BBC News Mundo
Quanto mais forte for a moeda local, melhor será a posição das cidades do país na lista, e vice-versa.
Isso significa que quanto mais forte a moeda, mais cara a cidade. E quanto mais fraca a moeda, mais barato o país aparece no ranking.
Mas em Singapura, o que realmente atinge um patamar de luxo extremo é o custo de um certificado necessário para comprar um carro: o mais barato ultrapassou os US$ 106.000 no início de outubro.
Apesar de ser relativamente pequeno, Singapura é frequentemente classificado como um dos países com o maior número de milionários do mundo e, portanto, raramente perde o primeiro lugar: foi considerado o lugar mais caro para se viver em nove dos últimos 11 anos.
O país asiático está empatado com Zurique no ranking deste ano. Ambos são considerados capitais financeiras.
A maior cidade da Suíça é sempre cara, especialmente em relação a alimentação, artigos para o lar e entretenimento. Zurique liderou a lista em 2020 e raramente sai do top dez.
“Sua ascensão ao topo do índice deve-se principalmente à valorização do franco suíço em mais de 10% em relação ao dólar no último ano. A cidade de referência da pesquisa é Nova York, portanto, se a moeda de um país se fortalece, suas cidades geralmente sobem no ranking”, explica a revista semanal.
A desvalorização do dólar fez com que as cidades americanas caíssem no ranking deste ano. Nova York, a cidade mais cara no ano passado, juntamente com Singapura, caiu para o terceiro lugar, empatada com Genebra, outra cidade suíça.
Segundo a Economist Intelligence Unit, a crise global do custo de vida que começou em 2022 ainda está presente em 2023, mesmo com a melhora dos preços da energia e dos problemas na cadeia de suprimentos.
Mas a inflação continua alta em todo o mundo: os preços dos 200 bens e serviços monitorados subiram, em média, 7,4% no último ano. Esse valor é ligeiramente inferior aos 8,1% registrados em 2022, mas ainda bem acima da média de cinco anos, que é de 2,9%.
As cidades mais baratas
A cidade mais barata no ranking continua sendo Damasco, a capital da Síria, embora sua cesta básica tenha aumentado 321% em relação ao ano anterior, em moeda local.
A retirada dos subsídios governamentais e a desvalorização da moeda fizeram com que os custos de importação disparassem.
Também perto do final do ranking estão Teerã (Irã) e Trípoli (Líbia). A taxa de inflação de Teerã é alta, próxima de 49%, enquanto os preços em Trípoli subiram pouco mais de 5% no ano passado.
A revista The Economist afirmou que as três cidades são particularmente baratas para compras de supermercado, bem como para outros artigos domésticos e de higiene pessoal.
E quanto à América Latina?
O estudo deste ano também mostra que as três cidades que mais subiram posições estão na América Latina. São elas Santiago de Querétaro e Aguascalientes, no México, e San José, a capital da Costa Rica.
Embora a pesquisa deste ano abranja 173 das principais cidades do mundo, a média global foi calculada excluindo Kiev (Ucrânia) e Caracas (Venezuela), que continuam enfrentando um ciclo de hiperinflação.
Na região da América Latina, a Cidade do México é considerada a mais cara.
“Em 2023, o peso provou ser uma das moedas mais fortes dos mercados emergentes, graças ao aumento das taxas de juros e ao forte investimento interno”, afirma o semanário econômico.
“Os bancos centrais de grande parte da América Latina estiveram entre os primeiros a seguir os aumentos das taxas de juros do Federal Reserve dos EUA para sustentar suas moedas. Como resultado, o peso mexicano e o colón costarriquenho se fortaleceram”, explica a revista The Economist.
Buenos Aires, a cidade mais barata da América Latina
E embora as autoridades estimem que a inflação na Argentina fechará o ano em 180% ao ano, Buenos Aires é a cidade mais barata da América Latina e do Caribe.
O principal motivo é a desvalorizaçãosofrida pelo peso.
Quem tem dólares hoje na capital argentina consegue obter muito mais pesos, à taxa de câmbio atual, do que há um ano.
“A Argentina já se encontra nessa situação hoje: possui uma trajetória fiscal insustentável, uma taxa de câmbio sobrevalorizada e uma balança de pagamentos muito vulnerável. A inflação subiu rapidamente, enquanto o peso argentino oficial se desvalorizou mais lentamente”, afirma Mali Chivakul, economista de mercados emergentes da J. Safra Sarasin Sustainable AM.
“Como resultado, a taxa de câmbio real valorizou-se acentuadamente desde 2022. O ARS oficial é gerido com vários controles de capital. O FMI estima que a taxa de câmbio real esteja sobrevalorizada entre 15% e 20%. E o mercado paralelo oferece uma taxa de câmbio não oficial até 150% mais fraca do que a oficial”, acrescenta o especialista.
É por isso que, embora a população da capital sofra intensamente com o ciclo inflacionário, sua comparação com o dólar a torna tão acessível.




