo o investimento imobiliário no país, com propriedades que integram habitação, comércio, escritórios e serviços no mesmo espaço.

SANTO DOMINGO – Em 2025, a República Dominicana vivencia uma transformação silenciosa, porém profunda, em seu modelo de desenvolvimento urbano, especialmente em áreas densamente povoadas como Santo Domingo e Santiago, que apostam no novo paradigma imobiliário: empreendimentos de uso misto que integram moradia, comércio, escritórios e serviços no mesmo espaço.

Esse modelo, comum em cidades cosmopolitas como a Cidade do México, Bogotá ou Miami, está começando a se consolidar no país como resposta à densificação, à demanda por eficiência e à necessidade de revitalizar os ambientes urbanos.

Nos de Piantini, Naco e Bella Vista, onde o concreto se ergue e cafés coexistem com escritórios e apartamentos, o desenvolvimento de uso misto como tendência imobiliária está se consolidando. Mas, além de ser uma moda arquitetônica, esse modelo representa uma profunda transformação na maneira como o país pensa, projeta e habita suas cidades.

Os espaços de uso misto combinam todas as funcionalidades em uma única área. Em vez de separar as zonas por atividade, elas são integradas, permitindo que as pessoas reduzam seus deslocamentos e promovendo a interação social.

“Esses empreendimentos oferecem vantagens para consumidores e investidores: conveniência, rentabilidade e sustentabilidade”, afirma a Eme Concepts, empresa especializada em planejamento urbano contemporâneo.

O que dizem as fontes internacionais?

1. Global Property Guide (GPG): rentabilidade e densificação

O portal britânico GPG, especializado em investimento estrangeiro, destaca que o desenvolvimento de uso misto em áreas urbanas densas como Piantini e Naco responde à escassez de terrenos e à alta demanda por serviços integrados. Segundo sua análise, esse modelo permite maximizar a rentabilidade dos empreendimentos imobiliários, especialmente em contextos de crescimento do turismo e estabilidade macroeconômica.

Além disso, El Inmobiliario informou que os empreendimentos verticais e de uso misto estão ganhando terreno em Santo Domingo Este, onde estão planejadas torres de até 50 andares, com componentes residenciais, comerciais e corporativos.

2. Banco Mundial: Planejamento urbano integrado

Em seu estudo “Viabilizando o Caminho para Cidades e Territórios Prósperos”, o Banco Mundial enfatiza que a densificação urbana deve ser acompanhada de planejamento territorial. O desenvolvimento de uso misto é apresentado como uma solução para evitar a expansão descontrolada, melhorar a eficiência do uso da terra e promover cidades mais inclusivas.

3CEPAL: Sustentabilidade e Equidade Territorial

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) considera o desenvolvimento de uso misto como parte de um modelo de desenvolvimento urbano sustentável. Em seus relatórios sobre planejamento de uso do solo, destaca que essa abordagem reduz as desigualdades, revitaliza os centros urbanos e fomenta a participação cidadã no planejamento urbano.

4. Fundo Monetário Internacional (FMI): estímulo econômico indireto

Embora o FMI não aborde diretamente o desenvolvimento de uso misto, suas análises do Artigo IV sobre a República Dominicana reconhecem que o crescimento urbano, impulsionado pelo turismo e pelo investimento estrangeiro, gerou novas dinâmicas imobiliárias. O desenvolvimento de uso misto surge como uma resposta adaptativa a esse ambiente econômico.

5. Economia Comercial: Pressão sobre os Preços e Demanda Integrada

Este portal de indicadores econômicos mostra que os preços dos aluguéis em áreas urbanas densamente povoadas aumentaram mais de 170% nos últimos seis anos. Essa pressão impulsionou o desenvolvimento de projetos de uso misto que oferecem moradia, comércio e escritórios em um único local, como forma de atender à demanda e conter os custos.

Uma tendência visível

Na República Dominicana, projetos como o Distrito Piantini, o Blue Mall Residences e o Downtown Punta Cana integram habitação, comércio e escritórios com design vertical e áreas de convivência compartilhadas. A Prefeitura do Distrito Nacional também manifestou interesse em promover espaços de uso misto como parte de sua estratégia de revitalização urbana.

