Extraído do jornal Hoy
SANTO DOMINGO -Dando voz ao seu desamparo, Mario Pérez explicou que, ao receber as chaves do seu apartamento, sentiu-se seguro de que, com muito trabalho e com as economias de uma vida inteira, havia realizado seu sonho. Mas, no dia seguinte, 6 de outubro, ao chegar àquela que seria sua casa, surgiu uma dúvida: a torneira não respondia ao comando.
A partir de então, ele sentiu uma culpa que crescia a cada dia que passava, até se transformar em pânico quando soube dos resultados de uma investigação do Ministério Público, que revelou que ele havia sido uma das muitas vítimas de golpistas que se aproveitaram da Operação Nest para vender mais de 300 apartamentos sem a documentação legal.
Reduzir o risco de outros clientes do mercado imobiliário caírem na mesma armadilha, devido à falta de informação e de regulamentação, é uma tarefa que o país deve cumprir, implementando as salvaguardas necessárias para impedir que o golpe penetre no mercado de crédito imobiliário, de modo que só possa entrar por uma brecha imperceptível.
Isso pode ser facilitado pelo anúncio feito pela vice-presidente Raquel Peña de que o presidente Luis Abinader criou uma comissão para tratar do problema.
Existem vários cadeados que podem ser colocados.
O principal objetivo é fornecer ao mercado regulamentações que fortaleçam e aumentem a participação das operações regulamentadas.
Daí a necessidade de promover a aprovação de uma lei (que está em desenvolvimento) para que o exercício da profissão de agente imobiliário exija a obtenção de uma licença, a qual poderá ser concedida pelo Conselho de Agentes e Empresas Imobiliárias (ainda em fase de criação) ou por uma instituição pública como o Ministério da Habitação.
Os que receberem essa licença deverão ter estudos certificados na área, o que ajudaria a reduzir o risco, aumentando a confiança nos corretores de imóveis regulamentados, que ganhariam participação de mercado, enquanto o mercado não regulamentado, onde a fraude se instala com mais facilidade, a perderia.
A lei também poderia criar um fundo (com contribuições do setor privado regulamentado e gerido por ele) para implementar uma política de orientação contra fraudes, estabelecendo canais aos quais os clientes possam recorrer para esclarecer dúvidas sobre as ofertas recebidas.
Isso ajudaria a evitar que a falta de informação levasse alguns a cometer o mesmo erro que Mario Pérez e, ao mesmo tempo, fortaleceria o mercado regulamentado, tornando seus investimentos mais rentáveis.
Da mesma forma, os incentivos para os fundos imobiliários em crescimento (já existem mais de 300 no país) poderiam continuar a ser reforçados, uma vez que os elevados níveis de transparência com que operam constituem uma proteção contra a fraude.
Vamos sonhar com o dia em que os fundos imobiliários se tornem os maiores provedores de moradia, pois esse será o dia em que a fraude será uma ocorrência rara no mercado imobiliário do país.




