O especialista explica as principais causas da paralisação da construção e oferece recomendações aos promotores imobiliários para reativar os projetos.
SANTO DOMINGO – Apesar de, segundo o Cadastro de Obras de Construção (ROE 2025-1), 52% dos projetos de construção no país estarem paralisados em grande parte do território nacional, o engenheiro e ex-presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA), Martín Concepción, garante que existem diversas causas que explicam essa situação, sendo a falta de planejamento e a irregularidade na emissão de alvarás os principais fatores.
“Um dos motivos mais frequentes é que a obra começou de forma irregular, sem as devidas autorizações, e que fiscais das prefeituras, do Ministério da Habitação ou do Ministério do Meio Ambiente chegam e a interrompem”, explica Concepción.
Outro motivo, segundo o especialista, são as dificuldades financeiras da construtora ou incorporadora. "A falta de liquidez ou de capital paralisa a construção e, em muitos casos, isso se deve ao planejamento financeiro inadequado da incorporadora, que não alocou corretamente os recursos necessários para levar a obra a um determinado ponto", explica.
O engenheiro enfatiza que "se a paralisação ocorrer por falta de recursos, a culpa é do construtor ou incorporador, pois eles deveriam ter estimado previamente o montante mínimo necessário para executar o projeto até um determinado ponto".
Permissões principais
Concepción enfatiza que a obtenção das licenças adequadas é essencial para evitar paralisações nas obras. “As principais licenças que devem ser obtidas são: a licença de uso do solo, concedida pelas prefeituras; os certificados ambientais do Ministério do Meio Ambiente, caso não seja exigida uma licença ambiental; e o alvará de construção do Ministério da Habitação, que antes era concedido pela Direção Geral de Edificações do Ministério das Obras Públicas”, explica.
O especialista alerta que iniciar um projeto sem cumprir esses requisitos "não só coloca em risco a continuidade da obra, como também a segurança dos trabalhadores e o planejamento urbano da área".
Martín Concepción enfatiza a importância de um planejamento abrangente antes de iniciar qualquer projeto. “Não estou falando apenas do planejamento das atividades de construção, mas também dos recursos financeiros necessários para colocá-las em prática. A falta de visão é a principal causa de paralisações de projetos”, afirma.
Dicas para novos desenvolvedores
O engenheiro oferece recomendações claras para quem está se aventurando em um projeto imobiliário pela primeira vez: “ Os novatos devem buscar aconselhamento de incorporadores experientes. A dinâmica de um empreendimento imobiliário não se aprende na universidade; aprende-se na prática”, explica ele.
“É fundamental entender que, mesmo que um projeto esteja concebido e possua as licenças necessárias, ele não deve ser iniciado sem planejamento e sem a garantia dos recursos econômicos necessários”, acrescentou Concepción.
Segundo o engenheiro, as paralisações dos projetos evidenciam um desafio estrutural no setor da construção civil, que exige planejamento, cumprimento das normas e financiamento adequado. "O setor da construção civil continua sendo um motor econômico, mas precisa de responsabilidade, visão de futuro e orientação profissional para evitar a paralisação dos projetos", explicou.
Impacto econômico
A paralisação dos projetos de construção, aliada à desaceleração econômica, está gerando incerteza para construtoras e compradores. O Banco Central prevê um crescimento econômico de apenas 2,5% nos primeiros quatro meses de 2025, enquanto o setor da construção civil sofreu uma queda de 2,3%.
Apesar dos desafios, o mercado continua a demonstrar procura, especialmente por apartamentos, que representam 93% das unidades ativas. Concepción salienta que “o desenvolvimento vertical urbano irá continuar, mas apenas se houver segurança jurídica, planeamento e financiamento suficiente”.




