Especialistas aconselham que este é um bom momento para comprar uma casa devido à situação do mercado e às baixas taxas de juros, embora seja essencial manter um orçamento realista e ter reservas para a entrada e as despesas envolvidas na transação.
Extraído de Vanguardia
Comprar uma casa é uma decisão crucial que exige a consideração de fatores como a poupança disponível e os preços atuais do mercado imobiliário. Muitos potenciais compradores se perguntam: será que agora é um bom momento para comprar? No terceiro trimestre deste ano, o valor de imóveis novos e usados na Espanha aumentou 6,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da empresa de avaliação imobiliária Tinsa. Essa tendência de alta é ainda mais acentuada quando comparada ao mesmo período de 2020, quando os preços caíram devido à pandemia.
“Embora os preços dos imóveis tenham permanecido estáveis, estão aumentando gradualmente, de forma lenta e desigual, dependendo da localização”, explica Mariola Soriano, analista de pesquisa do Instituto de Avaliações. Durante 2021, os preços dos imóveis na Espanha cresceram 2,9%, segundo a Tinsa. A notícia positiva é que o preço médio (1.444 €/m²) está nos níveis de 2012.
“Quem tem capacidade financeira suficiente e atende aos de qualidade de crédito exigidos pelos bancos para solicitar financiamentos imobiliários está aproveitando as baixas taxas de juros e as condições de financiamento atrativas”, afirma Soriano. Hoje, tanto os financiamentos imobiliários com taxa fixa quanto os com taxa variável têm taxas de juros muito baixas. De fato, em julho passado, a taxa média de juros dos financiamentos imobiliários era de 2,54%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
As características das casas mais procuradas
Novos hábitos e necessidades que surgiram após o confinamento influenciaram o tipo de habitação procurada. "Houve um aumento notável na procura por casas modernas com divisões mais espaçosas, luz natural e áreas exteriores", destaca uma análise do Instituto de Avaliação. "No último trimestre de 2020, a compra de casas unifamiliares atingiu 22,5% de todas as transações, um recorde histórico. Esta tendência continuou no primeiro trimestre de 2021, com 21%", salienta a mesma organização.
No entanto, casas familiares não são o tipo de imóvel que gera maior interesse entre os compradores. "Os potenciais compradores procuram principalmente um apartamento padrão com área útil entre 75 e 80 metros quadrados, com três quartos, dois banheiros e, em alguns casos, vaga de garagem ou varanda", resume Iñaki Unsain, presidente da Associação Espanhola de Consultores Imobiliários (AEPSI). Segundo o especialista, um imóvel com terraço ou cobertura é mais um sonho do que uma realidade, já que a oferta no mercado é escassa e, além disso, os preços desses tipos de imóveis são mais elevados.
Quantodinheiro você deveria ter economizado para comprar uma casa?
No entanto, o orçamento do comprador e, sobretudo, as suas poupanças irão definir a transação. “Dependendo da quantia que dispõe, o futuro proprietário pode analisar que tipo de casa pode comprar. Como regra geral, para comprar uma casa, é necessário ter poupado 35% do seu valor total”, aconselha Unsain. Segundo o presidente da AEPSI, considerando as características de uma casa padrão, o comprador precisará de ter poupanças entre 50.000 e 100.000 euros.
“O primeiro ponto a considerar é o orçamento disponível para a compra e, consequentemente, o financiamento”, afirma Soriano. “Os bancos normalmente financiam no máximo 80% do valor avaliado do imóvel. Portanto, os compradores devem ter o valor restante guardado para cobrir a parte não financiada, além de impostos e outras despesas relacionadas à transação, que podem variar de 10% a 15% do preço do imóvel, dependendo da região”, explica o analista do Instituto de Avaliação.
O primeiro passo é considerar o orçamento disponível para a compra e, consequentemente, o financiamento. Os bancos geralmente financiam no máximo 80% do valor avaliado do imóvel.
Atenha-se sempre às suas finanças pessoais
“O importante é morar em uma casa que você possa pagar”, argumenta Natalia de Santiago, especialista em análise e planejamento financeiro, em seu livro Invista em Você (Planeta, 2021). Para ela, a chave é “não gastar mais de um terço da sua renda líquida com moradia”. Ela também recomenda que “o preço total da casa não ultrapasse cinco vezes o seu salário bruto anual e que você termine de quitar a casa antes da aposentadoria”.
De Santiago dá um exemplo: “Um casal hipotético, ambos com 35 anos e salários brutos de € 25.000 cada, poderia comprar uma casa por € 250.000 (cinco vezes € 50.000), desde que tenham uma poupança de € 75.000 para a entrada e despesas de fechamento, e contraiam um empréstimo hipotecário de 30 anos com uma prestação mensal que não ultrapasse 30% do seu rendimento líquido, aproximadamente € 1.000 por mês. Se estes critérios não forem cumpridos, a melhor opção é continuar a procurar e a alugar até encontrarem uma casa que se ajuste ao seu orçamento.”.
É aconselhável procurar aconselhamento; um especialista, como o gerente da sua instituição financeira, fará uma avaliação objetiva e personalizada do que é mais relevante para você, com base nas suas circunstâncias
Em todo caso, planejar com antecedência e ser realista ajudará os futuros compradores a adquirir um imóvel que se encaixe em sua capacidade financeira e a administrar as despesas contínuas da propriedade. “Comprar um imóvel, principalmente para quem compra pela primeira vez, é um passo muito importante na vida de uma pessoa. Tomar decisões precipitadas também é um erro. É aconselhável dedicar o tempo necessário para decidir qual a melhor opção”, conclui Soriano.
Além disso, é aconselhável buscar orientação; um especialista, como o gerente da sua instituição financeira, fará uma avaliação objetiva e personalizada do que mais lhe interessa, com base nas suas possibilidades.




