SANTO DOMINGO – O economista Francisco Tavarez alertou que, se o governo não implementar medidas mais ousadas, a economia poderá desacelerar ainda mais em 2026. “Se o governo não aumentar o nível de investimento público, a economia poderá entrar em recessão”, afirmou o especialista.
Em entrevista ao programa "La Ventana", do Grupo de Medios El Inmobiliario, o profissional afirmou que, no contexto atual, o setor privado não assumirá o risco de investimentos maciços devido ao alto custo do financiamento e ao aumento dos preços dos materiais. "O setor privado não vai arriscar seu capital em um cenário de custos e juros elevados", indicou.
Tavarez insistiu que o Estado deve aumentar o investimento público, especialmente em infraestrutura e habitação. "Precisamos criar espaço fiscal para aumentar o investimento em construção, obras públicas e habitação. Este país tem um enorme déficit habitacional", afirmou.
Ele destacou que a habitação acessível e a habitação destinada à classe média baixa necessitam de apoio estatal para serem viáveis. "Se os salários são baixos, uma hipoteca com prestações mensais de 20.000 ou 30.000 pesos requer um subsídio direto do Estado", explicou.
Ele explicou que a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central não se traduziu em taxas mais baixas para famílias e empresas. "Embora a taxa básica de juros tenha diminuído, isso não se refletiu nas taxas de juros locais", observou.
Segundo o economista, os bancos não estão repassando essa redução ao público porque preferem opções mais seguras no mercado de ações. “Há uma espécie de esterilização das taxas de juros. Os bancos estão investindo suas reservas em certificados, títulos e fundos porque representam um retorno seguro”, explicou.
Ele alertou que um clima de insegurança financeira está influenciando o comportamento do sistema bancário. "Em um cenário em que as pessoas dizem que não há dinheiro em circulação, é muito provável que as taxas de inadimplência aumentem", observou. Ele também indicou que dados da Superintendência de Bancos mostram um leve aumento nos atrasos de pagamento.
Ele também explicou que isso leva as instituições financeiras a serem mais cautelosas na concessão hipotecários ou ao consumidor. Essa contração do crédito impacta diretamente o setor da construção civil e sua cadeia de valor, afetando todos, desde construtoras até compradores.
Investimento estrangeiro
Apesar dos desafios enfrentados pelo setor da construção civil, Tavarez enfatizou que a República Dominicana continua sendo um destino atraente para o investimento estrangeiro direto. "Muitos investimentos estrangeiros estão chegando aqui, e isso é positivo", afirmou.
Ele observou que o país possui um arcabouço legal atraente para investidores, especialmente nos setores de turismo, zonas francas e imobiliário. “Turismo e construção estão intimamente ligados. O turismo é a principal fonte de investimento estrangeiro, seguido pelo setor imobiliário e pelas zonas francas”, afirmou.
O economista destacou que, quando combinados o turismo e o setor imobiliário, esses dois setores representam aproximadamente 50% das divisas estrangeiras que entram na República Dominicana por meio de investimentos estrangeiros. No entanto, ele observou que esse fluxo, embora robusto, não compensa a queda no financiamento interno.
Ele acrescentou que a desvalorização do peso não se deve à falta de moeda estrangeira, mas sim a fatores externos e decisões de mercado. "Não é porque não esteja entrando moeda estrangeira suficiente; o fluxo, na verdade, aumentou", salientou.
O economista enfatizou que os próximos meses serão cruciais para evitar o aprofundamento da recessão no setor da construção civil. Ele reiterou que a chave está na intervenção governamental e em uma maior disponibilidade de crédito para as famílias.
“Tudo o que aconteceu em 2025 são sinais de que as políticas monetárias precisam ser mais ousadas”, enfatizou ele.




