SANTO DOMINGO- Entrar em um avião pode ser uma das experiências mais aterrorizantes que uma pessoa pode ter, mas esse medo não tem nada a ver com a segurança que ele proporciona, já que é um dos meios de transporte mais seguros que existem, até mais seguro do que viajar de carro, dizem os especialistas.
“A aviação é uma indústria regulamentada; acredito que apenas a indústria nuclear a supera. Além disso, acidentes aéreos são improváveis; o número de acidentes em todo o mundo é mínimo”, afirmou Francisco Díaz, presidente da Associação Dominicana de Aviação Geral (ADAG).
Segundo dados oficiais da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) de 2017 a 2021, ocorre um acidente aéreo aproximadamente a cada 2,27 milhões de viagens, o que equivale a 0,44%.
O motivo principal reside no cuidado e na qualidade que as aeronaves devem possuir.
Sistemas de proteção
Embora voar de avião possa parecer “um ato de fé”, existem inúmeros sistemas que protegem os passageiros “no ar”: radar meteorológico, Controle de Tráfego Aéreo (ATC), troca de dados, o Sistema de Alerta de Tráfego e Prevenção de Colisões (TACS), para citar alguns, de acordo com o piloto Díaz, e tudo isso se enquadra no que é conhecido na aviação como “segurança operacional”, que ele descreveu como “toda uma ciência”.
A maioria dos aviões possui radares capazes de rastrear tempestades a uma altitude de 55.000 pés.
Da mesma forma, o Controle de Tráfego Aéreo, que tem a função de ditar chegadas e partidas para garantir que sejam feitas por rotas diferentes e estabelecer a posição das aeronaves no espaço aéreo, sua altitude e distância, evita que ocorram acidentes.
“Embora pareçam próximos no mapa, os aviões não estão tão próximos assim. Doze milhões de voos podem ser realizados diariamente sem problemas, simultaneamente, e tudo é quantificado. A separação horizontal mínima entre um avião e outro é de três milhas, e a separação vertical é de 100 pés, sendo que a distância de três milhas só é mantida em áreas muito controladas”, explicou Díaz.
Altamente qualificado
“Os pilotos são treinados para a maioria das emergências mais comuns”, explicou Díaz, indicando que, em sua maioria, os pilotos são bem treinados e preparados.
Além dos extensos estudos que devem concluir, quando estão em serviço, os pilotos são submetidos a treinamento periódico.
“Para ser piloto privado, são necessárias em média de 35 a 50 horas de voo, para piloto comercial, em média de 200 a 250 horas de voo, e para piloto de linha aérea, no mínimo 1.500 horas”, explica Díaz.
Fora do mercado
Entre os melhores do mercado estão os aviões da Airbus e da Boeing, considerados pelo colunista espanhol de aeronáutica Pedro Fernández como "aviões supersônicos de passageiros", de grande porte e extrema segurança.
Quantos se lembrarão daquele avião que revolucionaria o mercado por ser o mais seguro, o Concorde? Era um avião capaz de quebrar a barreira da luz e levar seus passageiros aos seus destinos em um tempo muito curto.
Em 2002, devido a um acidente ocorrido, apenas um em 27 anos de serviço, eles decidiram interromper o serviço e não utilizá-lo mais.
O piloto Díaz afirmou que, na aviação, incidentes e acidentes passados são analisados, juntamente com suas causas, "para reduzir ocorrências futuras". Ele reconheceu a existência tanto de acidentes quanto de incidentes. Um incidente é algo que coloca a aeronave em risco, mas não resulta necessariamente em uma queda.
E quanto à aerofobia?
No entanto, a “aerofobia” é muito comum em pessoas que não voam com frequência, sendo um tipo de transtorno de ansiedade relacionado ao medo de voar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como “um medo intenso e irracional de voar ou de aviões”.
O piloto Díaz afirmou que não há motivo para ter medo, pois "a aviação é a área mais bem calculada", mas ressaltou que é normal que parte da população sofra de "aerofobia", porque "o corpo humano não foi feito para voar".
As fobias surgem por diferentes razões, mas, segundo Francesca Román, diretora do Centro de Psicólogos de Madrid, as causas mais comuns costumam estar relacionadas a traumas ou inseguranças.
Às vezes, o medo de voar surge de uma experiência de voo anterior muito negativa ou de um acidente, mas nem sempre é esse o caso. Frequentemente, a raiz desse medo reside em uma experiência traumática não relacionada ao voo em si.
O especialista espanhol recomendou tentar escolher um assento sem janela, evitando assim uma possível sensação de vertigem, ir ao aeroporto para se familiarizar com os arredores, distrair-se dentro do avião, evitar excessos ao comer ou beber, viajar em companhia e informar-se sobre o funcionamento da aeronave e a situação do voo em geral.
Fonte: Listín Diario