Este modelo também abre caminho para repensar espaços históricos como o Teatro Água y Luz, que poderia ser restaurado como um anfiteatro cultural multifuncional: arte, recreação, comércio justo e memória viva. Nesse contexto, o uso misto não é apenas lucrativo, mas também simbolicamente restaurador.

O desenvolvimento de uso misto não é apenas uma tendência imobiliária, mas parte de uma transformação urbana mais ampla que redefine como vivemos, trabalhamos e nos lembramos.

 Projetos emblemáticos

O primeiro edifício de uso misto da região norte, localizado no bairro Panorama, é o 031 Condo, em Santiago. Com 21 andares, o empreendimento contará com 85 apartamentos, 119 quartos de hotel, espaços comerciais e comodidades exclusivas. Sua inauguração oficial ocorreu em 30 de setembro de 2025.

Por outro lado, a Noval possui o megaprojeto Noval-BGC-CHEC em Santo Domingo Leste, que envolve um investimento de US$ 900 milhões. Trata-se de um complexo turístico e imobiliário que incluirá residências, lojas, escritórios e áreas verdes, com o objetivo de transformar a paisagem urbana da zona leste da capital e deverá gerar mais de 5.000 empregos.

Por que isso importa?

A ascensão dos empreendimentos de uso misto está redefinindo um segmento do investimento imobiliário na República Dominicana. Não se trata mais apenas de construir casas isoladas ou centros comerciais, mas de criar microcidades verticais que integram moradia, trabalho e lazer. Isso não só melhora a eficiência do uso da terra, como também impulsiona a economia local e reduz a pressão sobre a mobilidade urbana.

Os empreendimentos de uso misto representam uma evolução estratégica no planejamento urbano dominicano. Em um contexto de crescimento sustentado, demanda internacional e pressão sobre as cidades, esse modelo oferece uma alternativa viável, rentável e sustentável. Com projetos emblemáticos em andamento e apoio institucional, a República Dominicana se posiciona como um laboratório regional para o urbanismo multifuncional.

Por que a GPG está de olho na República Dominicana?

A atenção constante da Global Property Guide à República Dominicana reflete a validação internacional do dinamismo e da crescente maturidade do mercado imobiliário local. Como empresa especializada em análises comparativas de rentabilidade, preços e riscos em mais de 100 países, a GPG não publica com base no volume, mas sim na relevância estratégica.

A sua cobertura e atualizações frequentes, tabelas comparativas e análises de retorno de aluguel indicam que o país entrou no radar de investidores globais que buscam mercados emergentes com estabilidade macroeconômica, incentivos fiscais (como a Lei Confotur) e demanda sustentada.

Nesse sentido, a presença da República Dominicana nos relatórios da GPG pode ser interpretada como:

Reconhecimento do apelo regional: O país compete com destinos como Panamá, México e Colômbia em termos de rentabilidade e crescimento urbano.

Disponibilidade de dados confiáveis: A GPG analisa apenas mercados onde existe rastreabilidade estatística, o que implica que a República Dominicana melhorou sua transparência setorial.

Interesse de investidores institucionais: A publicação de dados sobre áreas urbanas densas, preços por m² e retorno de aluguel responde a perguntas importantes de fundos internacionais, incorporadoras e compradores.

Como uma colmeia

Em sua forma mais pura, o urbanismo de uso misto assemelha-se a uma colmeia: um organismo vivo onde cada espaço, como cada célula hexagonal, cumpre uma função específica, porém interdependente. Habitações, lojas, espaços verdes e centros culturais se entrelaçam como o trabalho das abelhas, gerando um fluxo constante de energia, colaboração e propósito.

Assim como nenhuma abelha vive isolada em uma colmeia, em uma cidade de uso misto a vida cotidiana se entrelaça em comunidade, reduzindo distâncias, otimizando recursos e cultivando um profundo senso de pertencimento. Essa visão urbana não apenas organiza o espaço: ela o preenche de vida.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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