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Líderes empresariais rejeitam reforma do código trabalhista; senador afirma que é um projeto que moderniza o setor

O grupo reafirmou sua posição de rejeição a uma reforma que descreve como regressiva.

SANTO DOMINGO - Ontem, quinta-feira, a Confederação de Empregadores da República Dominicana (Copardom) manifestou sua preocupação com a recente aprovação do projeto de lei que modifica o Código do Trabalho, alertando que a reforma representa sérios retrocessos para a estabilidade jurídica, o ambiente de investimento e a competitividade do país.

Por sua vez, o presidente da Comissão Especial do Senado que estudou a proposta de emenda ao Código, Rafael Barón Duluc, assegurou que a legislativa não representa um retrocesso, mas sim uma modernização do sistema trabalhista dominicano

"De acordo com os pontos identificados pela da Copardom, o projeto aprovado ignora acordos fundamentais alcançados no Conselho Consultivo do Trabalho, um espaço tripartite onde questões-chave para a modernização das relações trabalhistas foram acordadas durante anos", afirmou a presidente da entidade empresarial, Laura Peña Izquierdo.

Um dos aspectos mais alarmantes que destacaram foi a eliminação da conciliação pré-processual, um mecanismo que permitia a resolução rápida e menos dispendiosa de litígios para ambas as partes. Com essa eliminação, os empregadores temem um aumento desnecessário de litígios e uma sobrecarga do sistema judicial.

Outra mudança controversa destacada por Peña Izquierdo foi a modificação das proibições para os trabalhadores, uma vez que as restrições às coletas nos locais de trabalho e à propaganda religiosa foram eliminadas, mantendo-se apenas a limitação à propaganda política, gerando lacunas que poderiam prejudicar o ambiente de trabalho.

Em um comunicado à imprensa, o presidente da Copardom alertou que a nova redação exige o pagamento de benefícios trabalhistas por aposentadoria ou desligamento, mesmo que a pensão provenha de contas individuais de capitalização do Sistema de Seguridade Social Dominicano (SDSS), o que aumenta os custos trabalhistas e distorce o princípio da proporcionalidade.

No setor financeiro, discute-se o risco de um processo de execução mais complexo, uma vez que os depósitos judiciais agora exigem validação por meio de audiências, enquanto anteriormente um depósito administrativo era suficiente. Esse obstáculo processual expõe as empresas a apreensões cautelares e aumenta a carga de trabalho dos juízes.

"É particularmente preocupante a disposição que afeta a competitividade das zonas francas, obrigando-as a pagar uma parte dos lucros da empresa, o que contradiz os incentivos que, durante décadas, fizeram deste setor um motor fundamental das exportações e do emprego", afirmou.

A Copardom alertou no comunicado de imprensa que isso abre caminho para que o Poder Executivo declare dias não úteis sem clareza quanto à sua remuneração, aumentando a incerteza sobre o planejamento de operações e custos.

"A associação patronal acredita que disposições como a compensação indevida a instituições financeiras durante intervenções de executivos ameaçam a estabilidade do crédito, uma vez que impõem pagamentos adicionais por cada dia de atraso na entrega das garantias", enfatizou.

O grupo reafirmou sua posição de rejeição a uma reforma que descreve como regressiva, uma vez que rompe o delicado equilíbrio entre os direitos e obrigações de trabalhadores e empregadores, e ignora princípios fundamentais da liberdade empresarial, disse Peña Izquierdo.

A organização empresarial fez um apelo urgente ao Poder Executivo e ao Congresso Nacional para que reabram um diálogo tripartite genuíno, retomando o consenso construído ao longo de anos de trabalho técnico e negociação.

A Copardom reiterou seu compromisso com uma reforma trabalhista moderna, inclusiva e equilibradaque promova a competitividade e a criação de empregos de qualidade na República Dominicana.

A declaração é assinada por 85 associações empresariais, incluindo o Conselho Nacional da Empresa Privada (Conep), a Associação das Indústrias da República Dominicana (AIRD), a Associação Dominicana de Zonas Francas (Adozona), a Associação de Hotéis e Turismo da República Dominicana (Asonahores), a Confederação Patronal da República Dominicana (Copardom), a Confederação Dominicana de Micro, Pequenas e Médias Empresas (Codopyme), a Organização Nacional de Empresas Comerciais (ONEC) e a Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA).

Ele descreve a posição como alarmista

O presidente da Comissão Especial do Senado que estudou a proposta de emenda ao Código do Trabalho, Rafael Barón Duluc, classificou como "alarmista e injusta" a posição do Conselho Nacional da Empresa Privada (CONEP), que classificou a atual reforma trabalhista como regressiva.

O legislador pediu à entidade que se retratasse da declaração e assegurou que a legislativa não representa um retrocesso, mas sim uma modernização do regime trabalhista dominicano

“Dizer que este projeto ameaça a segurança do emprego ou que é regressivo é completamente falso”, afirmou Barón Duluc, quando abordado pela imprensa no Congresso Nacional.

Conforme explicou, a Comissão não aceitou propostas como o estabelecimento de um teto para as indenizações por rescisão de contrato — um dos pontos que gerou maior resistência por parte dos sindicatos —, o que, em sua opinião, desmantela a narrativa empresarial de que a reforma reduz direitos.

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