Suas casas, construídas após o período colonial, são caracterizadas por um estilo aberto à natureza e ao mar.
Por José Arias
El Inmobiliario
O bairro de Santa Bárbara está localizado no canto noroeste-nordeste da cidade murada. Sua proximidade com o porto de Santo Domingo e sua posição estratégica como um importante ponto de trânsito para entrar na parte leste de Santo Domingo impulsionaram seu significativo crescimento econômico, social e cultural durante a era colonial.
Naquela época, equivalia a um grande centro de operações destinado à manutenção de navios que transportavam mercadorias e escravos da Europa, para descarregá-los na área de Las Atarazanas, além de abrigar a alfândega e os armazéns do governo da Hispaniola.
O renomado arquiteto e urbanista Omar Rancier, decano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Pedro Henríquez Ureña (UNPHU), afirma que o bairro de Santa Bárbara, um dos mais antigos de Santo Domingo, abriga uma série de residências e edifícios em estilo republicano construídos durante seu período moderno, no início do século passado.
Ele afirma que o conceito republicano se caracteriza por estar aberto à natureza, ao mar, e que seu muro está voltado para o porto de Santo Domingo.
Ele afirma que Santa Bárbara é considerada o primeiro bairro marginalizado em cidades americanas no estilo europeu durante o período colonial.
O calcário foi extraído de suas terras para a construção de obras da Cidade Colonial, como a Catedral de Santo Domingo, a Casa del Tostado (Museu da Família) e outras de grande importância arquitetônica e cultural.
O arquiteto e professor universitário destaca que o surgimento de uma burguesia em Santa Bárbara no início dos séculos XIX e XX gerou uma transformação na morfologia de suas residências e edifícios.
“Começou a construção de apartamentos e residências em estilo neoclássico, feitos de concreto com moldes copiados da iconografia clássica, ou seja, balaustradas, colunas e capitéis.”.
Ele acredita que esses edifícios representam um grande potencial para o relançamento de Santa Bárbara, recuperando as casas para fins de valorização patrimonial e turística, como acontece em centros históricos semelhantes, como a Velha San Juan em Porto Rico e a Velha Havana em Cuba.
Ele valoriza o resgate, a renovação e o embelezamento da Igreja Militar de Santa Bárbara, o que representa um benefício para o desenvolvimento dos moradores e visitantes daquela comunidade.
Os murais
Na década de 1980, o artista e ativista de esquerda Silvano Lora criou a Bienal Marginal, uma contraparte da Bienal de Artes Visuais organizada pelo Estado Dominicano. Ele convidou artistas que não pertenciam ao circuito oficial e às galerias de arte a refletirem em suas obras o estado de abandono de seus edifícios e a precária qualidade de vida dos habitantes da época.
Os artistas participaram em massa com pinturas, esculturas, performances e murais em tela. Atualmente, essas obras podem ser encontradas nas principais ruas da região: Gabino Puello, Colón, General Cabral, Vicente Celestino Duarte e Las Atarazanas.
Artigo publicado originalmente na 6ª edição do El Inmobiliario impresso.




