A lei também proibia os desenvolvedores de projetos de realizarem vendas diretas aos clientes.
SANTO DOMINGO - Um projeto de lei apresentado ao Congresso Nacional pela Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias (AEI), no período de 2007-2008, não foi aprovado porque excluía os advogados da autorização automática para atuarem como corretores.
Essa é a opinião do engenheiro Luis Sabater Núñez, ex-presidente da AEI, que acrescenta que a proposta também proibia os incorporadores de realizar vendas diretas aos seus clientes.
Ele explicou que, naquela época, teve que desempenhar um papel duplo no projeto, "que avançou bastante no Congresso" durante os anos mencionados, porque, além de ser membro ativo e ex-presidente da AEI, atuava como assessor da Comissão de Obras Públicas do Senado da República.
“Naquela ocasião, a lei não foi aprovada devido à oposição de vários congressistas, especialmente da Comissão de Finanças do Senado, uma vez que a proposta excluía os advogados da autorização automática para atuarem como corretores”, disse ele em resposta a perguntas do El Inmobiliario.
Ele acrescentou que a lei também exigia o uso de corretores em todas as transações imobiliárias, proibindo que as construtoras vendessem diretamente aos seus clientes. “Isso foi considerado inconstitucional, pois limitava o livre comércio e restringia os direitos de propriedade privada. Na época, os executivos do AEI se recusaram a fazer as alterações sugeridas”, observou.

Engenheiro Luis Sabater Núñez. (Fonte externa).
Luis Sabater Núñez acredita que a lei que regulamenta a intermediação imobiliária deveria exigir formação profissional prévia e cursos de atualização periódicos obrigatórios para os agentes imobiliários.
Em relação à proposta atualmente em análise pela Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, o engenheiro opinou que devem ser estabelecidas responsabilidades com regimes de penalidades para as infrações, para as pessoas que exercem a profissão sem a licença emitida pela autoridade competente, e que isso deve ser previsto em lei para a emissão de autorizações de corretor de imóveis.
“Acredito que esse elemento deva ser a chave para garantir a qualidade do serviço e prevenir fraudes ou práticas abusivas, que têm causado tantos prejuízos a compradores e investidores”, afirmou o profissional.
Ele explicou que associações de empresas e/ou corretores de imóveis têm procurado profissionalizar a prática de corretagem de vendas ou aluguéis, como acontece na maioria dos países organizados.
Sabater Núñez argumentou que as primeiras tentativas de regulamentar a corretagem imobiliária no país foram feitas em meados da década de 1980, com a apresentação formal de um projeto de lei ao Congresso em 1989.
“Depois dessa primeira tentativa, tenho conhecimento de outras três (incluindo a atual). Nos diferentes casos, as motivações visavam regulamentar as pessoas que podem participar como intermediárias na oferta de imóveis, tanto para venda quanto para aluguel”, afirmou.
Embora não se lembre dos nomes específicos das iniciativas, ele garante que o motivo sempre foi a regulamentação da corretagem imobiliária.
Sabater Núñez destacou que a AEI e "uma extinta Associação Dominicana de Corretores de Imóveis lideraram as diversas tentativas de regulamentar o setor".
“No caso da AEI, acredito que todos os presidentes anteriores se empenharam para obter a aprovação do Congresso para a referida regulamentação. Talvez eu possa destacar os esforços notáveis de Francisco Muñiz, Fortunio Ubiñas e Víctor Báez, com o apoio do falecido membro Leonardo López. No caso dos agentes, a líder histórica foi María Mora, que exerceu grande influência no setor no início da década de 1990.”.




